Um drone russo cruzou o espaço aéreo da Romênia na tarde de terça-feira (8), avançou cerca de 160 quilômetros rumo ao interior do país e só então retornou à Moldávia, onde caiu. A incursão obrigou a Otan a acionar caças e atrasou a decolagem do avião que levava o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, de Chisinau a Oslo.
O episódio só ganhou dimensão pública nesta semana, depois que o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, afirmou à emissora pública NRK que a aeronave do líder ucraniano chegou perto de ser atingida pelo aparelho.
Segundo a cronologia divulgada pelo Ministério da Defesa da Romênia e reproduzida pelo jornal Stars and Stripes, o radar detectou um alvo aéreo a oeste de Chisinau, capital da Moldávia, às 16h33 no horário local.
Quatro minutos depois, o drone entrou no espaço aéreo romeno cerca de 32 quilômetros a sudeste de Iasi. Dois caças F-18 espanhóis designados para a missão de policiamento aéreo reforçado da Otan decolaram da base aérea de Mihail Kogalniceanu, principal polo das forças dos Estados Unidos na região do Mar Negro.
Em vez de permanecer perto da fronteira, o aparelho seguiu para oeste até um ponto ao norte da cidade de Roman, a cerca de 160 quilômetros da Ucrânia. Ali mudou de direção, voltou para a Moldávia e caiu em área rural do distrito de Riscani. Não houve feridos.
Autoridades moldavas informaram que se tratava de um de dois drones russos que entraram no país durante ataques à Ucrânia, de acordo com a agência Reuters. O espaço aéreo da Moldávia foi fechado, o que atrasou a partida de Zelensky, que viajava para o funeral do rei Harald V, na Noruega.
O embaixador da Moldávia nos Estados Unidos, Vladislav Kulminski, disse à CNN ser "cedo demais para dizer" se o drone tinha o presidente ucraniano como alvo. O voo foi liberado após a confirmação da queda, e Zelensky manteve a agenda em Oslo.
Canais ucranianos de monitoramento de fontes abertas identificaram o modelo como um Geran-4, um dos novos drones de ataque russos movidos a jato. Segundo a inteligência militar da Ucrânia, o equipamento alcança até 500 km/h e carrega ogiva de 50 a 90 quilos. O modelo não foi confirmado oficialmente.
O caso se soma a uma sequência de violações na fronteira da aliança. O primeiro-ministro moldavo, Vasile Tofan, afirmou que mais de 30 drones invadiram o espaço aéreo do país em 2026, sendo 17 apenas em agosto. A Romênia, membro da Otan, divide 614 quilômetros de fronteira com a Ucrânia e registra incursões desde o início da guerra, em 2022.
Nos últimos meses, caças da aliança abateram drones sobre a Letônia e sobre o próprio território romeno, e foram acionados depois que um aparelho entrou no espaço aéreo da Estônia. Em julho, um míssil russo desgovernado caiu em território polonês.
Enquanto o drone cruzava a Romênia, a Otan conduzia um exercício noturno multinacional sobre a Polônia voltado justamente para localizar, identificar e interceptar aeronaves não tripuladas, informou o Ministério da Defesa da Espanha.
Participaram forças de Espanha, Polônia, República Tcheca, França e Turquia, além de uma aeronave de alerta antecipado e controle da Otan. Os pilotos espanhóis combinaram radar de bordo, pods de designação de alvos, miras acopladas ao capacete e equipamento de visão noturna.
Romênia e Polônia buscam novas tecnologias antidrone, incluindo o sistema americano Merops. Ainda assim, a decolagem de caças, cara e demorada, segue como principal resposta da aliança a aparelhos que custam uma fração desse valor.