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Ataque na parada LGBT de Berlim: Merz promete resposta

Promotoria alemã libera segundo detido nesta segunda; vítima morta é identificada como polonesa e governo é cobrado por suspeito estar solto

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Ataque na parada LGBT de Berlim: Merz promete resposta
Claudio Schwarz/Unsplash — imagem ilustrativa

A Procuradoria-Geral Federal da Alemanha libertou nesta segunda-feira (27) o segundo homem detido em conexão com o ataque contra as celebrações do Orgulho LGBT+ em Berlim, informou a Reuters. No mesmo dia, o chanceler Friedrich Merz prometeu reagir "com determinação" ao atropelamento de sábado (25), enquanto o governo passou a ser cobrado a explicar por que o principal suspeito, condenado em maio, estava em liberdade.

A mulher morta no ataque foi identificada como cidadã polonesa. "Recebemos a informação de que a vítima do trágico ataque em Berlim era uma cidadã polonesa. Enviamos nossas mais sinceras condolências à família e aos entes queridos", escreveu nas redes sociais o porta-voz da chancelaria da Polônia, Maciej Wewior, em declaração reproduzida pela Reuters.

O que aconteceu no Tiergarten

Segundo a polícia de Berlim, uma van entrou no parque Tiergarten pouco antes das 22h de sábado e atingiu várias pessoas, a poucos metros do Portão de Brandemburgo, onde acontecia a festa de encerramento do Christopher Street Day (CSD) — nome dado às paradas do Orgulho na Alemanha. Parte das vítimas também foi ferida com uma arma branca, provavelmente um facão, disse o ministro do Interior, Alexander Dobrindt.

O balanço oficial é de uma morta e 29 feridos. Os bombeiros de Berlim informaram que três pessoas ficaram em estado grave com risco de morte, oito tiveram ferimentos sérios e cinco, lesões leves, de acordo com a agência AP. Mais de 2,2 mil policiais estavam de plantão na cidade desde a manhã de sábado para proteger o desfile, segundo a Reuters.

O suspeito de dirigir o veículo fugiu a pé. Ele foi localizado no domingo (26), por volta das 18h, em um conjunto de hortas comunitárias no bairro de Spandau. "Segundo as primeiras constatações, ele correu na direção dos policiais armado com uma arma branca; os agentes então abriram fogo", informou a polícia em nota citada pela Al Jazeera. O homem morreu no local, apesar das tentativas de reanimação.

Por que o suspeito estava solto

As autoridades identificaram o suspeito como Abdul Ballout, 21 anos, cidadão alemão de origem libanesa, nascido e criado em Berlim. Dobrindt afirmou no domingo que "tudo o que vemos aqui indica que estamos diante de um ataque terrorista islâmico" e disse que o jovem era conhecido da polícia por circular no meio islamista da capital.

De acordo com a promotoria, citada pela Reuters, Ballout foi condenado em maio por preparação de ato grave de violência contra o Estado e recebeu, pela lei penal juvenil, pena de um ano e dez meses. Ele foi solto sob supervisão de um agente de liberdade condicional por seis meses, depois que o tribunal adiou a decisão sobre suspender a pena. A promotoria havia recorrido, pedindo punição maior.

"Ainda é cedo para dizer que conclusões políticas tiraremos deste ataque brutal. Teremos de responder com prudência, mas também com determinação", declarou Merz em entrevista coletiva de seu partido. O chanceler lembrou que o monitoramento de condenados cabe aos estados alemães, mas afirmou ter encarregado o ministro do Interior de estudar uma mudança nessa competência, e questionou como o suspeito conseguiu se aproximar do evento estando, em tese, sob vigilância constante.

A vítima e o que segue em aberto

O prefeito de Berlim, Kai Wegner, afirmou que a mulher morta tinha 65 anos e era da Polônia, tendo viajado à cidade com a filha, hoje hospitalizada sem risco de morte, segundo a agência alemã dpa. Já a Reuters, citando a chancelaria polonesa, fala em uma mulher de cerca de 60 anos. Flores, velas e mensagens foram deixadas no Portão de Brandemburgo ao longo do dia.

Sobre o segundo detido, a revista Spiegel apurou que ele foi liberado porque a suspeita inicial de que estaria no veículo no momento do ataque não pôde ser confirmada. "Seguimos investigando de forma ampla", limitou-se a dizer a Procuradoria-Geral Federal à Reuters. Como morreu antes de ser interrogado, o principal suspeito não apresentou sua versão, e a apuração sobre motivação e eventuais cúmplices continua.

Wegner classificou o episódio como um ataque à liberdade: "Depois de um desfile do Orgulho pacífico e vibrante, a manifestação por uma Berlim tolerante e pacífica foi atacada da maneira mais brutal". O caso se soma a uma série de atropelamentos em massa que marcaram a Alemanha nos últimos anos — Magdeburgo (dezembro de 2024), Munique (fevereiro de 2025) e Mannheim (março de 2025) — e que mantêm segurança, imigração e extremismo no centro do debate político do país, aponta a AP.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Berlim
  • Alemanha
  • Christopher Street Day
  • Friedrich Merz
  • Kai Wegner
  • terrorismo
  • LGBT
  • Polônia
  • Alexander Dobrindt

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