Ataque houthi mata dezenas no Iêmen e fere 11 na Arábia Saudita
Rebeldes apoiados pelo Irã atingem bases em Marib e Hadramaute e bombardeiam Najran; Riad diz temer ofensiva coordenada e petróleo sobe
Redação Apuramos
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Rebeldes apoiados pelo Irã atingem bases em Marib e Hadramaute e bombardeiam Najran; Riad diz temer ofensiva coordenada e petróleo sobe
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Ataques dos houthis, grupo iemenita apoiado pelo Irã, mataram dezenas de militares do governo do Iêmen e feriram 11 civis no sul da Arábia Saudita, na escalada mais grave do conflito iemenita em anos. Nesta sexta-feira (7), os bombardeios continuaram: pelo menos 12 novos ataques com mísseis atingiram as províncias de Hadramaute e Marib, informou a Al Jazeera a partir de Sanaa.
Segundo fontes do governo iemenita ouvidas pela Al Jazeera, os houthis dispararam oito mísseis da província de al-Jawf, ao norte de Marib, contra as localidades de al-Thiniya e al-Abr, em Hadramaute, e al-Rouk, em Marib. As mesmas fontes falaram em ao menos 30 soldados mortos e 15 feridos, com expectativa de que os números subissem.
O editor de assuntos iemenitas da emissora, Ahmed al-Shalafi, relatou que os mísseis caíram às 14h no horário local (11h de Brasília) e atingiram acampamentos das Forças Escudo da Pátria, das Forças de Emergência e da Primeira Região Militar. O Comando da Primeira Divisão de Emergência afirmou que o número de vítimas foi alto porque as tropas estavam reunidas para um treinamento matinal.
Os balanços divergem: a agência AFP falou em pelo menos 58 militares mortos, citando uma fonte militar; o jornal The National registrou ao menos 45; e as fontes ouvidas pela Al Jazeera, 30.
O major-general Turki al-Maliki, porta-voz da coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, disse na madrugada de sexta que um ataque houthi contra a província saudita de Najran, na fronteira, feriu 11 civis — sete sauditas, um iemenita, dois egípcios e um paquistanês. Entre eles está uma criança de 4 anos com queimaduras de segundo grau.
"A milícia terrorista houthi realizou esses ataques terroristas com bombardeios indiscriminados contra alvos civis", afirmou al-Maliki, segundo o The National, classificando a ação como violação do direito internacional.
O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo, Jasem Mohamed Albudaiwi, condenou os ataques em nota publicada nesta sexta: "Atingir civis é um crime hediondo e resume a conduta criminosa dessas milícias."
O porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, afirmou que os houthis atacaram com mísseis balísticos e drones acampamentos da Primeira e da Terceira Divisões de Emergência, que descreveu como forças apoiadas por Riad. O grupo alegou ter matado e ferido centenas de combatentes e destruído depósitos de armas e veículos militares, além de conclamar os iemenitas alinhados à Arábia Saudita a abandonarem suas posições.
O The National ressalva que as reivindicações do grupo costumam ser exageradas. Até a publicação desta reportagem, os houthis não haviam comentado o comunicado da coalizão sobre os feridos em Najran.
Um alto funcionário saudita disse à Reuters, sob anonimato, que informações de inteligência da Arábia Saudita, dos Estados Unidos e de outros países do Oriente Médio apontam que houthis e grupos armados iraquianos, sob supervisão da Guarda Revolucionária do Irã, podem lançar ataques coordenados contra alvos civis — infraestrutura de energia, portos e aeroportos.
Segundo a mesma fonte, as ameaças podem ter como objetivo atrapalhar as negociações em curso, num momento em que Riad diz apoiar a desescalada. O reino vem estreitando acordos militares: o premiê paquistanês Shehbaz Sharif chegou ao país na quinta e o presidente turco Recep Tayyip Erdogan era esperado nesta sexta.
A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã começou em 28 de fevereiro, e os houthis entraram no conflito no fim de março. Em 13 de julho, o governo iemenita atacou o aeroporto de Sanaa para impedir o pouso de um avião iraniano. Em 20 de julho, os houthis impuseram um bloqueio marítimo à Arábia Saudita e atingiram instalações da estatal Aramco em Jizan e Yanbu. Em 29 de julho, ataques conjuntos de sauditas e americanos contra sedes das Forças de Mobilização Popular no Iraque mataram mais de 20 pessoas.
O barril do Brent subiu a US$ 83,34 às 6h34 GMT desta sexta, depois de fechar quinta em US$ 82,49, com alta de mais de US$ 3, segundo dados citados pela Al Jazeera. Cerca de 30% do tráfego global de contêineres passa pelo Mar Vermelho, rota ameaçada pelos houthis no estreito de Bab al-Mandeb.
Para Ahmed Nagi, analista sênior para o Iêmen do International Crisis Group, ainda há espaço para conter a crise, mas os sinais atuais "apontam mais para uma escalada adicional do que para a contenção".
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