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Emirados acusam Irã de atacar petroleiro no Estreito de Ormuz

Míssil atingiu navio da estatal Adnoc na madrugada deste sábado (8); empresa afirma que não houve feridos e que a situação foi controlada

Redação Apuramos

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Emirados acusam Irã de atacar petroleiro no Estreito de Ormuz
Dylan McLeod/Unsplash — imagem ilustrativa

Um navio da Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc), a estatal de petróleo dos Emirados Árabes Unidos, foi atingido por um míssil na madrugada deste sábado (8) enquanto atravessava o Estreito de Ormuz. O governo emiradense atribuiu o ataque ao Irã. Segundo a empresa, não houve feridos e a situação foi controlada.

A informação foi divulgada pela agência estatal emiradense WAM e reproduzida pela agência turca Anadolu e pela chinesa Xinhua. A Adnoc não informou o nome da embarcação nem a extensão dos danos.

O que diz o governo dos Emirados

Em comunicado divulgado pela WAM, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados condenou o que chamou de "ataque hostil iraniano que teve como alvo um navio-tanque pertencente à Adnoc com um míssil enquanto atravessava o Estreito de Ormuz, sem causar vítimas".

O texto afirma ainda que a ação constitui "flagrante violação da Resolução 2817 do Conselho de Segurança, que assegura a liberdade de navegação e rejeita o ataque a embarcações comerciais ou a interrupção de rota marítima internacional", segundo o jornal saudita Arab News.

A Arábia Saudita também se manifestou. Em nota reproduzida pelo Arab News, a chancelaria saudita disse condenar nos termos mais fortes o episódio e afirmou que "essas agressões são um atentado contra a segurança e a proteção da navegação marítima e contra a segurança do abastecimento global de energia".

O outro lado

Até a publicação desta reportagem, o governo iraniano não havia se pronunciado publicamente sobre a acusação nem reivindicado o ataque.

A agência semioficial iraniana Fars noticiou que uma embarcação, que acreditava ser um petroleiro, pegou fogo no corredor sul do estreito — sem atribuir responsabilidade pelo episódio. Com base em monitoramento por satélite, a Fars afirmou que o navio de combate a incêndio e resposta a vazamentos Adnoc AR01 chegou ao local, de acordo com a Anadolu.

15 navios atingidos desde o início da guerra

Na sexta-feira (7), um dia antes do episódio, a Adnoc havia divulgado um balanço afirmando que 15 de seus navios foram alvo de mísseis e drones desde o começo do conflito ao cruzar Ormuz — três deles apenas na última semana, com um tripulante morto e 20 feridos, segundo o Gulf News.

Na mesma nota, a empresa disse adotar medidas em coordenação com as autoridades para proteger funcionários e operações, e cobrou que a liberdade de navegação e a passagem segura de embarcações comerciais sejam respeitadas.

Tráfego despenca e petróleo sobe

O fluxo de navios pelo estreito está reduzido a uma fração do normal. Dados da consultoria Kpler citados pela CBS News apontam que apenas oito embarcações comerciais cruzaram Ormuz na quinta-feira (6), ante 15 na terça. Antes da guerra, cerca de 130 navios faziam a travessia por dia, transportando aproximadamente 20% do petróleo e do gás negociados por via marítima no mundo.

O reflexo aparece nos preços. O Brent, referência internacional, era negociado acima de US$ 83 o barril na sexta-feira, segundo a CBS News. Nos Estados Unidos, o preço médio do galão de gasolina estava em US$ 4,04, contra US$ 3,79 um mês antes e US$ 3,17 um ano atrás, de acordo com dados da AAA citados pela emissora.

Relembre o caso

A guerra começou em 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Desde então, o Estreito de Ormuz se tornou um dos principais pontos de pressão do conflito.

Teerã e Mascate negociam um novo arranjo para administrar o tráfego na via. Segundo a agência estatal iraniana Irna, a proposta prevê que embarcações entrem por águas iranianas e saiam por águas omanenses — o que o Irã descreve como um novo modelo de segurança, e não a reabertura plena do estreito.

Na sexta-feira, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão assinaram em Meca um acordo de defesa conjunta que trata um ataque a um dos três países como ataque a todos. Parlamentares iranianos minimizaram o pacto: o deputado Ebrahim Rezaei o classificou como "acordo de papel", em publicação na rede social X citada pela CBS News.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Estreito de Ormuz
  • Irã
  • Emirados Árabes Unidos
  • Adnoc
  • petróleo
  • guerra no Irã
  • Arábia Saudita

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