Bolsa Família hoje (17/09): benefício sobe para R$ 691
Lula assina decreto de reajuste de 15% a 17 dias da eleição; mercado reage com cautela às contas públicas.
Redação Apuramos
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Lula assina decreto de reajuste de 15% a 17 dias da eleição; mercado reage com cautela às contas públicas.
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O governo Lula anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15% no Bolsa Família. O valor mínimo do benefício passa de R$ 600 para R$ 691, e a média paga por família sobe de R$ 675 para R$ 777. O novo valor começa a ser pago em outubro.
O decreto foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cerimônia no Palácio do Planalto, da qual participaram os ministros da Fazenda, do Planejamento e da Casa Civil. Lula não discursou durante o evento.
Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a medida está "absolutamente dentro das regras" fiscais. "Há espaço fiscal para o presidente conceder esse reajuste, conforme a lei", afirmou, de acordo com o jornal O Tempo. O governo argumenta que o aumento repõe a inflação acumulada desde o último reajuste do programa, feito por Jair Bolsonaro em 2022.
O impacto fiscal é estimado em R$ 5,8 bilhões neste ano, a partir de outubro, e R$ 22 bilhões em 2027, segundo o Ministério do Planejamento. Para acomodar o novo gasto, o governo vai alterar o projeto de Lei Orçamentária de 2027 que já havia sido enviado ao Congresso.
O anúncio ocorre a 17 dias do primeiro turno das eleições de 2026. O calendário de pagamento do valor reajustado coincide com o período em que ocorreria um eventual segundo turno, o que reacendeu comparações com o reajuste que Jair Bolsonaro deu ao então Auxílio Brasil em 2022, às vésperas da disputa daquele ano, aponta o site Seu Dinheiro.
O mercado financeiro reagiu com cautela. Segundo o Seu Dinheiro, o Ibovespa chegou a perder quase 3 mil pontos (-1,24%) logo após o anúncio, puxado por ações de bancos como Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3), enquanto o dólar avançou até R$ 5,17 na máxima do dia. Ao longo do pregão, porém, o índice recuperou o fôlego: segundo o InfoMoney, a bolsa fechou em alta de 0,57%, aos 186.400 pontos, com Vale (+2,42%) e Petrobras entre os destaques positivos, e o dólar terminou estável, perto de R$ 5,15.
Para o analista Bruno Perri, da Forum Investimentos, o episódio reforça as dúvidas do mercado sobre a trajetória fiscal do país. "O governo vai precisar ajustar o orçamento do ano que vem. Isso afeta os mercados de forma significativa, principalmente no que diz respeito à disciplina fiscal", disse o analista, segundo o Seu Dinheiro.
A decisão vem na mesma semana em que o Banco Central cortou a Selic para 13,75% ao ano, o quinto corte seguido em 2026. Em nota, o Copom afirmou que o cenário de incerteza "exige serenidade e cautela" nos próximos passos da política monetária, justamente diante do novo gasto público anunciado pelo governo.
O Bolsa Família atende atualmente famílias em situação de pobreza e extrema pobreza em todo o país, e o valor do benefício é um dos principais indicadores acompanhados por economistas e por analistas políticos às vésperas de eleições.
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