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El Niño pode levar 49 milhões à fome, diz ONU hoje (5/8)

Relatório do Programa Mundial de Alimentos divulgado nesta quarta vê 81% de chance de um El Niño muito forte e projeta 274 milhões de pessoas em insegurança alimentar aguda em 45 países até o fim de 2027

Redação Apuramos

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El Niño pode levar 49 milhões à fome, diz ONU hoje (5/8)
Hiroki Yato/Unsplash — imagem ilustrativa

O Programa Mundial de Alimentos (PMA), agência da Organização das Nações Unidas, divulgou nesta quarta-feira (5) um relatório que projeta que o ciclo atual do El Niño pode levar quase 49 milhões de pessoas adicionais à situação de insegurança alimentar aguda até o fim de 2027. O alerta foi apresentado em Genebra e distribuído pela Reuters, que assina a reportagem publicada pela Agência Brasil, pelo InfoMoney e pelo SBT News.

O que diz o relatório

Segundo o PMA, há 81% de chance de ocorrer um El Niño classificado como muito forte, com as temperaturas da superfície do mar atingindo os níveis mais altos desde pelo menos 1982 — o que poderia torná-lo o episódio mais intenso desde 1950.

A conta do organismo se apoia na análise de 45 países considerados vulneráveis aos efeitos do fenômeno. Nesse recorte, o número de pessoas em insegurança alimentar aguda — famílias incapazes de suprir suas necessidades diárias de alimentação — sairia de cerca de 225 milhões para 274 milhões, alta de aproximadamente 22% sobre a população de referência que já vive em nível de crise ou pior.

"Esses são eventos que, no passado, provocaram fome em grande escala", afirmou Jean-Martin Bauer, diretor do Serviço de Análise de Segurança Alimentar e Nutrição do PMA, em declaração a jornalistas reproduzida pela Agência Brasil e pelo InfoMoney.

O El Niño é um aquecimento periódico das águas superficiais do Pacífico que altera os padrões climáticos globais. Historicamente, está associado à seca na África Austral, ao atraso das monções em partes da Ásia e a chuvas irregulares em outras regiões.

As regiões mais expostas

Pela versão da Reuters, América Central e África Austral devem estar entre as áreas mais atingidas, com aumento previsto de 83% no número de pessoas em insegurança alimentar na América Central e de quase 75% na África Austral. África Austral, América do Sul e Caribe podem ver, cada uma, mais de 12 milhões de pessoas adicionais caindo na fome aguda.

O portal O Tempo, que teve acesso ao mesmo levantamento, apresenta o recorte por blocos: América Latina e Caribe com alta de mais de 16 milhões de pessoas; África Oriental e Austral com mais de 18 milhões, avanço de 26%; Ásia e Pacífico com cerca de 8,2 milhões; e África Ocidental e Central com alta de 12%, quase 6 milhões de pessoas.

Números que divergem

As fontes não são unânimes na cifra. Enquanto o texto da Reuters fala em "quase 49 milhões", o portal A Referência, que se baseia em apuração do jornal britânico The Guardian, arredonda para cerca de 50 milhões de pessoas até o fim de 2027. O mesmo texto informa que o PMA prevê pelo menos US$ 80 milhões em recursos para preparação e resposta antecipada.

Ao Guardian, Richard Choularton, diretor do Serviço de Clima e Resiliência do PMA, disse que o pico do problema deve demorar: "O maior impacto sobre a segurança alimentar no sul da África ocorrerá durante o período de escassez entre 2027 e 2028." Segundo o mesmo relato, no El Niño de 2015-2016 entre 60 milhões e 100 milhões de pessoas enfrentaram insegurança alimentar aguda, mas a agência acredita que os atuais programas de ação antecipada possam mitigar parte dos efeitos agora.

Preços e falta de dados

Bauer ponderou que os mercados globais de alimentos entraram neste ciclo em posição relativamente sólida, depois de boas colheitas em 2025. Mas alertou que os conflitos no Oriente Médio e eventuais perdas de safra podem pressionar preços. "É fundamental evitar que grandes produtores suspendam suas exportações de alimentos", afirmou ele ao Guardian.

Outro ponto destacado no relatório é o encolhimento do próprio monitoramento. Cortes de financiamento por doadores dos Estados Unidos e da Europa em 2025 reduziram a coleta de dados: o PMA fez cerca de 1,1 milhão de pesquisas domiciliares em 2024, contra aproximadamente 800 mil em 2025, com queda adicional em 2026. "Em um momento em que se corre um risco como o El Niño, é importante ter uma coleta de dados em alta frequência", disse Bauer, segundo a Agência Brasil.

Contexto

O PMA ressalta que o levantamento cobre apenas os 45 países onde mantém operações permanentes, o que significa que os impactos podem ser maiores em outras regiões. No Brasil, o Inmet já havia alertado para os riscos de um El Niño muito forte, e O Tempo registra que o fenômeno deve se intensificar entre setembro e dezembro de 2026.

Fontes consultadas nesta apuração

  • El Niño
  • ONU
  • fome
  • insegurança alimentar
  • PMA
  • clima
  • América Central
  • África Austral

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