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Brasil rebaixa relação com a Argentina; governo Milei reage

Itamaraty reduziu representação ao nível de encarregados de negócios após insultos de Javier Milei a Lula; chancelaria argentina fala em decisão "puramente ideológica"

Redação Apuramos

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Brasil rebaixa relação com a Argentina; governo Milei reage
Rafaela Biazi/Unsplash — imagem ilustrativa

O governo brasileiro rebaixou na noite desta terça-feira (4) a relação diplomática com a Argentina para o nível de encarregados de negócios, em resposta aos repetidos insultos do presidente argentino, Javier Milei, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A decisão foi confirmada pelo Itamaraty ao Correio Braziliense e comunicada ao embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, que recebeu uma nota de protesto. Na madrugada desta quarta (5), a chancelaria argentina reagiu: disse que "toma nota" da medida e acusou o Brasil de "se isolar do restante da região por questões puramente ideológicas".

Com o rebaixamento, o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli — que já estava em Brasília desde o fim de julho, quando foi chamado para consultas — não retornará ao posto. A embaixada do Brasil na Argentina passará a ser conduzida pelo ministro-conselheiro Eduardo Uziel, na condição de encarregado de negócios.

O que diz a Argentina

Em comunicado oficial divulgado após o anúncio brasileiro, o governo Milei afirmou que não responderá com medida institucional. "Em todos esses casos, sem exceção, a Argentina escolheu não convertê-los em um incidente diplomático. Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional", diz a nota da chancelaria, reproduzida pela Revista Fórum. O texto acrescenta que as relações entre Estados "devem responder aos interesses permanentes de seus povos e não ficar submetidas às necessidades políticas e/ou pessoais dos governantes de turno".

Sobre o futuro do embaixador argentino, as informações divergem: segundo a Revista Fórum, a nota argentina afirma que Raimondi foi solicitado a retornar a Buenos Aires; o Correio Braziliense apurou que o destino do diplomata dependerá de decisão do próprio governo argentino. Fontes do governo brasileiro citadas pela Fórum dizem que Raimondi não será expulso nem declarado persona non grata, mas deixará de ser interlocutor válido para a relação bilateral.

Relembre o caso

O estopim da crise foi o discurso de Milei na convenção nacional do PL, em 26 de julho, em São Paulo, durante o lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Na ocasião, o argentino chamou Lula de "ladrão" e "presidiário" e se referiu a Moraes como "lixo careca", após o ministro vetar uma visita dele a Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. No dia seguinte, o Itamaraty chamou Bitelli para consultas.

Milei voltou a repetir os ataques em entrevistas a canais argentinos nas semanas seguintes — segundo o jornal argentino Clarín, citado pelo Correio Braziliense, foi ao menos a quarta vez que o presidente usou esse tipo de classificação contra Lula. Para fontes diplomáticas brasileiras ouvidas pela imprensa, a reiteração mostrou que não se tratava de excesso retórico isolado.

O que significa o rebaixamento

O rebaixamento ao nível de encarregados de negócios não representa rompimento de relações: as embaixadas seguem funcionando, mas sem embaixadores como interlocutores principais, e o diálogo oficial passa a ocorrer em escalão inferior. A medida é descrita por diplomatas como inédita na história recente da relação entre os dois países, que são sócios no Mercosul e grandes parceiros comerciais. Segundo o Itamaraty, a decisão será mantida enquanto persistirem os ataques do presidente argentino.

A crise ocorre em pleno ano eleitoral no Brasil e dias depois de Milei ter discursado em apoio a Flávio Bolsonaro, adversário de Lula na disputa presidencial de outubro.

Fontes consultadas nesta apuração

  • brasil
  • argentina
  • javier milei
  • lula
  • itamaraty
  • crise diplomática
  • eleições 2026

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