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El Niño: Saúde cria alerta de calor e prevê alta da dengue

Ministério apresentou nesta quarta (16) painel que avisa sobre calor extremo com até cinco dias de antecedência e protocolo voltado a idosos. Padilha projeta reversão da queda de 75% da dengue no segundo semestre.

Redação Apuramos

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Immo Wegmann/Unsplash — imagem ilustrativa
Immo Wegmann/Unsplash — imagem ilustrativa

O Ministério da Saúde apresentou nesta quarta-feira (16) um plano nacional de preparação do SUS para os impactos do El Niño, que deve atingir intensidade "muito forte" ainda em setembro. Entre as novidades estão o Painel Nacional de Excesso de Calor, que emite alertas com até cinco dias de antecedência, e o Protocolo Nacional de Calor Extremo, voltado sobretudo à proteção de idosos.

Segundo o Diario de Pernambuco, a janela crítica do fenômeno vai de outubro de 2026 a março de 2027. Na coletiva, o secretário-executivo adjunto da pasta, Nilton Pereira Junior, afirmou que há possibilidade de o país enfrentar o maior El Niño da série histórica, com efeitos diferentes em cada região, conforme relatou O Tempo.

O painel classifica o risco de calor em quatro níveis, de "sem excesso" a "extremo", e cobre todos os municípios brasileiros. A ferramenta havia sido anunciada em junho, junto com o plano AdaptaSUS, segundo a Agência Brasil, e agora serve de base ao novo protocolo, adotado nacionalmente a partir de uma experiência da Prefeitura do Rio de Janeiro desenvolvida com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS).

"O Ministério da Saúde hoje tem um Protocolo Nacional de Calor Extremo, inspirado na experiência aqui do Rio de Janeiro, inspirado em outras experiências internacionais", disse o ministro Alexandre Padilha, de acordo com o Diario de Pernambuco.

As orientações incluem evitar exposição ao sol nos horários críticos, manter ambientes ventilados e verificar o uso correto de medicamentos de uso contínuo. O material está disponível no aplicativo Meu SUS Digital. O ministério também vem implantando zonas de resfriamento e pontos de hidratação em Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Padilha citou um estudo da Fiocruz que associa cerca de 120 mil mortes no Brasil, nos últimos 20 anos, ao aumento da temperatura média. Para o ministro, o efeito do calor costuma passar despercebido em comparação com desastres mais visíveis, como enchentes, mas pode ser igualmente letal.

DENGUE DEVE VOLTAR A SUBIR

O Brasil registrou queda de 75% na incidência de dengue no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, segundo o ministério. A tendência, porém, deve se inverter. "Provavelmente este segundo semestre nós teremos um aumento da incidência e da prevalência de dengue e outras arboviroses", afirmou Padilha, conforme o Diario de Pernambuco.

A pasta diz estar montando, com estados e municípios, um plano de contingência mais robusto para as arboviroses. O ministro lembrou que o Rio Grande do Sul teve surto de dengue associado ao El Niño em 2024 e citou a identificação do Aedes aegypti no Reino Unido e casos de chikungunya na França como sinais de que o aquecimento "leva doenças para lugares onde elas não existiam".

FORÇA NACIONAL COM NOVE BASES

A Força Nacional do SUS terá nove bases regionais em 2026, segundo O Tempo. Recife foi anunciada nesta quarta como uma delas, informa o Diario de Pernambuco. O modelo prevê deslocamento inicial para áreas afetadas em até 12 horas e mobilização escalonada de equipes e equipamentos nas primeiras 72 horas.

Em 2026, a Força Nacional já realizou 11 missões em oito estados, com 139 profissionais e 4.899 atendimentos, de acordo com O Tempo. Uma delas ocorreu em Roraima, entre terça (15) e quarta (16), para preparar a rede local para a seca.

As ações integram o AdaptaSUS, plano de adaptação do setor saúde às mudanças climáticas que prevê R$ 9,8 bilhões em investimentos até 2035, distribuídos em 27 metas e 93 ações. Para o Nordeste, região sob risco de estiagem severa e calor extremo, estão previstas 968 novas UBS e 18,7 mil cisternas. No Sudeste, onde a expectativa é de temperaturas acima da média, ondas de calor e temporais, o pacote inclui mais de 764 UBS resilientes, 1,3 mil ambulâncias do Samu e 2,1 mil cisternas no semiárido mineiro, segundo O Tempo.

"Queremos reafirmar cada vez mais que a crise climática é acima de tudo uma crise de saúde pública", disse Padilha. "É urgente a adaptação dos sistemas de saúde para enfrentar as mudanças climáticas."

Fontes consultadas nesta apuração

  • El Niño
  • calor extremo
  • dengue
  • Ministério da Saúde
  • Alexandre Padilha
  • SUS
  • Força Nacional do SUS
  • AdaptaSUS
  • onda de calor

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