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Foto da PF mostra Lira e Ramagem em rancho de alvo do caso INSS

Imagem de abril de 2023, revelada pela revista piauí, foi encontrada no celular do senador Weverton Rocha; citados negam irregularidades

Redação Apuramos

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Foto da PF mostra Lira e Ramagem em rancho de alvo do caso INSS
Fabian Lozano/Unsplash — imagem ilustrativa

Uma fotografia encontrada pela Polícia Federal no celular do senador Weverton Rocha (PDT-MA) mostra o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) e outros políticos reunidos em torno da piscina de uma propriedade do advogado Willer Tomaz, em Planaltina, no Distrito Federal. A imagem foi revelada neste sábado (8) pela revista piauí e integra o material analisado pelos investigadores da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos aplicados a benefícios do INSS.

Segundo o Metrópoles e a Revista Oeste, o registro é de 23 de abril de 2023 e foi feito no Rancho Tomaz, imóvel do advogado que tem quadras de tênis, campo de minigolfe e acesso à Lagoa Formosa. Nenhum dos políticos que aparecem na foto é investigado por causa dela: a imagem não é citada na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou as buscas da operação, mas está no acervo examinado pela PF.

Quem aparece na imagem

De acordo com a piauí, estão na foto, além de Willer Tomaz e do próprio Weverton, o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), o então ministro das Comunicações Juscelino Filho (PSDB-MA) e os deputados Elmar Nascimento (União-BA) e Paulo Azi (União-BA). O Metrópoles inclui ainda na lista o senador Efraim Filho (PL-PB), hoje candidato ao governo da Paraíba, e contabiliza ao menos sete políticos no grupo.

O encontro teria sido combinado num grupo de WhatsApp chamado "Grupo Seleto", segundo a revista, que diz ter obtido capturas de tela em que os participantes montavam a lista de convidados para o feriado de Tiradentes, dois dias antes da data registrada na fotografia.

O que a PF investiga

Willer Tomaz foi alvo de busca e apreensão na terça-feira (4), em nova fase da Operação Sem Desconto. Weverton não foi alvo dessa etapa; familiares do senador, sim.

A investigação apura uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro ligada ao advogado e a relação financeira entre pessoas e empresas do seu entorno e a família do parlamentar. Segundo os investigadores, empresas relacionadas a Tomaz transferiram mais de R$ 11 milhões a Samya Rocha, mulher do senador. A PF também apura a compra, por R$ 6 milhões, da casa onde Weverton mora no Lago Sul, em Brasília, que teria sido adquirida por uma empresa ligada ao advogado.

Na decisão que autorizou as buscas, conforme o Correio Braziliense, Mendonça descreveu Tomaz como responsável por uma estrutura de apoio que reuniria empresas, imóveis, aeronaves, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos.

O outro lado

Willer Tomaz nega envolvimento nas fraudes e afirma que não figura como investigado na operação. Em nota, disse repudiar a "divulgação de fotografia de sua vida privada, registrada em 2023 durante evento particular em sua propriedade", e sustentou que a imagem foi "vazada ilegalmente do celular do senador Weverton, sem qualquer relação com sua atividade profissional ou com os fatos noticiados". Ao Poder360, afirmou que a mulher do senador atua há anos como associada de seu escritório e que os valores repassados correspondem a honorários documentados e declarados.

Weverton Rocha também nega irregularidades. Disse que as movimentações citadas decorrem de atividades profissionais e empresariais e foram declaradas à Receita Federal. Sobre a foto, afirmou ao Metrópoles que pediu ao STF a apuração do vazamento, que classificou como criminoso, e sustentou que a imagem é de caráter pessoal e não tem relação com a Operação Sem Desconto. Para ele, o episódio busca "distorcer fatos e reputações" e revela "viés político-eleitoral".

Paulo Azi confirmou à piauí que esteve no local: "Não é meu advogado, mas o conheço e fui convidado para essa comemoração." Elmar Nascimento disse ser próximo do advogado, mas afirmou que estava em Tiradentes (MG) naquele fim de semana. Lira, Ramagem e Juscelino Filho não responderam aos pedidos de manifestação da revista nem do Metrópoles. Nenhum dos citados foi denunciado, e todos são presumidos inocentes.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Arthur Lira
  • Alexandre Ramagem
  • Willer Tomaz
  • Weverton Rocha
  • INSS
  • Polícia Federal
  • Operação Sem Desconto
  • Juscelino Filho

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