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China abre fábrica que faz 1 robô humanoide a cada 10 min

UBTECH inaugurou em Liuzhou uma planta capaz de produzir mais de 10 mil robôs humanoides por ano; vendas da fabricante saltaram 20 vezes no primeiro semestre de 2026.

Redação Apuramos

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Google DeepMind/Unsplash — imagem ilustrativa
Google DeepMind/Unsplash — imagem ilustrativa

A fabricante chinesa de robótica UBTECH inaugurou nesta semana, na cidade de Liuzhou, no sul da China, uma fábrica capaz de produzir mais de 10 mil robôs humanoides por ano — o equivalente a uma unidade nova saindo da linha de montagem a cada 10 minutos. Segundo a agência de notícias estatal Xinhua, a planta começou a operar em 12 de setembro e é descrita pela empresa como a primeira fábrica do mundo voltada à produção em massa desse tipo de robô.

A unidade ocupa cerca de 14 mil metros quadrados e tem 13,8 metros de altura. De acordo com reportagens internacionais que visitaram o local, como a do site Digitimes e a do Colombia One, cada robô passa por mais de quatro horas de testes completos antes de deixar a fábrica, incluindo um túnel de inspeção visual de 360 graus. Um armazém automatizado, com capacidade para 112 robôs simultâneos, e veículos guiados automaticamente cuidam da logística interna — na prática, robôs e sistemas automatizados constroem outros robôs.

Os modelos fabricados na planta são o Walker S, voltado a aplicações industriais como manufatura, logística e inspeção, e o Cruzr, usado em funções de atendimento e interação com o público. A UBTECH afirma que 95% dos componentes usados na produção são nacionais, uma resposta direta às restrições dos Estados Unidos a exportações de tecnologia sensível para a China.

"Sem a cadeia de suprimentos chinesa, produzir em massa componentes complexos seria extremamente difícil", disse o vice-presidente da UBTECH, Pang Jianxin, em declaração reproduzida pelo portal brasileiro ND+.

O salto na produção acompanha um crescimento acelerado nas vendas da empresa. No primeiro semestre de 2025, a UBTECH vendeu 45 robôs humanoides completos. No mesmo período de 2026, o número saltou para 921 unidades — um aumento de cerca de 20 vezes —, gerando receita de 590,3 milhões de yuans só com a linha de robôs de "inteligência incorporada". A companhia é negociada na Bolsa de Hong Kong e concorre com outras chinesas do setor, como Unitree e AgiBot, que também vêm ampliando capacidade de fabricação.

O movimento reflete uma aposta do governo chinês em transformar o país em polo global de robótica humanoide, com projeções internas que apontam salto de cerca de 20 mil unidades produzidas no país em 2025 para mais de 100 mil em 2026.

Nem todo mundo, porém, vê o momento como sinal de mercado consolidado. Em análise publicada em 15 de setembro, o Digitimes ponderou que capacidade industrial não garante volume real de produção: o resultado final depende de encomendas efetivas, disponibilidade de componentes e demanda comprovada. Segundo a publicação, "o próximo teste não é mais se os robôs podem ser construídos em escala, mas se conseguirão funcionar de forma confiável e barata o suficiente para tornar essa escala economicamente viável".

Ainda assim, a fábrica de Liuzhou se soma a outras iniciativas recentes na China — incluindo unidades da própria UBTECH e de concorrentes — no que analistas já chamam de corrida chinesa pela liderança na produção industrial de robôs humanoides, disputada também por empresas ocidentais como a Tesla, com seu projeto Optimus, e a Boston Dynamics, nos Estados Unidos.

Fontes consultadas nesta apuração

  • robótica
  • china
  • ubtech
  • robôs humanoides
  • indústria 4.0

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