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Vale compra 30% da Ligga por US$ 190 milhões

Negócio garante à mineradora toda a produção de minério de ferro da Ligga no Pará e marca o fim de um projeto que já teve a Cosan como sócia.

Redação Apuramos

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Alexander Grey/Unsplash — imagem ilustrativa
Alexander Grey/Unsplash — imagem ilustrativa

A Vale confirmou nesta terça-feira (22) a compra de 30% de participação na mineradora Ligga por cerca de US$ 190 milhões (R$ 972,36 milhões), segundo comunicado da companhia à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) citado pela Exame. A operação inclui também um contrato de longo prazo para a compra exclusiva de 100% da produção de minério de ferro da Ligga.

A Ligga opera o Projeto Ferro Sul, entre os municípios de Parauapebas e Curionópolis, na região de Carajás, no Pará. Atualmente a mina produz 2 milhões de toneladas de minério por ano, segundo o Seu Dinheiro. O plano de expansão prevê quadruplicar essa capacidade, chegando a 8 milhões de toneladas anuais, com operação prevista para junho de 2028.

A expansão contempla a construção de uma nova planta de beneficiamento, obras de infraestrutura e uma solução ferroviária que deve eliminar o transporte por caminhões até a linha principal, de acordo com o BrasilMineral. O minério produzido pela Ligga é do tipo sinter feed e será escoado pela Estrada de Ferro Carajás até o Porto de Ponta da Madeira, em São Luís (MA) — a mesma estrutura logística já usada pela Vale.

Em nota, o presidente da Ligga, Gerson Petterle, disse que "essa operação é um passo natural na relação que construímos com a Vale e reforça nosso compromisso com a expansão sustentável do Projeto Ferro Sul", segundo divulgado pelo BrasilMineral.

A conclusão do negócio ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o órgão antitruste brasileiro, de acordo com a Exame.

A Ligga nasceu em 2011 como Rio Minas Mineração, fundada pelo grupo Santa Elina para consolidar direitos minerários de ferro que pertenciam à família Brito, no Pará. Em 2021, a Santa Elina se associou à Cosan em um projeto de mineração e logística integradas, que incluía a compra do terminal Porto São Luís por R$ 720 milhões e a meta de alcançar 10 milhões de toneladas anuais, segundo a Exame.

O plano perdeu força quando a Cosan comprou 4,9% de participação na própria Vale, em outubro de 2022 — movimento que tornava a operação concorrente estrategicamente contraditória. A Cosan zerou sua posição na Vale em janeiro de 2025, com a venda de um bloco de ações de R$ 9 bilhões, a maior operação do tipo já registrada no Brasil. A parceria entre Santa Elina e Cosan foi oficialmente desfeita em 2026.

Agora é a própria Vale que assume a fatia da Ligga. Para a mineradora, que produziu 336 milhões de toneladas de minério de ferro e 31 milhões de toneladas de pelotas em 2025, o acordo garante acesso a volume adicional de minério de boa qualidade sem os anos de licenciamento e o pesado investimento de capital exigidos por um projeto do zero, segundo o comunicado da empresa citado pela Exame.

O negócio com a Ligga foi anunciado no mesmo dia em que o Ibovespa fechou em alta de 0,74%, aos 186.595,60 pontos, em sessão marcada por otimismo global com tecnologia e queda no preço do petróleo.

Fontes consultadas nesta apuração

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