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Dívidas atingem 82% das famílias; inadimplência sobe a 29,9%

Pesquisa da CNC divulgada nesta quinta-feira (10) mostra o sétimo mês seguido de endividamento recorde. Quem ganha até três salários mínimos foi o único grupo com alta na inadimplência.

Redação Apuramos

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Jakub Żerdzicki/Unsplash — imagem ilustrativa
Jakub Żerdzicki/Unsplash — imagem ilustrativa

O endividamento das famílias brasileiras seguiu no patamar recorde de 82% em agosto, e a inadimplência voltou a subir, chegando a 29,9%. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta-feira (10) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

É o sétimo mês consecutivo em que o percentual de famílias com contas a vencer fica no nível mais alto da série histórica. Em agosto de 2025, o indicador estava em 78,8%. A inadimplência — a fatia de famílias com contas já em atraso — avançou 0,1 ponto percentual no mês.

Quem ganha menos é quem mais sente

O dado mais duro da pesquisa está na base da pirâmide. Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, o percentual de devedores com contas atrasadas subiu de 38,5% em julho para 38,8% em agosto — o único avanço entre todas as faixas de renda.

Nesse mesmo grupo, o endividamento chegou a 85,1% e a parcela de consumidores que dizem não ter como quitar as pendências subiu 0,5 ponto percentual, para 18,3%.

Nas faixas mais altas, o cenário foi de alívio. Segundo a CNC, entre 3 e 5 salários mínimos o endividamento caiu de 85,1% para 83,7%; de 5 a 10 salários, recuou para 77,2%, com a inadimplência em 20,3%. Acima de 10 salários mínimos, o endividamento subiu levemente, para 72,3%, mas a inadimplência caiu para 14,9%.

Atrasos mais longos e orçamento apertado

A proporção de famílias que afirmam não ter condições de pagar as contas em atraso chegou a 12,5%, o maior nível desde fevereiro. O grupo que se declara "muito endividado" subiu para 17,4%, enquanto os "pouco endividados" recuaram para 34,9%.

O tempo médio de atraso também piorou: passou para 65 dias, interrompendo três meses seguidos de melhora. E 19,2% das famílias comprometeram mais da metade da renda com dívidas, o maior percentual desde março — embora o comprometimento médio da renda tenha ficado estável em 29,5%.

Conforme destacou a Gazeta do Povo, o alongamento dos prazos não foi suficiente para conter a inadimplência, ainda que 33,4% das famílias tenham dívidas com vencimento superior a um ano.

Juros altos no centro do diagnóstico

Para a CNC, o quadro está ligado ao ciclo de juros elevados. "Estamos chegando ao último trimestre do mesmo jeito que começamos o ano, com recorde de endividamento e crescimento da inadimplência", afirmou o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros. Ele citou Black Friday, Natal e a temporada de férias de verão como datas capazes de movimentar o comércio, "principalmente se tivermos uma taxa de juros mais compatível".

O economista-chefe da entidade, Fabio Bentes, fez leitura semelhante: "A fragilização financeira da base da pirâmide reflete a dependência do crédito para a manutenção do consumo básico e mantém o quadro de endividamento no patamar recorde."

A Selic está em 14% ao ano desde a reunião de agosto, quarto corte seguido do ciclo de afrouxamento iniciado em março. O Comitê de Política Monetária (Copom) volta a se reunir nos dias 15 e 16 de setembro. Segundo o InfoMoney, opções negociadas na B3 indicavam no dia 8 cerca de 95% de chance de novo corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa a 13,75% ao ano.

O que vem pela frente

A própria CNC projeta aumento das contas em atraso no próximo trimestre, diante do maior comprometimento da renda e do alongamento do tempo de atraso. Para a entidade, estabilizar o orçamento doméstico vai depender de uma redução gradual do nível de endividamento.

A Peic é divulgada mensalmente pela CNC e acompanha três indicadores: o percentual de famílias endividadas, o de famílias com contas em atraso e o de famílias que declaram não ter condições de pagar o que devem.

Fontes consultadas nesta apuração

  • endividamento
  • inadimplência
  • CNC
  • Peic
  • dívidas
  • Selic
  • economia

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