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Brics aprova Declaração de Nova Délhi; Lula fica de fora

Documento de 140 pontos pede reforma da ONU, do FMI e do Banco Mundial e critica tarifas unilaterais. Em campanha pela reeleição, Lula não foi à Índia e o Brasil foi representado pelo chanceler Mauro Vieira.

Redação Apuramos

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shalender kumar/Unsplash — imagem ilustrativa
shalender kumar/Unsplash — imagem ilustrativa

Os países do Brics aprovaram neste sábado (12), em Nova Délhi, a declaração conjunta que encerra o primeiro dia da 18ª Cúpula do bloco. O Brasil foi o único dos cinco fundadores sem o chefe de Estado presente: em campanha pela reeleição, o presidente Lula enviou o chanceler Mauro Vieira em seu lugar.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, anunciou a aprovação na plenária. "Nenhum membro levantou objeção. A Declaração de Nova Délhi 2026 foi adotada por unanimidade", disse, segundo o portal indiano Organiser.

O consenso não estava garantido. De acordo com a Business Today, que cita reportagem do India Today, os negociadores só fecharam o texto horas antes da reunião dos líderes no Bharat Mandapam, depois de discussões que avançaram pela madrugada de sábado. O ponto mais difícil foi a linguagem sobre o Oriente Médio — o bloco ampliado reúne Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, países com posições opostas sobre a crise regional. A saída foi condenar a guerra unilateral sem citar nomes.

Com 140 pontos e elaborado sob o tema "Construindo para Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade", o documento concentra fogo na governança global. Conforme o BP Money, que acompanha a cúpula em Nova Délhi a convite do governo indiano, a declaração pede reforma da ONU — inclusive do Conselho de Segurança —, do FMI e do Banco Mundial. China e Rússia reiteraram apoio a um papel mais relevante de Brasil e Índia no Conselho.

Na economia, o texto critica o protecionismo, as tarifas unilaterais e as sanções aplicadas sem aval do Conselho de Segurança, e defende o fortalecimento da OMC e a retomada de seu sistema de solução de controvérsias. O bloco também incentiva o uso de moedas locais no comércio e nos investimentos e avança em estudos sobre sistemas de pagamento mais rápidos e baratos — mas não anunciou a criação de uma moeda única. O Novo Banco de Desenvolvimento, presidido pela ex-presidente Dilma Rousseff, deve ampliar os financiamentos em moeda local.

Sobre conflitos, o Brics manifestou preocupação com o aumento dos gastos militares, cobrou a manutenção do cessar-fogo e a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza e reafirmou o apoio a um Estado palestino nas fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como capital. Na agenda climática, o grupo reafirmou o Acordo de Paris e reconheceu os resultados da COP30, realizada sob presidência brasileira.

A ausência de Lula tem peso simbólico. Segundo o Poder360, é a primeira vez desde 2019, em Brasília, que os cinco líderes fundadores não se reúnem em uma cúpula do bloco. Estiveram em Nova Délhi Vladimir Putin — que faltou ao encontro de 2025 no Brasil por causa do mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional —, Xi Jinping, Narendra Modi e Cyril Ramaphosa. Para o líder chinês, foi a primeira ida à Índia em sete anos, acompanhado de uma comitiva de 400 pessoas.

No discurso brasileiro, Mauro Vieira defendeu a reforma da arquitetura internacional. "Em meio ao colapso da velha ordem, a voz do Brics deve se elevar em defesa de um multilateralismo renovado e legítimo", afirmou, em declaração reproduzida pela Sputnik Brasil. O chanceler criticou a lentidão do Conselho de Segurança da ONU e disse que a paralisia do órgão contribui para a erosão da arquitetura internacional de paz e segurança.

A cúpula segue neste domingo (13), com uma sessão ampliada que reúne os 11 membros do bloco, dez países parceiros e 16 convidados. A China assume a presidência do Brics em 2027 e sediará a 19ª Cúpula.

Fontes consultadas nesta apuração

  • brics
  • nova délhi
  • lula
  • mauro vieira
  • política externa
  • sul global
  • índia
  • onu

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