O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (29) manter a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. O comunicado foi divulgado às 15h (horário de Brasília) e aprovado por 9 votos a 3 — os três dissidentes defendiam alta de 0,25 ponto percentual. É a quinta reunião consecutiva sem alteração na taxa, como lembrou o Suno Notícias.
Votaram contra a manutenção Beth Hammack (Fed de Cleveland), Neel Kashkari (Fed de Minneapolis) e Lorie Logan (Fed de Dallas), que preferiam elevar os juros já neste encontro, segundo o comunicado oficial. O racha não é surpresa: na reunião de junho, metade do comitê já projetava necessidade de alta ainda neste ano, conforme o Suno Notícias.
O que diz o comunicado
No texto, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirma que a atividade econômica americana "está em expansão em ritmo sólido", apesar da incerteza elevada "que se deve, em parte, ao conflito no Oriente Médio". O documento diz ainda que os ganhos de emprego acompanharam a força de trabalho e que a taxa de desemprego pouco mudou.
Sobre os preços, o tom é duro: a inflação "permanece elevada" em relação à meta de 2%, refletindo em parte "choques de oferta que elevaram preços em certos setores, inclusive energia". O comunicado termina com a promessa de que "o Comitê vai entregar estabilidade de preços". Nesta reunião não houve atualização das projeções econômicas dos dirigentes, o que concentra as atenções na entrevista coletiva do presidente do Fed, Kevin Warsh, marcada para as 15h30 de Brasília.
Guerra e petróleo pressionam
A decisão saiu em um cenário incomum. O petróleo acumula alta de cerca de 20% em julho por causa do conflito entre Estados Unidos e Irã e dos riscos à navegação no Estreito de Ormuz, segundo a Kiplinger — pressão que tende a contaminar custos de energia e transporte nos próximos meses.
Ao mesmo tempo, o último dado de inflação deu alívio: o índice de preços ao consumidor (CPI) recuou 0,4% em junho, maior queda mensal desde abril de 2020, com a taxa anual desacelerando de 4,2% para 3,5%, apurou o Suno Notícias. O núcleo, que exclui alimentos e energia, subiu 2,6% — ainda assim, a inflação americana roda acima da meta de 2% há mais de cinco anos.
Warsh entre o mercado e Trump
Esta foi apenas a segunda reunião comandada por Warsh, confirmado no cargo em maio e visto pelo mercado como "hawkish" (inclinado a juros mais altos). Antes do anúncio, os contratos futuros precificavam 64% de chance de manutenção, segundo dados do CME Group citados pelo Suno Notícias; para setembro, a Kiplinger registrava apostas majoritárias em alta de 0,25 ponto.
A pressão política corre no sentido oposto. Na segunda-feira (27), o presidente Donald Trump disse que Warsh é "fantástico", mas reclamou do conselho do Fed, que classificou como "muito político", e voltou a defender que os EUA deveriam ter "a menor taxa de juros do mundo", segundo a Kiplinger.
Por que isso afeta o Brasil
Juros altos nos EUA encarecem o crédito global e influenciam o dólar e o fluxo de capital para países emergentes, o que ajuda a explicar por que a decisão era acompanhada de perto também por investidores brasileiros. A próxima reunião do Fomc está marcada para 15 e 16 de setembro.