EUA proíbem importação de novos robôs humanoides chineses
FCC veta novos robôs humanoides e quadrúpedes e inversores de energia produzidos no exterior; medida mira a China e já está em vigor
Redação Apuramos
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FCC veta novos robôs humanoides e quadrúpedes e inversores de energia produzidos no exterior; medida mira a China e já está em vigor
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O governo dos Estados Unidos proibiu nesta terça-feira (28) a importação de novos robôs humanoides e quadrúpedes fabricados na China, além de inversores de energia conectados à internet. As medidas foram divulgadas na tarde desta terça pela FCC, a agência reguladora de comunicações americana, e entraram em vigor imediatamente, segundo apurou a agência Reuters, que antecipou a decisão.
A justificativa oficial é proteger a expansão da infraestrutura de inteligência artificial dos EUA contra espionagem, roubo de dados e ataques cibernéticos — e, ao mesmo tempo, empurrar a produção desses equipamentos para o território americano.
A FCC incluiu duas novas categorias na sua "Covered List", a lista de equipamentos considerados risco à segurança nacional: "dispositivos robóticos avançados" (robôs móveis, como humanoides e quadrúpedes) e inversores de energia conectados — aparelhos que ligam painéis solares e baterias à rede elétrica e a data centers.
Na prática, novos modelos produzidos no exterior ficam impedidos de obter a autorização de equipamento exigida para importação, divulgação e venda nos EUA. Segundo a Fox Business, a restrição vale apenas para modelos ainda não lançados e não afeta aparelhos que os consumidores já possuem — mas a agência tem poder para revogar autorizações já concedidas. Fabricantes poderão pedir isenção num processo de "aprovação condicional", avaliado pelas áreas de defesa e segurança interna do governo, e a expectativa de fontes ouvidas pela Reuters é que fornecedores não chineses sejam isentados, como já ocorreu nas restrições a drones e roteadores estrangeiros.
"Esses dispositivos podem criar vulnerabilidades na cadeia de suprimentos capazes de comprometer a segurança econômica e nacional dos Estados Unidos", afirmou a FCC em comunicado. Para a agência, os robôs "coletam dados que podem ser explorados por agentes maliciosos para vigiar cidadãos americanos, ampliar as capacidades de serviços de inteligência estrangeiros ou assumir remotamente o controle dos equipamentos". O presidente da FCC, Brendan Carr, disse que a agência "continuará fazendo sua parte para proteger as cadeias críticas de suprimentos" do país.
A proibição deve atingir em cheio a chinesa Unitree, líder mundial em robôs humanoides com cerca de 20% do mercado global, segundo a consultoria Counterpoint Research citada pela Reuters. A empresa entrou recentemente na lista do Pentágono de companhias supostamente ligadas às Forças Armadas chinesas e firmou parceria com a Nvidia para usar os chips Blackwell como "cérebro" de seus robôs — a Nvidia afirma que os dados coletados permanecem nos EUA e que os principais clientes da Unitree no país são universidades e centros de pesquisa.
No caso dos inversores, a China é a maior fabricante mundial, liderada por Sungrow e Huawei. As autoridades americanas citam o temor de repetição de campanhas de invasão como a Volt Typhoon, revelada em 2023, em que hackers ligados à China usaram roteadores privados para atacar infraestrutura crítica.
A embaixada chinesa em Washington reagiu instando os EUA a "ouvirem as vozes objetivas e racionais das comunidades empresariais dos dois países" e a "pararem de difamar empresas chinesas e ameaçá-las com sanções", segundo a Reuters. Pequim afirmou ainda que "tomará todas as medidas necessárias" em resposta a ações que causem danos aos seus interesses. Unitree, Sungrow e Huawei não responderam aos pedidos de comentário da agência.
A decisão amplia uma lista que já inclui Huawei, ZTE, Hikvision, Dahua e Kaspersky, além de drones e roteadores estrangeiros, conforme a Fox Business. O deputado republicano John Moolenaar, presidente da comissão da Câmara sobre a China, disse que a medida "protege o país e fortalece a indústria americana de robótica".
O anúncio sai no mesmo dia em que bolsas asiáticas despencaram com o avanço chinês em chips de memória e um dia antes da decisão de juros do Federal Reserve — mais um capítulo da disputa tecnológica entre Washington e Pequim, que já teve como pano de fundo o embate sobre terras raras e a ameaça do Tesouro americano de sancionar empresas chinesas de IA por roubo de propriedade intelectual.
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