Apple e Amazon divulgaram na tarde desta quinta-feira (30) os resultados do trimestre encerrado em junho, fechando a temporada de balanços das gigantes de tecnologia americanas. As duas superaram as estimativas de Wall Street, mas tiveram reações opostas no mercado após o fechamento do pregão: os papéis da Apple caíram mais de 4%, enquanto os da Amazon subiram cerca de 8%.
Apple: melhor trimestre de junho da história
A Apple faturou US$ 109,4 bilhões no seu terceiro trimestre fiscal de 2026, encerrado em 27 de junho — alta de 16% sobre o mesmo período do ano passado. O lucro líquido somou US$ 29,8 bilhões (+27%) e o lucro por ação diluída ficou em US$ 2,02 (+29%), acima da projeção de US$ 1,89 do consenso de mercado, segundo levantamento citado pela TradingKey. A receita também superou a expectativa, de US$ 108,65 bilhões.
Os números por linha de produto, conforme divulgados pela empresa e detalhados pelo MacMagazine: iPhone, US$ 54,3 bilhões (+22%); Mac, US$ 10,4 bilhões (+29%); Serviços, US$ 30,7 bilhões (+12%); Vestíveis, Casa e Acessórios, US$ 7,9 bilhões (+6%). O iPad foi a única categoria em queda, com US$ 6,2 bilhões (-6%).
Na China, mercado que vinha preocupando investidores, a receita cresceu cerca de 22%, para US$ 18,8 bilhões — em linha com o que o mercado projetava.
"Hoje, a Apple tem orgulho de anunciar o nosso melhor trimestre de junho de sempre, com um crescimento de receitas de dois dígitos no iPhone, Mac e Serviços", disse o presidente-executivo Tim Cook, em comunicado. Esta deve ser sua última divulgação de resultados à frente da empresa: a Apple já anunciou que John Ternus assume o cargo em 1º de setembro.
A margem bruta ficou em 50,1%, acima dos 48% esperados, mas o resultado embute um efeito não recorrente: a companhia informou que reembolsos tarifários adicionaram cerca de 2 pontos percentuais à margem e cerca de US$ 0,11 ao lucro por ação. As despesas com pesquisa e desenvolvimento subiram 32%, para US$ 11,7 bilhões. O conselho aprovou dividendo de US$ 0,27 por ação, a ser pago em 13 de agosto.
Mesmo com os números acima do esperado, a ação recuava mais de 4% no after-market, a US$ 319,09, segundo a TradingKey.
Amazon: nuvem cresce no ritmo mais rápido em 18 trimestres
A Amazon somou US$ 200,6 bilhões em vendas líquidas no segundo trimestre, alta de 20% e acima da projeção de US$ 196,4 bilhões compilada pela LSEG, conforme apurou a Reuters.
O destaque foi a AWS, braço de computação em nuvem: a receita saltou 37%, para US$ 42,2 bilhões, superando com folga a estimativa de consenso de crescimento de 31,21%. É o ritmo mais rápido em 18 trimestres, de acordo com a TradingKey. O lucro operacional da divisão passou de US$ 10,2 bilhões para US$ 16,6 bilhões em um ano. A receita de publicidade avançou 26%, para US$ 19,8 bilhões.
O lucro líquido chamou atenção pelo tamanho: US$ 62,6 bilhões, ou US$ 5,75 por ação — mais de três vezes os US$ 18,2 bilhões de um ano antes. O número, porém, inclui cerca de US$ 53,4 bilhões em ganho não operacional antes de impostos ligado à participação da companhia na Anthropic, desenvolvedora do modelo de IA Claude. Já o lucro operacional, que reflete melhor a operação, foi de US$ 27,5 bilhões, alta de 43%.
O CEO Andy Jassy afirmou que os negócios de inteligência artificial e de chips próprios da AWS ultrapassaram, cada um, US$ 25 bilhões em receita anualizada. Para o terceiro trimestre, a empresa projeta receita entre US$ 197 bilhões e US$ 202 bilhões.
O que os números dizem sobre a corrida da IA
Os resultados reforçam a leitura dos balanços divulgados nesta semana por Microsoft e Alphabet, que também superaram as estimativas para receita de nuvem. Segundo a Reuters, os investimentos das grandes empresas de tecnologia em infraestrutura de IA devem ultrapassar US$ 700 bilhões neste ano — gasto que vinha pressionando o caixa das companhias e alimentando dúvidas sobre excesso de capacidade.
Este texto tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.