Exame de sangue detecta câncer de pâncreas em 87% dos casos
Teste chamado Panxeon combina microRNAs e o marcador CA 19-9; estudo com 1.785 pessoas de quatro países foi publicado na Nature Medicine.
Redação Apuramos
Publicado em
Teste chamado Panxeon combina microRNAs e o marcador CA 19-9; estudo com 1.785 pessoas de quatro países foi publicado na Nature Medicine.
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Um novo exame de sangue batizado de Panxeon foi capaz de detectar 87% dos casos de câncer de pâncreas em estágio inicial, segundo estudo publicado na revista científica Nature Medicine nesta semana. A descoberta anima médicos porque a doença costuma ser diagnosticada tarde, quando as chances de tratamento já são menores.
Segundo a CNN Brasil, o teste combina a análise de microRNAs — pequenas moléculas presentes no sangue — com a dosagem da proteína CA 19-9, um marcador tumoral já usado no acompanhamento de pacientes oncológicos. A combinação dos dois indicadores é processada por um modelo computacional que gera uma pontuação de risco para cada paciente.
De acordo com reportagem do jornal O Tempo, a pesquisa é do tipo prospectivo, multicêntrico e observacional, e reuniu 1.785 participantes de quatro países. Entre eles, pessoas com diagnóstico confirmado da doença, voluntários saudáveis e grupos de controle formados por pacientes com histórico familiar de câncer de pâncreas, lesões suspeitas ou pancreatite.
Isoladamente, a assinatura de microRNAs apresentou sensibilidade de 83,8% e área sob a curva ROC de 88,6% — indicador estatístico usado para medir a precisão de testes diagnósticos. Já associada à proteína CA 19-9, a sensibilidade do exame subiu para 86,8% na identificação de tumores em estágios 1 e 2, com taxa de apenas 3,2% de falsos-positivos no grupo de baixo risco. No grupo de alto risco, a taxa de falsos-positivos foi de 15,6%, segundo a CNN Brasil.
O estudo também trouxe resultados relevantes para além do câncer já instalado: o Panxeon identificou displasia de alto grau — uma lesão pré-cancerígena — em 64,3% dos pacientes com cistos pancreáticos considerados de alto risco, de acordo com o levantamento.
O câncer de pâncreas ocupa a 14ª posição entre os tumores mais frequentes no Brasil, mas está entre os mais letais justamente por costumar ser identificado em fase avançada. Atualmente, não existe nenhum exame de sangue validado clinicamente para rastrear a doença em estágio inicial, segundo o O Tempo.
Apesar dos resultados considerados promissores, o próprio estudo publicado na Nature Medicine reconhece limitações. Os autores afirmam que são necessários novos estudos prospectivos, em maior escala, para confirmar a utilidade clínica do exame. O Panxeon segue experimental e não está aprovado para uso médico de rotina.
A expectativa dos pesquisadores norte-americanos responsáveis pelo estudo é que exames como esse possam, no futuro, ser incorporados a protocolos de rastreamento voltados a grupos de risco — como pessoas com histórico familiar da doença ou portadoras de cistos pancreáticos, hoje monitoradas principalmente por exames de imagem periódicos.
Enquanto o teste não chega à prática clínica, especialistas reforçam que exames de imagem e acompanhamento médico regular continuam sendo as principais ferramentas para identificar precocemente alterações no pâncreas, sobretudo entre pessoas com fatores de risco conhecidos, como histórico familiar da doença.
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