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Gasolina hoje (10/09): Petrobras recua e preço cai R$ 0,19

Estatal corrigiu o comunicado da véspera e informou que o fim do desconto de R$ 0,44 por litro será mais que compensado pelo corte de R$ 0,63 em tributos federais. Governo também criou subsídio de R$ 1 por litro para o diesel.

Redação Apuramos

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engin akyurt/Unsplash — imagem ilustrativa
engin akyurt/Unsplash — imagem ilustrativa

A Petrobras voltou atrás nesta quinta-feira (10) e informou que o preço da gasolina vendida às distribuidoras vai cair, e não subir, com a entrada em vigor do novo pacote do governo federal para conter a alta dos combustíveis. O efeito líquido é de queda de R$ 0,19 por litro em relação ao valor praticado até quarta-feira (9).

Na véspera, a estatal havia comunicado exatamente o contrário: uma elevação de R$ 0,19 por litro. Segundo o Metrópoles, a correção foi divulgada na manhã desta quinta, depois que o decreto de desoneração saiu no Diário Oficial da União.

"Diferentemente do informado anteriormente, a alteração no preço da gasolina da Petrobras nos pontos de venda corresponderá apenas à suspensão do desconto. Para as distribuidoras, o efeito será de redução de R$ 0,19 no preço percebido com tributos", diz o comunicado da companhia.

Entenda a conta. A Petrobras deixou de aplicar, a partir desta quinta, o desconto de R$ 0,44 por litro na gasolina A, benefício que expirou junto com a Medida Provisória nº 1.358/2026. Com isso, o preço médio de venda às distribuidoras passa a R$ 3,05 por litro, conforme informou o Canal Rural com base no comunicado da estatal.

Na direção oposta, um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva reduziu em R$ 0,63 por litro as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina, fazendo a cobrança cair para R$ 0,16 por litro. Como o corte de tributos é maior que o desconto encerrado, sobra uma redução de R$ 0,19.

Para o etanol hidratado, os tributos federais foram temporariamente zerados, o que representa alívio de R$ 0,19 por litro. De acordo com a Agência Brasil, as duas medidas valem de 10 de setembro a 9 de outubro e custam cerca de R$ 2 bilhões por mês.

Vale a ressalva: a gasolina A é o combustível vendido pelas refinarias às distribuidoras, antes da mistura com etanol anidro, dos impostos estaduais e das margens de distribuição e revenda. O repasse ao consumidor na bomba depende de cada elo dessa cadeia e não é automático.

No caso do diesel, uma medida provisória autorizou nova subvenção de R$ 1 por litro do produto rodoviário, paga a produtores e importadores. O valor será regulamentado pelo Ministério da Fazenda e revisado a cada 30 dias, podendo ser alterado, interrompido ou prorrogado. O custo estimado é de R$ 5 bilhões em setembro. O governo também publicou crédito extraordinário de R$ 6,6 bilhões para bancar subvenções a combustíveis, segundo o Metrópoles.

Somadas, as novas medidas custam R$ 7 bilhões por mês, informou o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti. Com a subvenção atual de R$ 1,12 por litro de diesel, que termina em 27 de setembro e custa R$ 5,5 bilhões mensais, o impacto sobre as contas públicas em setembro chega a R$ 12,5 bilhões. No acumulado de 2026, as ações para segurar os combustíveis somam R$ 37,5 bilhões.

"Estamos fazendo uso do espaço fiscal de que dispomos, sem pedir espaço adicional", afirmou Moretti à Agência Brasil. O ministro rejeitou a leitura de que o pacote seja populista: "Essa é uma política de suavização de preço, de mitigação dos efeitos da guerra sobre os preços de derivado."

O secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, disse que o governo espera mais de R$ 10 bilhões em receitas extraordinárias de petróleo para financiar as desonerações.

O pano de fundo é a escalada do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio. O barril do tipo Brent, referência internacional, fechou a US$ 101,21 na quarta-feira, em alta de 3,36%. Segundo o governo, durante o conflito o diesel caiu 6% no Brasil, enquanto subiu 25% na Alemanha — ainda assim, os preços brasileiros seguem acima dos níveis anteriores à guerra.

Fontes consultadas nesta apuração

  • gasolina
  • petrobras
  • combustiveis
  • pis-cofins
  • diesel
  • etanol
  • lula

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