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Crise com Milei: Lula ouve embaixador e prepara resposta "dura"

Bitelli relata a Lula repercussão das ofensas na Argentina; Planalto descarta retaliação que atinja argentinos e não fixa data para retorno do embaixador a Buenos Aires

Redação Apuramos

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Crise com Milei: Lula ouve embaixador e prepara resposta "dura"
Fabian Lozano/Unsplash — imagem ilustrativa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou pessoalmente com Julio Bitelli, embaixador do Brasil na Argentina chamado de volta a Brasília, e o governo definiu a linha de reação às ofensas do presidente argentino Javier Milei: uma resposta "dura" no campo político e diplomático, mas sem medidas que atinjam a população argentina. A avaliação foi relatada por diplomatas à CNN Brasil e confirmada por interlocutores do Palácio do Planalto ouvidos pelo Brasil 247 nesta terça-feira (28). Não há data definida para o retorno do embaixador a Buenos Aires.

Conversa com o embaixador

Segundo apuração da CNN Brasil citada pelo Brasil 247, a conversa entre Lula e Bitelli foi breve e reservada e ocorreu nesta terça-feira (28). O Metrópoles, que também confirmou o encontro, situa o "jogo rápido" na segunda-feira (27), quando a agenda do presidente estava tomada pela visita do sul-coreano Lee Jae-myung. As apurações coincidem no essencial: Bitelli relatou a Lula a repercussão das falas de Milei na Argentina e disse ter recebido manifestações de solidariedade ao Brasil de diferentes setores da sociedade argentina.

Antes, o embaixador havia se reunido por cerca de 40 minutos com o chanceler Mauro Vieira no Itamaraty, na tarde de segunda, segundo o Metrópoles. Novos encontros estão previstos para quarta-feira (29), quando Vieira retorna de Lima — o ministro viaja nesta terça ao Peru para a posse de Keiko Fujimori, cerimônia que também deve contar com a presença de Milei, apurou o jornal argentino Infobae.

Relembre a crise

A crise começou no sábado (25), quando Milei participou, em São Paulo, da convenção nacional do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência. No discurso, o argentino chamou Lula de "presidiário", acusou o governo brasileiro de "prender opositores" e se referiu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, como "lixo careca" — dias depois de Moraes negar seu pedido para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. O presidente do STF, Edson Fachin, reagiu em nota no mesmo dia e deplorou "manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados", segundo a Agência Brasil.

No domingo (26), o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para "transmitir repulsa" pelas declarações, segundo o Metrópoles, e chamou Bitelli para consultas — gesto que, na gramática diplomática, sinaliza grau mais grave de descontentamento. Ao receber Raimondi, Vieira classificou as críticas de Milei como inaceitáveis e sem precedentes, apurou a CNN Brasil.

A escalada seguiu na segunda-feira: questionado sobre o episódio, Lula ironizou — "Quem é esse cara?" —, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou Milei de "palhaço" em entrevista. Do outro lado, o presidente argentino voltou a atacar: em entrevista a uma rádio, acusou o governo brasileiro de financiar uma campanha "anti-Argentina" durante a Copa do Mundo e repetiu o termo "presidiário", segundo o Brasil 247.

A resposta em estudo

De acordo com diplomatas ouvidos pela CNN Brasil, irritou especialmente o Planalto e o Itamaraty o fato de as ofensas terem sido proferidas em território brasileiro. Ainda assim, o governo calcula a reação para não constranger outros setores da sociedade argentina e para preservar a relação institucional e comercial com o país vizinho, parceiro estratégico no Mercosul. O Itamaraty não pediu desculpas formais — e não acredita que a Casa Rosada as ofereça, segundo a emissora. No Congresso, o deputado Henrique Vieira (PSOL-RJ) apresentou proposta para declarar Milei persona non grata, informou o Brasil 247.

O que diz a Argentina

O governo argentino minimiza a crise. O chefe de gabinete de Milei, Diego Santilli, classificou as convocações de embaixadores como exagero: "Não exagerem", afirmou, segundo a CNN Brasil. O chanceler argentino, Pablo Quirno, evitou comentar diretamente as falas do presidente, mas o defendeu nas redes sociais. De acordo com o Infobae, Milei não pretende se desculpar — e a primeira reunião entre representantes dos dois governos terminou sem definições.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Javier Milei
  • Lula
  • Argentina
  • Itamaraty
  • crise diplomática
  • Julio Bitelli
  • Mauro Vieira
  • eleições 2026

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