Os Estados Unidos iniciaram na noite desta quarta-feira (29) uma nova rodada de ataques contra o Irã, encerrando a pausa que durava desde o fim de semana. Segundo a CNN, a ofensiva começou por volta das 20h no horário de Washington (21h de Brasília), e explosões passaram a ser relatadas em diferentes pontos do sul do país, entre eles a região de Bandar Abbas, cidade portuária estratégica à beira do Estreito de Ormuz.
O Comando Central dos EUA (Centcom) descreveu a operação como "uma resposta poderosa às tentativas de ataque iranianas de ontem", em publicação na rede X. A ABC News também noticiou a confirmação do Centcom de que os "ataques retaliatórios" haviam começado. Os alvos, segundo a CNN, são instalações militares iranianas.
"É a nossa vez", disse Trump
A ofensiva veio horas depois de o presidente Donald Trump antecipar a resposta. No Salão Oval, ainda durante a tarde, ele afirmou que agora era "a nossa vez" de atacar, apurou a CNN. Antes, em entrevista ao repórter Trey Yingst, da Fox News, Trump havia prometido "bater forte" no Irã: "eles vão levar uma surra", disse o presidente, segundo o relato do jornalista citado pela Al Jazeera.
O estopim foi o ataque de terça-feira (28), quando a Guarda Revolucionária iraniana lançou mísseis balísticos contra forças americanas no Oriente Médio — o alvo principal, segundo Teerã, foi uma base aérea na Jordânia que abriga um centro do Centcom. O comando americano classificou a ação como "tentativa de ataque surpresa" e afirmou que todos os mísseis foram interceptados.
Dia de escalada em várias frentes
A guerra ganhou novos capítulos ao longo desta quarta. A Jordânia informou ter interceptado mais cinco mísseis lançados do Irã pela manhã. Na noite anterior, EUA e Arábia Saudita bombardearam em conjunto posições de milícias pró-Irã no Iraque: as Forças de Mobilização Popular afirmam que ao menos 20 combatentes morreram e 32 ficaram feridos em sete províncias, segundo a Al Jazeera e a CBS News. A presidência do Iraque condenou a operação como "violação flagrante da soberania" do país; a Arábia Saudita alegou legítima defesa.
Ainda nesta quarta, a agência iraniana Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, afirmou que três petroleiros foram atingidos e parados no Estreito de Ormuz por ignorarem avisos de navegação. O petróleo Brent reagiu à escalada e subiu 3,3%, para cerca de US$ 85 o barril, de acordo com a Associated Press.
O que diz o Irã
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pediu nesta quarta que a população "se mantenha firme" diante do "inimigo", segundo a Al Jazeera. A Guarda Revolucionária avisou que "a resistência continuará" enquanto persistirem "as ameaças e ações ilegais das forças americanas". Até a publicação desta reportagem, Teerã não havia se manifestado oficialmente sobre os ataques desta noite.
Cinco meses de guerra
O conflito foi deflagrado em 28 de fevereiro, quando EUA e Israel lançaram uma ofensiva conjunta contra alvos militares e de infraestrutura iranianos. Um cessar-fogo costurado em junho ruiu no início de julho, e os EUA chegaram a emendar 13 noites seguidas de bombardeios antes da pausa iniciada no sábado — quebrada agora. Ao menos 18 militares americanos morreram desde o início da guerra, segundo a Al Jazeera, incluindo três soldados atingidos em 17 de julho na mesma base da Jordânia atacada na terça.
A nova ofensiva ocorre um dia após o encontro de Trump com o premiê israelense Benjamin Netanyahu na Casa Branca, descrito por um integrante da delegação israelense como "extremamente positivo", apurou a CBS News. Já a mediação de Omã pelo Estreito de Ormuz segue travada: o Irã rejeitou a proposta mais recente e exige participação no controle da rota, como mostrou o Apuramos mais cedo.