Foto da PF mostra Lira e Ramagem em rancho de alvo do caso INSS
Imagem de abril de 2023, revelada pela revista piauí, foi encontrada no celular do senador Weverton Rocha; citados negam irregularidades
Redação Apuramos
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Imagem de abril de 2023, revelada pela revista piauí, foi encontrada no celular do senador Weverton Rocha; citados negam irregularidades
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Uma fotografia encontrada pela Polícia Federal no celular do senador Weverton Rocha (PDT-MA) mostra o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) e outros políticos reunidos em torno da piscina de uma propriedade do advogado Willer Tomaz, em Planaltina, no Distrito Federal. A imagem foi revelada neste sábado (8) pela revista piauí e integra o material analisado pelos investigadores da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos aplicados a benefícios do INSS.
Segundo o Metrópoles e a Revista Oeste, o registro é de 23 de abril de 2023 e foi feito no Rancho Tomaz, imóvel do advogado que tem quadras de tênis, campo de minigolfe e acesso à Lagoa Formosa. Nenhum dos políticos que aparecem na foto é investigado por causa dela: a imagem não é citada na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou as buscas da operação, mas está no acervo examinado pela PF.
De acordo com a piauí, estão na foto, além de Willer Tomaz e do próprio Weverton, o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), o então ministro das Comunicações Juscelino Filho (PSDB-MA) e os deputados Elmar Nascimento (União-BA) e Paulo Azi (União-BA). O Metrópoles inclui ainda na lista o senador Efraim Filho (PL-PB), hoje candidato ao governo da Paraíba, e contabiliza ao menos sete políticos no grupo.
O encontro teria sido combinado num grupo de WhatsApp chamado "Grupo Seleto", segundo a revista, que diz ter obtido capturas de tela em que os participantes montavam a lista de convidados para o feriado de Tiradentes, dois dias antes da data registrada na fotografia.
Willer Tomaz foi alvo de busca e apreensão na terça-feira (4), em nova fase da Operação Sem Desconto. Weverton não foi alvo dessa etapa; familiares do senador, sim.
A investigação apura uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro ligada ao advogado e a relação financeira entre pessoas e empresas do seu entorno e a família do parlamentar. Segundo os investigadores, empresas relacionadas a Tomaz transferiram mais de R$ 11 milhões a Samya Rocha, mulher do senador. A PF também apura a compra, por R$ 6 milhões, da casa onde Weverton mora no Lago Sul, em Brasília, que teria sido adquirida por uma empresa ligada ao advogado.
Na decisão que autorizou as buscas, conforme o Correio Braziliense, Mendonça descreveu Tomaz como responsável por uma estrutura de apoio que reuniria empresas, imóveis, aeronaves, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos.
Willer Tomaz nega envolvimento nas fraudes e afirma que não figura como investigado na operação. Em nota, disse repudiar a "divulgação de fotografia de sua vida privada, registrada em 2023 durante evento particular em sua propriedade", e sustentou que a imagem foi "vazada ilegalmente do celular do senador Weverton, sem qualquer relação com sua atividade profissional ou com os fatos noticiados". Ao Poder360, afirmou que a mulher do senador atua há anos como associada de seu escritório e que os valores repassados correspondem a honorários documentados e declarados.
Weverton Rocha também nega irregularidades. Disse que as movimentações citadas decorrem de atividades profissionais e empresariais e foram declaradas à Receita Federal. Sobre a foto, afirmou ao Metrópoles que pediu ao STF a apuração do vazamento, que classificou como criminoso, e sustentou que a imagem é de caráter pessoal e não tem relação com a Operação Sem Desconto. Para ele, o episódio busca "distorcer fatos e reputações" e revela "viés político-eleitoral".
Paulo Azi confirmou à piauí que esteve no local: "Não é meu advogado, mas o conheço e fui convidado para essa comemoração." Elmar Nascimento disse ser próximo do advogado, mas afirmou que estava em Tiradentes (MG) naquele fim de semana. Lira, Ramagem e Juscelino Filho não responderam aos pedidos de manifestação da revista nem do Metrópoles. Nenhum dos citados foi denunciado, e todos são presumidos inocentes.
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