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EUA ampliam guerra contra o crime na América Latina

Ataques a barcos, laser contra drones e a aliança "Escudo das Américas" já somam mais de 200 mortos desde 2025; Equador é chamado de "melhor aliado" dos EUA na região.

Redação Apuramos

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Jonas/Unsplash — imagem ilustrativa
Jonas/Unsplash — imagem ilustrativa

Os Estados Unidos ampliaram nas últimas semanas uma rede de operações militares conjuntas com países latino-americanos contra o crime organizado, somando ataques a embarcações suspeitas de tráfico, o uso inédito de armas a laser contra drones e uma nova aliança batizada de "Escudo das Américas". O balanço da ofensiva já passa de 200 mortos desde setembro do ano passado, o que tem gerado alerta de especialistas em direitos humanos.

Segundo reportagem da CNN Brasil publicada neste sábado (19), assinada por Mauricio Torres, da CNN em Espanhol, o Equador se tornou uma das principais frentes da campanha. Desde março, forças equatorianas prenderam integrantes das facções Los Choneros e Los Lobos e o país registrou seis interceptações de embarcações suspeitas de narcotráfico. Em setembro, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, chamou o Equador de "melhor aliado" dos Estados Unidos na região.

Uma das embarcações atingidas neste mês foi o pesqueiro "Don Rufo", afundado pelos EUA no oceano Pacífico por suposta ligação com Los Choneros — o sexto barco equatoriano destruído na campanha, segundo o site Infobae. A Armada do Equador localizou os dez tripulantes que estavam a bordo horas depois do ataque.

Na Venezuela, o momento mais citado da ofensiva ocorreu em junho, quando o presidente Donald Trump anunciou a morte de Héctor Guerrero Flores, conhecido como "Niño Guerrero" e apontado como líder da facção Tren de Aragua, em uma operação descrita como "estreitamente coordenada" com autoridades venezuelanas.

Já no México, o Comando Sul dos Estados Unidos usou pela primeira vez, em agosto, um sistema a laser para derrubar drones ligados a cartéis na fronteira. Até setembro, o equipamento já havia abatido 11 aeronaves não tripuladas, de acordo com reportagem da Gazeta do Povo.

As ações fazem parte do chamado "Escudo das Américas", iniciativa anunciada em março que já reúne Argentina, Equador, El Salvador, Colômbia e Peru. A Costa Rica sinalizou interesse em receber operações terrestres das forças americanas em seu território, segundo a CNN Brasil.

Nem todos os países aceitam o mesmo nível de cooperação. O pesquisador Roberto Zepeda, da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), afirmou à reportagem que o governo mexicano estabeleceu "linhas vermelhas" contra ações unilaterais dos Estados Unidos em território mexicano.

Já Glaeldys González, do International Crisis Group, alertou para os riscos da escalada. Segundo ela, as operações podem resultar em violações de direitos humanos e prejudicar investigações judiciais sobre os próprios grupos criminosos visados pelos ataques.

O saldo da ofensiva lançada em setembro do ano passado já passa de 200 mortos em ataques aéreos e navais dos Estados Unidos contra embarcações suspeitas de tráfico, segundo o levantamento citado pela CNN Brasil — número cuja legalidade internacional segue sendo questionada por especialistas em direitos humanos.

Fontes consultadas nesta apuração

  • EUA
  • América Latina
  • Narcotráfico
  • Marco Rubio
  • Equador
  • México
  • Venezuela
  • Trump

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