Ceuta: mortos sobem para 72 e Espanha ativa barreira no mar
Delegado do governo confirma novo balanço; polícia calcula 73.500 saídas para Marrocos e ministros do Interior da UE se reúnem na terça
Redação Apuramos
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Delegado do governo confirma novo balanço; polícia calcula 73.500 saídas para Marrocos e ministros do Interior da UE se reúnem na terça
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O delegado do governo espanhol em Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano, elevou neste domingo (2) para 72 o número de pessoas mortas ao tentar alcançar a nado o enclave espanhol no norte da África. O anúncio, feito em entrevista coletiva e divulgado pela emissora pública portuguesa RTP, veio no mesmo dia em que o Ministério do Interior da Espanha confirmou que a barreira flutuante instalada no espigão fronteiriço do Tarajal já está plenamente operacional.
A entrada em massa começou na quinta-feira (30). Segundo a RTP, o governo espanhol e o executivo da cidade autônoma estimam que entre 50 mil e 60 mil pessoas cruzaram irregularmente a fronteira entre quinta e sexta. Ceuta tem pouco mais de 83 mil habitantes.
O balanço de mortos variou ao longo do próprio domingo. Por volta das 10h locais, fontes policiais citadas pela agência EFE falavam em 71 mortes, enquanto o jornal El Español registrava "ao menos 67" no início da manhã. Ainda segundo o diário Público, a Guarda Civil e o Salvamento Marítimo localizaram até agora os corpos de 67 pessoas, e há registro de apenas uma mulher entre elas. Pouco depois, o delegado do governo confirmou os 72.
As mesmas fontes policiais calculam que cerca de 73.500 pessoas deixaram Ceuta em direção a Marrocos desde quinta-feira — número que, segundo elas, pode incluir quem já estava na cidade antes da entrada massiva e quem entrou e saiu mais de uma vez. O governo espanhol falou em 69.500 devoluções em 48 horas, de acordo com o El Español. Pérez Triano evitou cravar um total: "Divulgaremos quando tivermos os dados", disse, conforme a RTP. As autoridades informaram ainda que mais de mil pessoas receberam atendimento médico; uma delas está gravemente ferida e aguarda transferência para a península.
Com o aumento do número de mortos, cresceram também os pedidos de informação de famílias marroquinas que procuram parentes desaparecidos, apurou o Público. A polícia recomendou que as denúncias sejam formalizadas para permitir o cruzamento de dados com os corpos encontrados.
A estrutura montada no sábado no entorno do espigão do Tarajal é uma barreira pneumática de meio quilômetro, com altura de 30 a 70 centímetros acima da água e até um metro de profundidade, combinada com uma linha de boias fornecida pela Armada, informou o Ministério do Interior ao Público. A Guarda Civil ficou encarregada da proteção permanente do dispositivo.
O delegado do governo afirmou que cerca de 3 mil efetivos, entre forças de segurança e militares, seguem na cidade e permanecerão "o tempo que for necessário". A fronteira do Tarajal amanheceu tranquila neste domingo, com um grupo de cerca de dez pessoas tentando entrar a nado e sendo contido por militares, segundo a EFE. Em Melilla, o trânsito na fronteira terrestre foi reduzido durante a noite após uma tentativa de entrada irregular.
No Vaticano, o papa Leão XIV citou a crise ao fim do Angelus deste domingo. "Acompanho com preocupação a alarmante situação em Ceuta, pedindo a Deus, por intercessão de Nossa Senhora da África, que se encontrem soluções de paz, estabilidade e justiça", disse, em espanhol, segundo o Vatican News.
Os ministros do Interior da União Europeia se reúnem na terça-feira por videoconferência para tratar do caso, encontro pedido pelo presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, e por líderes de outros 22 Estados-membros. Sánchez enviou carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na qual manifesta "séria preocupação" com a reação de alguns governos europeus — parte deles, segundo o Público, chegou a pedir a exclusão temporária da Espanha do Espaço Schengen.
O rei Felipe VI acompanha os acontecimentos com "preocupação e indignação" e cobrou que o Estado garanta a segurança de Ceuta e Melilla, informou a Casa Real no sábado.
A oposição endureceu o tom neste domingo. Em Ceuta, o presidente do Vox, Santiago Abascal, pediu a "militarização" da fronteira, classificou o episódio como uma "invasão" e afirmou que Sánchez "deveria estar na prisão"; segundo ele, ainda restam cerca de 10 mil migrantes na cidade. O secretário-geral do PP, Miguel Tellado, disse à esRadio que o governo deveria mobilizar todas as forças de segurança "para que não fique nenhum" e defendeu que não se trata de uma crise migratória, mas de "política externa" e de segurança.
Do lado do governo, o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, acusou alguns países da UE de usar a crise com fins partidários. O Executivo espanhol anunciou na sexta-feira um acordo com Marrocos para a repatriação rápida de quem entrou de forma irregular.
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