Copom: ata revela por que Selic caiu a 13,75%
Documento divulgado nesta terça (22) detalha os motivos do quinto corte seguido dos juros e cita "aumento de incerteza" na economia.
Redação Apuramos
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Documento divulgado nesta terça (22) detalha os motivos do quinto corte seguido dos juros e cita "aumento de incerteza" na economia.
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O Banco Central divulgou nesta terça-feira (22) a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada em 15 e 16 de setembro, quando a Selic foi reduzida de 14% para 13,75% ao ano — quinto corte consecutivo da taxa básica de juros em 2026. A decisão em si já havia sido anunciada na semana passada; a ata, divulgada seis dias depois, detalha agora os motivos por trás do movimento.
Segundo a Exame, o documento reforça que, apesar da sequência de cortes, "a política monetária permanece em terreno restritivo". O Copom afirmou que a magnitude do que chamou de "ciclo de calibração" dos juros continuará sendo ajustada conforme evoluírem os dados de inflação, atividade econômica e expectativas do mercado — sem indicar, porém, uma trajetória definida para a reunião de 4 de novembro, a próxima do colegiado.
Um dos pontos centrais da ata é o alerta sobre o ambiente de maior imprevisibilidade. De acordo com a Exame, o Copom identificou "significativo aumento da incerteza" no cenário atual, citando a desancoragem das expectativas de inflação e riscos mais elevados ao cenário considerado base pelo Banco Central.
As projeções oficiais do próprio Copom indicam inflação de 5,2% para 2026, recuando a 3,9% em 2027 e a 3,2% no primeiro trimestre de 2028. Já as expectativas coletadas pelo boletim Focus seguem acima da meta: 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027. A ata destaca que, nesse contexto de expectativas desancoradas, "a política monetária precisa permanecer mais restritiva e por mais tempo".
Do lado da atividade econômica, o comitê apontou "moderação da atividade, principalmente nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico" — leitura confirmada pelo resultado do PIB do segundo trimestre de 2026. Entre os riscos citados estão dúvidas sobre a trajetória de estabilização da dívida pública e a indefinição sobre os conflitos no Oriente Médio.
Já o Seu Dinheiro lembra que o corte de 0,25 ponto percentual foi amplamente antecipado pelo mercado: uma pesquisa apontou que 97% dos agentes financeiros já esperavam o movimento. Segundo o levantamento citado pelo veículo, a atividade econômica desacelerou e a inflação corrente arrefeceu, além de uma queda no ritmo de criação de empregos — fatores que sustentaram a decisão do comitê.
As opiniões sobre os próximos passos do Banco Central seguem divididas. Uma pesquisa da BTG Pactual, mencionada pelo Seu Dinheiro, mostrou que 74% dos participantes do mercado esperam pelo menos mais um corte de 0,25 ponto percentual até dezembro, enquanto 23% projetam uma pausa no ciclo. O gestor Ricardo Trevisan, da Gravus Capital, defende cautela, citando a inflação ainda acima da meta e o cenário de juros em alta nos Estados Unidos.
Com a Selic em 13,75% ao ano, o Brasil segue com uma das maiores taxas de juros reais do mundo, mesmo após cinco reduções seguidas neste ano. O próximo encontro do Copom está marcado para 4 de novembro, quando o mercado espera mais sinais sobre o rumo dos juros até o fim de 2026.
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