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PrEP injetável reduz risco de HIV, aponta estudo da Fiocruz

Pesquisa do INI/Fiocruz, publicada na The Lancet HIV com apoio do Ministério da Saúde e da OMS, mostra que a versão injetável da PrEP teve proteção muito superior à da PrEP oral entre jovens de 18 a 30 anos.

Redação Apuramos

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Jair Lázaro/Unsplash — imagem ilustrativa
Jair Lázaro/Unsplash — imagem ilustrativa

Um estudo liderado pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fiocruz, mostrou que a versão injetável da PrEP (profilaxia pré-exposição) reduziu de forma expressiva o risco de infecção pelo HIV em comparação com a PrEP oral, hoje disponível gratuitamente pelo SUS. A pesquisa foi publicada na revista The Lancet HIV em 24 de setembro.

O estudo, batizado de ImPrEP CAB Brasil, acompanhou 1.447 pessoas de 18 a 30 anos — homens gays, outros homens que fazem sexo com homens, pessoas não binárias e mulheres e homens trans — recrutadas entre outubro de 2023 e setembro de 2024 em seis cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Florianópolis, Manaus e Salvador. Segundo o INI/Fiocruz, a pesquisa contou com apoio do Ministério da Saúde, da Unitaid e da Organização Mundial da Saúde.

Do total de participantes, 1.201 (83%) optaram pela versão injetável, o cabotegravir de longa duração (CAB-LA), aplicado a cada dois meses após as doses iniciais. Os outros 246 (17%) escolheram continuar com a PrEP oral diária, segundo o jornal O Tempo.

Ao longo do acompanhamento, que se estendeu até outubro de 2025, o grupo que usou a injeção registrou apenas 3 novas infecções por HIV, equivalente a 0,20 caso por 100 pessoas-ano. Já entre quem usou a PrEP oral no estudo, foram 18 infecções, ou 1,48 caso por 100 pessoas-ano — quase sete vezes mais, segundo dados divulgados pelo Correio Braziliense.

A diferença também aparece na chamada cobertura protetora, que mede a proporção de dias em que a pessoa esteve efetivamente protegida contra o vírus: 90,8% no grupo injetável, contra 35,5% no grupo de PrEP oral. A adesão às aplicações também foi alta — 92% das injeções foram administradas dentro do prazo previsto, de acordo com o INI/Fiocruz.

Para a pesquisadora Beatriz Grinsztejn, que lidera o estudo, os resultados reforçam a importância de oferecer opções aos pacientes. "Empoderar o paciente é a forma mais eficaz de prevenir o HIV", afirmou, segundo o Correio Braziliense, destacando que tanto a PrEP oral quanto a injetável são altamente eficazes quando escolhidas pelo próprio usuário.

O SUS oferece hoje a PrEP oral gratuitamente, em uso diário ou sob demanda. O cabotegravir injetável, comercializado como Vocabria, foi aprovado pela Anvisa em 2023, mas ainda não está disponível na rede pública. A incorporação da versão injetável ao SUS está sob análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), com decisão esperada para outubro de 2026, segundo o Correio Braziliense.

O estudo também chamou atenção para um descompasso no perfil de quem já usa PrEP no Brasil. Segundo levantamento citado pelo Correio Braziliense, o país tinha 153.529 usuários de PrEP oral em abril de 2026, mas 80% desse grupo era formado por homens gays brancos, com mais de 30 anos e alta escolaridade — um perfil distante da população mais afetada por novos casos de HIV, concentrada entre jovens negros.

Pesquisadores do INI/Fiocruz e a CNN Brasil apontaram que fatores como raça, baixa escolaridade e sintomas depressivos graves aumentam o risco de abandono do tratamento, o que reforça a necessidade de estratégias específicas para alcançar esses grupos.

Com os resultados publicados, a expectativa agora é que os dados subsidiem a decisão da Conitec sobre a entrada do cabotegravir injetável no SUS, ampliando as opções de prevenção ao HIV oferecidas pela rede pública.

Fontes consultadas nesta apuração

  • HIV
  • PrEP
  • Fiocruz
  • SUS
  • saúde pública

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