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Desemprego cai a 5,4%, menor nível para junho na série do IBGE

Taxa do trimestre encerrado em junho, divulgada nesta quinta (30), fica abaixo dos 5,6% de maio; renda média sobe 2,8% em um ano, a R$ 3.738

Redação Apuramos

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Desemprego cai a 5,4%, menor nível para junho na série do IBGE
Ben Koorengevel/Unsplash — imagem ilustrativa

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho, informou o IBGE nesta quinta-feira (30). É o menor nível já registrado para o período em toda a série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012.

O resultado representa queda em relação aos 5,6% do trimestre encerrado em maio — que já era recorde para aquele intervalo — e aos 5,8% do mesmo período de 2025. Na base de comparação trimestral usada pelo instituto, os três meses encerrados em março, a desocupação estava em 6,1%.

O número veio em linha com o que o mercado esperava: a mediana das estimativas era de 5,4%, tanto no levantamento Projeções Broadcast, da Agência Estado, quanto no da agência Bloomberg. As projeções iam de 5,3% a 5,6%.

Renda também sobe

O rendimento médio real habitual do trabalhador ficou em R$ 3.738 no trimestre, praticamente estável ante o período anterior, mas com alta de 2,8% na comparação com o mesmo trimestre de 2025, já descontada a inflação. A massa de renda real paga aos ocupados somou R$ 380,3 bilhões, avanço de 3,6% em um ano.

Carteira assinada estável; informalidade cresce

O emprego com carteira assinada no setor privado somou 39,4 milhões de pessoas, estável tanto ante o trimestre anterior quanto na comparação anual. Já o contingente de trabalhadores sem carteira no setor privado subiu 2,2% em relação ao trimestre encerrado em maio, para 13,6 milhões — sinal de que parte da expansão recente da ocupação veio de vínculos mais flexíveis e com menor proteção trabalhista, como registrou o Jornal Pequeno.

Por que o desemprego está tão baixo

Analistas ouvidos pela Folhapress apontam uma combinação de fatores: o desempenho positivo da atividade econômica nos últimos anos — reforçado por medidas de estímulo do governo Lula (PT) no ano eleitoral — e a mudança demográfica em curso no país. Com o envelhecimento da população, parte dos brasileiros deixa de procurar trabalho, o que alivia a taxa de desocupação, mas aumenta o desafio da Previdência.

Também pesa o trabalho por aplicativos: estudo do FGV Ibre estimou no ano passado que essa modalidade reduz o desemprego em cerca de 1 ponto percentual.

Um detalhe metodológico: o IBGE evita comparar diretamente trimestres com meses repetidos, caso dos intervalos encerrados em maio e em junho. Por isso, a referência oficial de comparação é o trimestre encerrado em março.

O que fica no radar

O mercado de trabalho aquecido sustenta o consumo das famílias, mas segue no radar do Banco Central pelos efeitos sobre a inflação de serviços, que responde com mais intensidade à escassez de mão de obra e ao aumento de salários.

A divulgação ocorre ainda em meio ao debate sobre o fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho por um de descanso), projeto que divide representantes dos trabalhadores e parte do empresariado, como lembra a Folhapress.

Fontes consultadas nesta apuração

  • desemprego
  • IBGE
  • PNAD Contínua
  • mercado de trabalho
  • renda
  • economia brasileira

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