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BC reduz previsão do PIB de 2026 para 1,8%

Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta (24) aponta desaceleração da economia brasileira e mantém projeção de inflação acima do teto da meta.

Redação Apuramos

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Alexander Grey/Unsplash — imagem ilustrativa
Alexander Grey/Unsplash — imagem ilustrativa

O Banco Central reduziu, nesta quinta-feira (24), a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2026. A nova estimativa caiu de 2,0% para 1,8%, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado pela autarquia e citado pela CartaCapital e pelo Metrópoles.

Para 2027, o Banco Central projeta uma desaceleração ainda maior, com crescimento de 1,4%. Os números reforçam uma trajetória de perda de força da economia brasileira ao longo do ano.

De acordo com o RPM, o PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, depois de uma expansão de 1,1% no primeiro trimestre. Os primeiros indicadores do terceiro trimestre, segundo o relatório, sugerem que essa desaceleração deve continuar.

Na frente da inflação, o Banco Central manteve a projeção do IPCA para o fim de 2026 em 5,2%, patamar acima do teto da meta oficial, fixada em 4,5%. O índice acumulado em 12 meses até agosto estava em 4,22%, de acordo com o levantamento.

O relatório destaca que a inflação de serviços segue elevada em um cenário de mercado de trabalho aquecido, mesmo com a desaceleração observada nos últimos meses. A autarquia também apontou que a geração de empregos formais no país ocorre em ritmo mais lento do que em períodos anteriores.

A divulgação do RPM ocorre poucos dias depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a taxa Selic para 13,75% ao ano, na reunião realizada em 15 e 16 de setembro. A decisão, informada pela Agência Brasil, representou um corte de 0,25 ponto percentual em relação ao patamar anterior, de 14% ao ano — o menor nível da taxa básica de juros registrado em 2026.

O Banco Central também citou incertezas no ambiente externo como fator de risco para a economia brasileira, mencionando conflitos geopolíticos em curso e os rumos da política monetária em economias avançadas, como Estados Unidos e países da zona do euro.

Analistas de mercado consultados pelo Boletim Focus já vinham reduzindo suas próprias estimativas para o PIB brasileiro nas semanas anteriores à divulgação do RPM, em movimento na mesma direção do novo relatório oficial do Banco Central.

A revisão para baixo do crescimento econômico chega em um momento de atenção redobrada aos indicadores brasileiros, com o mercado financeiro monitorando de perto os efeitos da política de juros sobre a atividade e o consumo das famílias nos próximos meses.

A nova projeção do Banco Central também ficou abaixo de outras estimativas oficiais e internacionais para o PIB brasileiro em 2026. O Ministério da Fazenda projeta crescimento de 2,0% (após revisão de uma estimativa anterior de 2,3%), enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) calculava, em julho, uma expansão de 2,4% para a economia do país. Em 2025, o PIB brasileiro havia crescido 2,3%, segundo dado já consolidado citado pelo Metrópoles.

A diferença entre as projeções ilustra a divergência de leitura sobre o ritmo da atividade econômica neste momento do ciclo de juros. Enquanto o governo federal mantém uma visão mais otimista, o Banco Central — responsável direto pela condução da política monetária — sinaliza maior cautela em relação ao impacto da Selic elevada sobre o crescimento nos próximos trimestres.

Fontes consultadas nesta apuração

  • banco central
  • pib
  • economia
  • selic
  • inflação

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