O Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, anuncia nesta quarta-feira (29), às 15h de Brasília, sua decisão sobre os juros da maior economia do mundo, hoje na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. A expectativa dominante é de manutenção — cerca de 70% do mercado, segundo o InfoMoney —, mas a reunião chega cercada de uma dúvida que não existia há meses: a possibilidade real de uma alta.
Se a pausa se confirmar, será o quinto encontro consecutivo sem mudança na taxa, como registra a IstoÉ Dinheiro. A ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava na véspera 68,5% de chance de manutenção e 31,5% de probabilidade de elevação de 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4%, conforme o Motley Fool. O Bradesco, citado pelo InfoMoney, espera juros parados em 3,75%.
Por que uma alta entrou no radar
O conflito militar entre Estados Unidos e Irã mexeu com o petróleo e reacendeu o temor inflacionário. Os contratos futuros do Brent chegaram a superar os US$ 100 por barril, segundo a IstoÉ Dinheiro; nesta quarta, o economista Gustavo Sung, da Suno Research, via o barril orbitando os US$ 85, em meio à negociação sobre o tráfego no Estreito de Ormuz, apurou o InfoMoney. No auge da escalada, o mercado chegou a precificar 46% de chance de alta de juros em julho, lembra João Debom, da Alude Capital, ao InfoMoney.
Dentro do próprio Fed há vozes favoráveis ao aperto: Lorie Logan, presidente do Fed de Dallas, disse publicamente que uma alta em julho seria prudente, e Beth Hammack, do Fed de Cleveland, avalia que a inflação está alta demais, segundo o Motley Fool. Em nota citada pelo site, o estrategista Frank Flight, da Citadel Securities, alertou que "o mercado pode estar novamente subestimando a guinada dura do Fed".
Os números na mesa
O quadro é misto. O índice de preços ao consumidor (CPI) recuou 0,4% em junho, levando o acumulado em 12 meses de 4,2% para 3,5%, aponta Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, ao InfoMoney. Já o PCE — o indicador de inflação preferido do Fed — saltou de 3,4% para 4,1% em maio, e o dado de junho só sai nesta quinta (30), um dia depois da decisão. No mercado de trabalho, o payroll registrou a criação de 57 mil vagas, ante expectativa de 115 mil.
O fator Kevin Warsh
Esta é apenas a segunda reunião sob o novo presidente do Fed, e o encontro também testa o estilo dele: Warsh reduziu drasticamente o forward guidance — a sinalização prévia dos próximos passos do banco central —, o que amplia a imprevisibilidade das decisões, observam InfoMoney e IstoÉ Dinheiro. Por isso, a coletiva de imprensa marcada para depois do anúncio deve concentrar as atenções dos investidores.
O Motley Fool pondera, por outro lado, que uma alta agora seria improvável: a inflação de junho desacelerou, as eleições de meio de mandato se aproximam e o presidente Donald Trump defende cortes de juros desde o início do segundo mandato.
O que muda para o Brasil
Juros americanos elevados por mais tempo tendem a fortalecer o dólar ante o real e a pressionar mercados emergentes, além de influenciar expectativas de inflação e custos de financiamento no Brasil, aponta a IstoÉ Dinheiro. O resultado desta quarta chega às vésperas da decisão do Copom, que define a Selic — hoje em 14,25% — na semana que vem, nos dias 4 e 5 de agosto. Para João Debom, juros altos nos EUA reduzem o espaço para cortes por aqui.
Superquarta também nos balanços
O dia ainda concentra resultados de peso: Meta e Microsoft divulgam balanços do segundo trimestre nos EUA, e Santander Brasil, Motiva e Intelbras publicam números por aqui, destaca o InfoMoney. Na véspera, o Ibovespa subiu 0,7%, aos 176.564 pontos, impulsionado pela desaceleração do IPCA-15 de julho.