Ataque russo a Kiev hoje (8/8) mata três, entre eles uma criança
Bombardeios da madrugada atingiram a capital ucraniana e o distrito de Brovary; país interceptou só 29 de 195 mísseis balísticos em julho
Redação Apuramos
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Bombardeios da madrugada atingiram a capital ucraniana e o distrito de Brovary; país interceptou só 29 de 195 mísseis balísticos em julho
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Um novo bombardeio russo contra Kiev e a região metropolitana da capital ucraniana deixou mortos e feridos na madrugada deste sábado (8). O balanço varia entre as fontes: os serviços de emergência da Ucrânia, a agência AFP e o jornal The Moscow Times falam em três mortos, entre eles uma criança; já o Diário do Grande ABC e o americano Washington Times registraram quatro vítimas fatais.
Segundo o The Kyiv Independent, a Força Aérea ucraniana começou a alertar moradores sobre a aproximação de drones pouco depois da meia-noite no horário local. As primeiras explosões foram ouvidas por volta de 00h45, e uma nova rodada de estrondos atingiu a cidade menos de 15 minutos depois. Por volta das 3h, enquanto equipes de resgate apagavam incêndios, jornalistas do veículo relataram novos ataques, desta vez com mísseis balísticos. Um repórter da AFP contabilizou cerca de dez explosões na capital perto da meia-noite.
As mortes se concentraram no distrito de Brovary, na periferia nordeste de Kiev. O chefe da administração militar da capital, Tymur Tkachenko, informou que três pessoas morreram ali, uma delas uma criança, e outras três ficaram feridas — entre elas, mais uma criança. A AFP situou o episódio na localidade de Pukhivka, onde drones russos destruíram uma residência.
Na própria capital, as autoridades militares registraram quatro feridos. O serviço de emergências (DSNS) relatou incêndios em garagens e num prédio comercial no distrito de Holosiivskyi e em uma área industrial no bairro de Obolonskyi.
"A Rússia continua a aterrorizar a população civil", afirmou Tkachenko.
O ataque expõe de novo a crise da defesa aérea ucraniana. Na sexta-feira (7), o Ministério da Defesa do país informou que interceptou apenas 29 dos 195 mísseis balísticos disparados pela Rússia em julho, o equivalente a menos de 15%. A pasta afirmou que suas equipes operaram sob "escassez crítica" de interceptadores.
O bombardeio deste sábado ocorreu 72 horas depois do ataque mais letal recente: na quarta-feira (5), ao menos 17 pessoas morreram e quase 30 ficaram feridas em Kiev e arredores, sem que nenhum dos 24 mísseis balísticos e quatro hipersônicos lançados fosse abatido, segundo a Força Aérea ucraniana citada pelo Kyiv Independent. Brovary também foi cenário, dias antes, de um ataque que matou oito pessoas em uma plataforma de trem.
No fim de julho, Volodimir Zelensky esteve em Washington para pedir novas baterias Patriot, os únicos sistemas capazes de interceptar os mísseis russos mais avançados. Segundo o Financial Times, citado pela AFP, Donald Trump recusou o pedido alegando escassez desses interceptadores nos estoques americanos desde o início da guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro.
O ataque coincidiu com a primeira visita oficial de Zelensky à Sérvia, tradicional aliada de Moscou na Europa. O presidente ucraniano chegou a Belgrado na noite de sexta-feira e se reúne neste sábado com Aleksandar Vučić para tratar de economia e de "questões de segurança". Ao iniciar a viagem, Zelensky afirmou que "a Ucrânia está sempre pronta a trabalhar de forma construtiva", segundo o Kyiv Independent.
Na sexta-feira, o Senado dos Estados Unidos aprovou, por 86 votos a 11, um projeto de novas sanções contra a Rússia voltado sobretudo a compradores de energia russa. O texto segue agora para a Câmara dos Representantes. Na mesma madrugada do ataque a Kiev, canais de monitoramento relataram bombardeios ucranianos contra refinarias de petróleo na região de Samara e no território de Krasnodar, na Rússia.
A agência russa Pravda publicou neste sábado que as Forças Armadas do país "continuam a lançar ataques contra infraestrutura militar" em Kiev. Moscou sustenta desde o início da invasão, em 2022, que atinge apenas alvos militares — versão contestada pelas autoridades ucranianas, que atribuem à Rússia mortes de civis em áreas residenciais.
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