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Caso Lulinha: oposição reage e Lula diz que não vai protegê-lo

Após Mendonça autorizar inquérito sobre suposto tráfico de influência na área de cannabis medicinal, adversários foram às redes nesta sexta (31); defesa fala em "pesca probatória"

Redação Apuramos

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Caso Lulinha: oposição reage e Lula diz que não vai protegê-lo
Fabian Lozano/Unsplash — imagem ilustrativa

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de autorizar a abertura de um inquérito da Polícia Federal sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, virou o principal embate político do dia. Ao longo desta sexta-feira (31), pré-candidatos à Presidência e parlamentares da oposição foram às redes sociais cobrar explicações, enquanto a reação entre governistas seguia discreta, segundo levantamento do Poder360.

A autorização foi dada na quinta-feira (30), como informou o blog da jornalista Jussara Soares, na CNN Brasil. Nenhum dos citados foi acusado formalmente até agora: trata-se da abertura de uma investigação, e todos negam irregularidades.

O que a PF quer apurar

Os investigadores querem saber se o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cometeu os crimes de corrupção e tráfico de influência nas tentativas de obter autorização, no Ministério da Saúde, para a comercialização de cannabis medicinal. Segundo a PF, a suspeita é de que a influência indevida tenha sido exercida tanto na pasta quanto no gabinete da Presidência da República.

Uma das linhas de apuração, de acordo com material relatado pela Folhapress e reproduzido pelo ICL Notícias, é a de que Lulinha teria atuado no mercado de canabidiol ao lado da empresária Roberta Luchsinger em favor da empresa World Cannabis, ligada ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", preso desde setembro de 2025. O documento cita pagamentos do lobista à RL Consultoria, empresa de Roberta, e contatos entre os investigados e servidores públicos.

O pedido da PF foi enviado ao Supremo em 24 de julho e distribuído em 29 de julho. O caso passou por Alexandre de Moraes, que estava em regime de plantão na presidência da corte, e pela Procuradoria-Geral da República, que se manifestou pelo sorteio de um novo relator, por entender que os fatos não se ligavam à Operação Sem Desconto. O sorteado foi Mendonça.

O outro lado

A defesa de Lulinha afirmou que não comentaria um inquérito ao qual ainda não teve acesso formal, mas questionou a competência do STF e disse que a nova apuração "demonstraria que falharam em encontrar o que injustificadamente buscavam". Em entrevista à Revista Fórum, o advogado Marco Aurélio Carvalho classificou a medida como uma "pesca probatória" e afirmou que a corporação "precisa usar a independência e a autonomia com responsabilidade".

A defesa de Roberta Luchsinger disse não ter informações sobre o novo inquérito e avaliou que reabrir a investigação "às vésperas do início de um processo eleitoral" só serviria para exploração política. A defesa do "Careca do INSS" afirmou não ter conhecimento do pedido. O Palácio do Planalto não comentou o caso. O Ministério da Saúde declarou que nunca teve contrato com a World Cannabis nem repassou recursos públicos à empresa.

"Vai ter que provar que é inocente", diz Lula

Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda. na noite de quinta-feira (30), Lula tratou do assunto. "Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa, como eu fui tratado. Não haverá nenhum privilégio", afirmou, em trecho reproduzido pela Revista Fórum.

O presidente acrescentou que não usará o cargo para blindar o filho: "Ele vai ter que provar que é inocente, como eu provei. E, se for culpado, vai ter que pagar o que todo mundo paga quando erra."

A reação política

Na oposição, o pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD) escreveu que o país vive "uma monarquia disfarçada de república, onde o rei protege o príncipe" — e disse que a frase também poderia ser lida como referência a "outro pai que protege outro filho". Romeu Zema (Novo) publicou que, "se tem corrupção, esquece! É com o PT!". Também se manifestaram os senadores Rogério Marinho (PL-RN), Carlos Viana (PSD-MG) e Sergio Moro (PL-PR), além do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL).

Do lado governista, o perfil do PT Brasil compartilhou trecho da entrevista de Lula. O deputado Bohn Gass (PT-RS) disse ser favorável à investigação e cobrou o mesmo tratamento a Flávio Bolsonaro (PL): "Há suspeita? Investigue-se. Não importa quem."

Relembre o caso

O primeiro inquérito da Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em aposentadorias do INSS, foi concluído em 15 de julho com o indiciamento de 48 pessoas — e Lulinha não constou da lista. A quebra de sigilo bancária dele apontou movimentação de R$ 19,5 milhões entre janeiro de 2022 e janeiro de 2025, sem que a PF encontrasse, à época, provas de repasses ilegais.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Lulinha
  • Fábio Luís Lula da Silva
  • André Mendonça
  • Polícia Federal
  • STF
  • eleições 2026
  • cannabis medicinal
  • Lula

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