Uma ofensiva noturna da Rússia que combinou mísseis balísticos, antinavio e antirradar com mais de 200 drones Shahed atingiu várias regiões da Ucrânia entre a noite de sábado (8) e a madrugada deste domingo (9). O porto e a rede elétrica de Odessa foram danificados e, em Kharkiv, um prédio residencial foi parcialmente destruído, com duas mortes. Ao menos 40 pessoas ficaram feridas no país, segundo o presidente Volodymyr Zelensky.
A Força Aérea ucraniana informou pelo Telegram, em publicação citada pela Al Jazeera, que mísseis e drones atingiram 22 locais, e que destroços de mísseis abatidos caíram em outros seis pontos.
Porto e energia em Odessa
Em Odessa, no sul do país, o alerta da Força Aérea foi emitido por volta das 3h30 no horário local, momentos antes das primeiras explosões, e novas ondas de mísseis foram registradas ao longo da madrugada, apurou o Kyiv Independent. Serhii Lysak, chefe da Administração Militar da cidade, disse que prédios de vários bairros foram danificados e que houve incêndios em carros.
Zelensky afirmou que os ataques miraram o setor de energia da cidade e que equipes trabalhavam para restabelecer o fornecimento. Segundo ele, oito pessoas ficaram feridas — o Kyiv Independent, em boletim publicado ainda de madrugada e classificado como "em desenvolvimento", falava em pelo menos seis.
A agência estatal russa TASS relatou ataques a depósitos de combustível, lubrificantes e equipamento militar dentro do porto de Odessa, conforme registrou a Al Jazeera.
"É assim, em particular, que a Rússia trava sistematicamente uma guerra contra a segurança alimentar global", disse Zelensky, em referência ao papel do porto na exportação de grãos. Só nas três primeiras semanas de julho, ataques ao porto mataram 28 pessoas, segundo o governador Oleh Kiper.
Prédio atingido em Kharkiv
Em Kharkiv, no nordeste, um drone atingiu um edifício alto do distrito de Saltivskyi. Morreram dois homens, de 50 e 66 anos, informou o governador regional Oleh Syniehubov no Telegram. O número de feridos varia conforme a fonte: a Al Jazeera cita ao menos 21; a agência Lusa, com base em declarações do mesmo governador, fala em 23. Zelensky afirmou que o ataque "destruiu quatro andares" do prédio.
Houve ainda registros de ataques nas regiões de Jitomir, Mykolaiv, Kiev, Kherson, Sumy, Dnipro, Zaporíjia e Donetsk. Em Pavlograd, na região de Dnipropetrovsk, uma ofensiva contra infraestrutura de energia perto de um centro comercial feriu nove pessoas, quatro delas crianças — Zelensky classificou a ação como "absolutamente brutal". Na região de Kherson, a artilharia russa matou uma mulher de 61 anos no distrito de Berislav, segundo a promotoria regional citada pela Al Jazeera.
"Terror balístico" e pedido de sanções
Zelensky acusou Moscou de recorrer ao "terror balístico" e disse que 61 mísseis de tipos diferentes foram lançados contra o país nesta semana. "São necessárias mais pressão, mais sanções contra a Rússia e mais defesa antiaérea para a Ucrânia", declarou, em texto reproduzido pela Lusa.
O outro lado
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter abatido 153 drones ucranianos sobre 17 regiões do país, a península da Crimeia e os mares Negro e de Azov. Em Belgorod, cidade próxima à fronteira, um ataque de drones ucranianos matou três pessoas e feriu 25, entre elas crianças de 4 e 9 anos, segundo o governador interino Alexander Shuvayev. A Rússia também atingiu duas refinarias na região de Sumy, informou a Reuters.
No sábado (8), Zelensky havia dito estar "satisfeito" com os resultados de uma campanha de 40 dias contra a logística russa e sugerido que novas ações do tipo estão previstas. A guerra, iniciada há quatro anos e meio, segue sem perspectiva de acordo de paz, e a ONU aponta aumento no número de mortes de civis neste ano.