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Crise em Ceuta: mortes sobem para 57 e Espanha manda Exército

Cerca de 60 mil pessoas cruzaram do Marrocos em 24 horas; Sánchez visita o enclave, fala em violação da soberania e Itália ameaça suspender Schengen com a Espanha

Redação Apuramos

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Crise em Ceuta: mortes sobem para 57 e Espanha manda Exército
Greg Bulla/Unsplash — imagem ilustrativa

O número de mortos na travessia em massa de migrantes do Marrocos para Ceuta, enclave espanhol no norte da África, subiu para pelo menos 57 nesta sexta-feira (31). A alta no balanço foi confirmada pelo governo espanhol no fim do dia, segundo a Al Jazeera — horas depois de o presidente regional do enclave, Juan Jesús Vivas, ter falado a jornalistas em 34 mortes, sem detalhar as causas.

Os primeiros números eram bem menores: pela manhã, fontes policiais citadas pela RFI falavam em 18 afogados desde quinta-feira (30), enquanto o jornal El País já registrava 19. O balanço subiu ao longo do dia à medida que corpos foram recuperados.

Segundo Vivas, cerca de 60 mil pessoas entraram em Ceuta por terra e por mar em cerca de 24 horas. O enclave tem aproximadamente 19 quilômetros quadrados e 83 mil habitantes — ou seja, o fluxo equivale a mais de dois terços da população local.

Como as pessoas morreram

Parte das vítimas morreu afogada ao tentar nadar em torno do quebra-mar que avança sobre o mar na fronteira, e outras morreram em um tumulto na área da praia de Tarajal, próxima a um posto de controle, informaram as autoridades à Al Jazeera. O trajeto a nado a partir da cidade marroquina de Fnideq tem cerca de 5 quilômetros, em um trecho do Mediterrâneo marcado por correntes fortes.

Rachid Sbihi, que dirige uma associação de trabalhadores ligada a agentes da Guarda Civil em Ceuta, descreveu a situação como uma "grave crise humanitária", com milhares de migrantes — incluindo crianças desacompanhadas — dormindo nas calçadas.

O que diz Sánchez

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, viajou ao enclave nesta sexta-feira e se reuniu com autoridades locais e de segurança. Ele classificou as entradas como uma violação da soberania territorial da Espanha e disse que o governo mobiliza todos os recursos disponíveis. Segundo a Al Jazeera, afirmou que defenderá Ceuta "como se fosse Madri" e, questionado sobre quando os migrantes seriam devolvidos, respondeu: "Assim que for possível".

Sánchez atribuiu o fluxo a máfias de tráfico de pessoas, que teriam feito uma "interpretação interessada" de uma decisão recente do Supremo Tribunal espanhol. Essa leitura, disse, se espalhou "como fogo nas últimas horas". O Ministério do Interior informou que cerca de 25 mil pessoas já haviam sido devolvidas ao Marrocos até o fim da sexta.

A decisão judicial em questão, do início de julho, proíbe a devolução imediata, sem o devido processo, de migrantes interceptados no mar. Ela não se aplica a quem entra por terra, inclusive escalando a cerca.

O outro lado

Ativistas de direitos dos migrantes no Marrocos contestam a explicação oficial: para eles, a maioria das pessoas que tentaram a travessia dificilmente teria conhecimento de uma decisão judicial espanhola. Autoridades marroquinas mobilizaram canhões de água e reforçaram a segurança nos pontos de passagem. Rabat e Madri afirmaram ter acertado o reforço da coordenação e das repatriações.

Pressão política na Espanha e na Europa

Vivas, do PP, pediu que o governo central decrete estado de emergência — pedido rejeitado pelo Ministério do Interior, sob o argumento de que a medida não cobre crises migratórias. O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, falou em "crise de segurança nacional"; Santiago Abascal, do Vox, chamou as entradas de "invasão".

Fora da Espanha, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, ameaçou adotar "medidas extraordinárias", incluindo a suspensão do Espaço Schengen com a Espanha; o chanceler Antonio Tajani foi além e defendeu "fechar Schengen para a Espanha". Madri classificou a proposta de demagógica e convocou o embaixador italiano.

O ex-chefe da diplomacia europeia Josep Borrell rebateu: "Sob a legislação da UE, nenhum Estado-membro pode suspender unilateralmente a participação de outro em Schengen". Na França, Emmanuel Macron ofereceu apoio, inclusive via Frontex, e o ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou reforço dos controles na fronteira com a Espanha. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que as imagens de Ceuta são "inaceitáveis" e cobrou desmonte das redes de contrabando e retornos rápidos.

Ceuta e Melilla são as únicas fronteiras terrestres da União Europeia no continente africano.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Ceuta
  • Espanha
  • Marrocos
  • migração
  • União Europeia
  • Pedro Sánchez
  • Schengen

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