A China anunciou nesta quarta-feira (5) um pacote de contramedidas comerciais contra os Estados Unidos que inclui o endurecimento dos controles sobre a exportação de drones e a proibição de negócios com seis entidades americanas. O anúncio partiu do Ministério do Comércio chinês e foi divulgado ao longo do dia pelas agências AP e AFP e pelo serviço Dow Jones Newswires.
O que a China anunciou
Segundo o Ministério do Comércio, as vendas de drones, de seus principais componentes e de tecnologias relacionadas aos Estados Unidos passarão a ser submetidas a uma análise rigorosa, caso a caso, com o objetivo declarado de "salvaguardar a segurança e os interesses nacionais". A AP informou que a exigência recai sobre veículos aéreos não tripulados que constam de uma lista de itens de uso dual — produtos que podem ter aplicação civil e militar.
Pequim também proibiu seis entidades americanas de "realizar transações, cooperar ou se envolver em qualquer outra atividade" com entidades chinesas. Entre elas está a empresa de biotecnologia Applied DNA Sciences. A AFP cita ainda a empresa de pesquisa em geociências Stratum Reservoir; a AP menciona a organização não governamental Human Rights in China. Segundo o ministério, a medida responde ao apoio dessas entidades a sanções americanas relacionadas a Xinjiang.
A AP relatou outras três frentes anunciadas no mesmo dia: a proibição de que a empresa Compliance Testing LLC opere na China, por ter trabalhado com a FCC de forma considerada lesiva à soberania e à segurança chinesas; uma investigação de segurança nacional sobre software de impressão e equipamentos de escritório importados, sem nomear empresas afetadas; e uma decisão da Administração Estatal para Regulação de Mercado que impede empresas sediadas nos EUA de realizar inspeções de acompanhamento em fábricas para a certificação CCC em nome de entidades chinesas. Pela nova regra, fabricantes americanos de eletrônicos certificados terão de contratar auditores fora dos Estados Unidos.
Por que Pequim reagiu
O Ministério do Comércio afirmou que as medidas são resposta a decisões recentes de Washington. Entre elas, a proibição imposta pela Comissão Federal de Comunicações (FCC) à importação de novos drones chineses — restrição que, segundo a AP, foi depois revisada para liberar alguns modelos — e a inclusão de empresas chinesas na lista da lei de prevenção ao trabalho forçado uigur, administrada pelo Departamento de Segurança Interna (DHS).
Há divergência entre as fontes sobre o tamanho dessa lista: a AP fala em 43 empresas chinesas incluídas; a AFP registra "cerca de 40 entidades". As duas agências convergem ao apontar que, no fim de julho, os EUA também proibiram a importação de robôs humanoides e inversores de energia fabricados no exterior, em decisão vista como direcionada à China.
O que diz o governo chinês
Em nota, um porta-voz do Ministério do Comércio afirmou que as medidas americanas "prejudicam seriamente os direitos e interesses legítimos da China". "Portanto, a China não tem outra escolha senão tomar as contramedidas necessárias em resposta", declarou, conforme a AFP.
A AP acrescenta que o ministério disse estar agindo com moderação, pediu que os Estados Unidos revoguem as restrições e advertiu que novas sanções podem vir caso Washington adote medidas adicionais. A AFP informou ainda que o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, manifestou "profunda preocupação" ao secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, na semana passada.
O outro lado e o que esperar
Até a publicação desta matéria, os relatos das agências não traziam manifestação do governo dos Estados Unidos, da FCC ou do DHS sobre as contramedidas chinesas.
As versões sobre o calendário diplomático também diferem: a AP afirma que Trump e Xi Jinping se reuniram em Pequim em maio de 2026 e que uma visita de Xi aos EUA é esperada para setembro; a AFP registra que os dois países chegaram a uma trégua comercial em outubro, quando Trump recebeu o líder chinês.