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Fed sobe juros pela 1ª vez desde 2023; Copom decide às 18h30

Decisão unânime leva a taxa americana para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, na primeira alta sob Kevin Warsh. No Brasil, mercado espera corte da Selic para 13,75% ainda nesta quarta.

Redação Apuramos

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Alexander Grey/Unsplash — imagem ilustrativa
Alexander Grey/Unsplash — imagem ilustrativa

O Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, elevou nesta quarta-feira (16) a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano. É a primeira alta desde julho de 2023 e a primeira sob o comando de Kevin Warsh, que assumiu a presidência da instituição em maio.

Segundo a Kiplinger, que acompanha a reunião em tempo real, a decisão foi unânime e veio em linha com o que o mercado já esperava. Na véspera, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 94,5% de probabilidade de alta de 0,25 ponto, de acordo com a Exame.

A taxa americana estava parada na faixa de 3,50% a 3,75% desde dezembro. Na reunião de julho, o comitê já havia se dividido: três dirigentes — Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan — votaram por subir os juros naquela ocasião, conforme relatou a Kiplinger.

O que diz o comunicado

O comunicado do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) foi curto. "Embora a incerteza permaneça elevada, em parte devido a acontecimentos geopolíticos, os gastos domésticos têm sido resilientes. O crescimento da produtividade é forte e o investimento em capital é robusto. Os ganhos de emprego acompanharam a força de trabalho, e a taxa de desemprego pouco mudou", diz o texto, reproduzido pela Kiplinger.

Warsh concede entrevista coletiva às 15h30 (horário de Brasília). Analistas ouvidos pela Exame avaliam que a mensagem do presidente do Fed sobre os próximos passos tende a mexer mais com os mercados do que a alta em si, que já estava precificada.

Por que o Fed subiu os juros

A inflação americana está acima da meta de 2% há mais de cinco anos e voltou a preocupar em 2026, pressionada pela alta do petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio, segundo a Reuters, em texto publicado pelo InfoMoney. Nesta quarta, o barril do WTI era negociado perto de US$ 102, de acordo com a Kiplinger.

Os dados recentes reforçaram o cenário. O índice de preços ao consumidor (CPI) de agosto teve a maior alta em quatro meses, e as vendas no varejo cresceram 1,2% no mês, recuperando-se da queda de julho, segundo a Kiplinger. No simpósio de Jackson Hole, no fim de agosto, Warsh já havia dito que o núcleo da inflação precisa caminhar de forma clara e suficientemente rápida para a meta de 2%, conforme a Exame.

O mercado de títulos também pressionava. O rendimento dos Treasuries de 10 anos superou 5% nesta semana, maior nível desde 2007, de acordo com a Exame.

Trump e a pressão por cortes

A alta contraria o presidente Donald Trump, que indicou Warsh para o cargo em janeiro na expectativa de juros mais baixos. No fim de semana, Trump voltou a defender que os EUA deveriam ter "a taxa de juros mais baixa do mundo", e o diretor do Conselho Econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, admitiu que o presidente não ficaria satisfeito com uma elevação, segundo a Exame. De acordo com a Reuters, Trump chegou a ameaçar novas tarifas de importação caso o Fed não reduzisse o custo do crédito.

Copom decide às 18h30

No Brasil, a chamada superquarta ainda não terminou. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia sua decisão por volta das 18h30, e a expectativa majoritária é de um novo corte de 0,25 ponto na Selic, de 14% para 13,75% ao ano, o quinto seguido desde março, segundo a Exame.

Com o Fed subindo e o Copom cortando, o diferencial de juros entre os dois países diminui. "Se as expectativas se confirmarem e a Selic cair 25 pontos-base enquanto o Fed Funds subir 25 pontos-base, o diferencial de juros pode, sim, jogar contra o real", disse à Exame Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue. Alexandre Viotto, da EQI Investimentos, vê o dólar podendo passar de R$ 5,25 a R$ 5,30 nas próximas sessões caso o Fed adote tom mais duro e a incerteza eleitoral aumente.

A próxima reunião do Fed está marcada para 27 e 28 de outubro, a última antes das eleições legislativas de novembro nos EUA.

Fontes consultadas nesta apuração

  • fed
  • juros nos eua
  • kevin warsh
  • copom
  • selic
  • superquarta
  • dólar
  • donald trump

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