Fila por transplante de córnea chega a 37 mil no Brasil
Levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia mostra alta de 15% em seis meses, e tempo médio de espera já passa de um ano.
Redação Apuramos
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Levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia mostra alta de 15% em seis meses, e tempo médio de espera já passa de um ano.
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O número de brasileiros à espera de um transplante de córnea chegou a 37.719 em setembro de 2026, segundo levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) repercutido pela CNN Brasil e pela Agência Brasil neste fim de semana. A fila cresceu 15% em seis meses: em dezembro de 2025 eram 32.639 pacientes aguardando um doador.
O tempo médio de espera por um novo tecido também aumentou. Hoje um paciente espera, em média, 370 dias por uma córnea compatível, mais do que o dobro dos 174 dias registrados há dez anos, de acordo com os dados repassados pelo CBO à Agência Brasil.
Segundo a CNN Brasil, as indicações mais comuns para o transplante são o ceratocone avançado, a ceratopatia bolhosa, a distrofia de Fuchs e opacidades causadas por infecções, traumas ou condições congênitas. Pacientes com perfurações ou infecções graves que não respondem a medicamentos, além de crianças com menos de sete anos e opacidade nos dois olhos, têm prioridade na fila.
"A cirurgia consiste na substituição total ou parcial da córnea comprometida por tecido saudável proveniente de um doador", afirmou o oftalmologista Luiz Brito, chefe do Setor de Córnea do Hospital de Olhos H.Olhos, em entrevista à CNN Brasil. Segundo o médico, o procedimento é indicado quando não existem outras alternativas para recuperar a transparência do tecido. Técnicas mais recentes, como os transplantes lamelares — que substituem apenas a camada afetada — e a ceratoprótese de Boston, usada em casos de rejeições sucessivas, têm ampliado as opções de tratamento.
A doação de córnea só pode ocorrer após a morte e depende da autorização da família. A retirada do tecido é possível em casos de morte encefálica ou parada cardíaca, em até seis horas — prazo que pode chegar a 12 horas se o corpo for mantido refrigerado —, sempre precedida de triagem clínica e exames laboratoriais, informa a reportagem da CNN Brasil. O uso de óculos, lentes de contato, miopia, astigmatismo e hipermetropia não impede a doação.
Apesar da fila crescente, o número de cirurgias também bateu recorde: foram 17.790 transplantes de córnea realizados no Brasil em 2025, ante 17.108 em 2024 e 16.028 em 2023, segundo o CBO. Para a entidade, o descompasso entre oferta e demanda tem várias causas, entre elas a falta de reajuste nos valores pagos pelos procedimentos, sequelas da pandemia de Covid-19 sobre a manutenção dos bancos de olhos, o custo de insumos cotados em dólar e o aumento das exigências para processamento das córneas.
O levantamento também mostra o perfil de quem espera na fila: mulheres são 56% dos pacientes, e pessoas com 65 anos ou mais somam 47% dos candidatos. Crianças e adolescentes são 753 dos pacientes ativos, número que também cresceu em relação a dezembro de 2025.
Os dados expõem ainda uma forte desigualdade regional. Só o estado de São Paulo tem 7.505 pacientes ativos na fila, e Minas Gerais soma 4.532, enquanto Amapá e Roraima não realizaram nenhum transplante de córnea em todo o ano de 2025, de acordo com o levantamento do CBO citado pela Agência Brasil.
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