Um bombardeio russo com mísseis e drones contra Kiev e a região que cerca a capital ucraniana matou pelo menos 17 pessoas e deixou 44 feridas na madrugada desta quarta-feira (5), segundo o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. A ofensiva começou depois da meia-noite no horário local e, de acordo com a Força Aérea ucraniana, nenhum dos mísseis lançados foi abatido.
Em publicação nas redes sociais reproduzida pela Associated Press e pela ABC News, Zelensky classificou o ataque como "maciço" e "devastador". "Os interceptores de mísseis balísticos são o que poderia ter salvado as vidas daqueles que morreram hoje", escreveu o presidente, que voltou a cobrar dos aliados a entrega de munição antimíssil.
O que foi lançado
A Força Aérea ucraniana informou que a Rússia disparou 115 drones e 28 mísseis de alta velocidade — 24 balísticos e quatro identificados como Zircon (hipersônicos) ou Oniks (antinavio). Dos drones, 98 foram derrubados. Nenhum míssil foi interceptado, segundo dados preliminares divulgados pela corporação. A ABC News, citando a Força Aérea, registrou impactos em 26 pontos do país.
A administração militar de Kiev afirmou que sete locais foram atingidos na capital e que os alertas antiaéreos duraram mais de uma hora, conforme reportou a RTP com base em agências. Equipes de resgate seguiam trabalhando nos distritos de Brovary, Bucha e Fastiv. O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, relatou incêndios em armazéns e disse que as informações iniciais sobre um prédio residencial de 20 andares em chamas se mostraram imprecisas. A administração militar também informou um vazamento de amônia combatido por equipes de emergência.
Alvos: armazéns e logística
Zelensky afirmou que os principais alvos foram depósitos de empresas civis, além de infraestrutura e uma estação ferroviária — instalações que, segundo ele, não têm "qualquer relação com a guerra", como uma cervejaria, armazéns de material de construção e centros logísticos.
Segundo a AP, a Nova Poshta, maior operadora postal privada do país, disse que uma munição cacho russa destruiu um de seus centros de triagem em Kiev. A rede varejista Epicentr informou no Facebook que perdeu em minutos o que havia construído em décadas; um funcionário morreu e outros três ficaram feridos. Instalações do varejista on-line Rozetka também foram atingidas, conforme registro fotográfico da Reuters publicado pela ABC News.
A versão de Moscou
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou, em nota no Telegram, que realizou um "ataque maciço" contra centros de transporte, logística e distribuição em Kiev e arredores usados, segundo a pasta, para fins militares. A pasta listou quatro alvos na capital e sustentou que o centro da Nova Poshta armazenava bens de uso dual, incluindo componentes para drones de longo e médio alcance, sistemas robóticos e de guerra eletrônica. Moscou também disse ter atingido três navios graneleiros no Mar Negro, ao sul de Odessa, que transportariam armamento — versão sobre a qual autoridades ucranianas não se manifestaram. A AP registrou que não foi possível conciliar de imediato os relatos das duas partes.
O ministério russo afirmou ainda ter derrubado 475 drones ucranianos durante a noite, sobre 16 regiões russas, a Crimeia anexada e os mares Negro e de Azov.
Escassez de interceptores e retaliação ucraniana
O ataque se soma a uma série de bombardeios balísticos em larga escala que se tornaram quase rotineiros neste verão europeu, explorando a escassez de munição para os sistemas Patriot, de fabricação norte-americana — os únicos do arsenal ucraniano capazes de abater mísseis balísticos. Conforme a RTP, analistas militares estimam que a Rússia passou de cerca de 200 a 300 lançamentos balísticos em todo o ano de 2024 para aproximadamente 126 apenas em julho de 2026; uma contagem da AFP com base em dados oficiais indica que a Ucrânia intercepta menos de um terço deles.
Com as negociações de paz lideradas pelos Estados Unidos aparentemente travadas — Zelensky aceitou o cessar-fogo incondicional cobrado pelo presidente Donald Trump, e Vladimir Putin recusou —, Kiev tem ampliado ataques profundos em território russo. Na terça-feira (4), drones ucranianos atingiram um armazém da varejista Wildberries na região de Tula, ao sul de Moscou: o 14º depósito da empresa a pegar fogo em menos de três semanas, segundo contagem ucraniana citada pela AP.