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Doença inflamatória intestinal cresce 5x em 13 anos no Brasil

Levantamento com dados do SUS apresentado em congresso de coloproctologia mostra salto na incidência de Crohn e retocolite entre 2012 e 2025, com projeção de nova alta até 2035.

Redação Apuramos

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National Cancer Institute/Unsplash — imagem ilustrativa
National Cancer Institute/Unsplash — imagem ilustrativa

Casos de doença inflamatória intestinal (DII) no Brasil aumentaram cinco vezes em 13 anos, segundo levantamento baseado em registros do Sistema Único de Saúde (SUS) apresentado nesta semana no 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, em Balneário Camboriú (SC).

De acordo com a Agência Brasil, a incidência da doença saltou de 30 para 158 casos a cada 100 mil habitantes entre 2012 e 2025. No mesmo período, o número de novos diagnósticos por ano passou de 9,35 para 12,34 a cada 100 mil pessoas.

O estudo, conduzido em parceria entre pesquisadores brasileiros e as universidades de Calgary (Canadá), São Paulo (USP) e Campinas (Unicamp), também projeta o cenário para a próxima década. A estimativa é de 22,7 novos casos por 100 mil habitantes em 2035, o que levaria a prevalência total a 264 casos por 100 mil pessoas — um avanço de 67% em relação a 2025.

A doença inflamatória intestinal engloba principalmente a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, condições autoimunes e crônicas que ainda não têm cura. O tratamento consegue controlar a inflamação e os sintomas, mas exige acompanhamento médico por décadas, já que o diagnóstico costuma ocorrer ainda em idade jovem.

"A gente não sabe o fator causal ainda. A gente sabe que são doenças multifatoriais", afirmou o médico Abel Quaresma, da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), em entrevista à Agência Brasil.

Entre os fatores associados ao crescimento dos casos estão a genética, a poluição e, principalmente, mudanças nos hábitos alimentares. Segundo Quaresma, o consumo de alimentos ultraprocessados é apontado como um dos principais suspeitos por trás do avanço da doença. "Conservantes, corantes, espessantes induzem essas doenças", disse o pesquisador.

O médico Paulo Kotze, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), também participou do levantamento apresentado no congresso, promovido pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP).

Segundo o portal O Povo, que também repercutiu o estudo, o tratamento de um paciente com doença inflamatória intestinal custa, em média, R$ 500 mil por ano — valor que reforça o alerta dos pesquisadores sobre o impacto crescente da doença nos sistemas público e privado de saúde.

Para Quaresma, se a tendência atual se confirmar, a DII deve deixar de ser uma condição rara para se tornar um problema de saúde pública nas próximas duas décadas. "A partir de 2040, vai se tornar problema de saúde pública, como é a pressão alta, o diabetes", projetou o médico.

Os pesquisadores defendem que o monitoramento da doença seja ampliado dentro do SUS e que campanhas de conscientização sobre alimentação e diagnóstico precoce sejam reforçadas, já que sintomas como dor abdominal recorrente, diarreia crônica e sangramento nas fezes costumam ser confundidos com outros problemas intestinais mais comuns, o que atrasa a identificação da doença.

Fontes consultadas nesta apuração

  • saude
  • SUS
  • doença de Crohn
  • retocolite ulcerativa
  • doença inflamatória intestinal

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