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Ebola no Congo: surto vira o mais mortal da história do país

Dados do governo congolês apontam 2.325 mortes e 4.945 casos confirmados. Sem vacina ou tratamento aprovados, quase um em cada dois casos confirmados é fatal.

Redação Apuramos

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CDC/Unsplash — imagem ilustrativa
CDC/Unsplash — imagem ilustrativa

O surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) se tornou o mais mortal da história do país. Dados oficiais divulgados no domingo (16) apontam 2.325 mortes — número que superou as 2.299 registradas no surto de 2018 a 2020, até então o pior já enfrentado pela nação africana.

Segundo a Agência Brasil, que publicou reportagem da Reuters nesta segunda-feira (17), o Instituto de Saúde Pública do Congo informou em seu relatório mais recente que os casos confirmados chegaram a 4.945, incluindo 101 novos registros nas últimas 24 horas.

É o 17º surto de ebola no país. Ele já havia se tornado o maior da história congolesa em número de casos no fim de julho e agora lidera também no número de mortes.

Em escala global, o surto atual só é superado pela epidemia de 2014-2016 na África Ocidental, que teve 28.616 casos e 11.310 mortes na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A comparação de ritmo é o dado mais preocupante. Naquela crise, foram necessários quase cinco meses desde a declaração do surto para se chegar a 1.000 mortes. O surto congolês atual passou de 2 mil mortes em menos de três meses.

Sem vacina nem tratamento aprovados

O surto foi declarado em 15 de maio e é causado pela espécie Bundibugyo do vírus ebola, para a qual não existem vacinas nem tratamentos aprovados. Um número pequeno de vacinas e terapias experimentais está em avaliação, e autoridades de saúde global estudam se tratamentos já existentes contra o ebola podem oferecer proteção. Por ora, as evidências se limitam a estudos com animais.

A taxa de letalidade — proporção de infectados confirmados que morrem — saltou de cerca de 20% no início de junho para 46%, segundo dados do governo. Na prática, quase um em cada dois casos confirmados hoje é fatal.

Especialistas afirmam que isso não significa que o vírus tenha ficado mais letal, e sim que a vigilância e o atendimento estão falhando.

"Normalmente, à medida que um surto progride, a taxa de letalidade deveria cair, pois o rastreamento de contatos melhora e os pacientes são identificados e tratados mais cedo", disse Thomas Parisch, especialista em saúde pública destacado recentemente para a RDC pela organização Médicos Sem Fronteiras. "Em vez disso, ainda vemos muitos casos detectados muito tarde, quando o tratamento tem menos probabilidade de sucesso, e muitos são identificados apenas depois de morrerem na comunidade."

A fragilidade da infraestrutura de saúde, a resistência de parte das comunidades e a instabilidade na região dificultam identificar e responder aos casos.

Uganda conteve o avanço

O surto chegou a se espalhar para a vizinha Uganda, mas as autoridades locais limitaram o avanço a 20 casos confirmados e duas mortes antes de declarar o fim da epidemia no país no mês passado.

Segundo a CNN, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que, sem uma ampliação rápida do apoio internacional, o surto na RDC pode rivalizar com a crise de 2014-2016 na África Ocidental. Em julho, o mesmo Tedros havia avaliado que o risco de disseminação do ebola pelo mundo era baixo, conforme informou a Agência Brasil.

Como o ebola se transmite

O vírus se espalha por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, vivas ou mortas — razão pela qual velórios e enterros são pontos críticos de contágio em surtos anteriores e no atual.

Os sintomas incluem febre, vômitos e diarreia e, nos casos graves, hemorragias internas e externas. Não há, até o momento, registro de caso da doença no Brasil ligado a este surto.

Fontes consultadas nesta apuração

  • ebola
  • republica-democratica-do-congo
  • oms
  • surto
  • saude-global
  • africa

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