O Supremo Tribunal Federal (STF) viveu nesta quinta-feira (17/09) um novo capítulo de crise interna. O ministro Gilmar Mendes voltou a atacar publicamente o colega André Mendonça, chamando-o de "boneco de campanha" e "pixuleco eleitoral".
O estopim foi a decisão de Mendonça de retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens trocadas entre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master — instituição cuja liquidação abriu um rombo de R$ 52 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo o Poder360, Gilmar publicou a crítica em sua conta no X na manhã desta quinta.
"Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele", escreveu o ministro, segundo o Poder360. Para ele, "quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral".
Gilmar também comparou a atuação de Mendonça à Operação Lava Jato: "Na Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sergio Moro transformaram vazamento seletivo em método", afirmou, de acordo com o veículo. Ele encerrou a publicação manifestando "integral solidariedade" a Gonet.
O racha tem origem numa sessão tensa do STF em 15 de setembro, quando os dois ministros trocaram acusações em plenário, e ganhou novo fôlego nesta quinta, quando Gilmar publicou outra manifestação questionando a decisão da 2ª Turma que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também por decisão de Mendonça — segundo o Poder360.
Mendonça respondeu em nota ao Poder360, divulgada às 9h56. Disse que "levantou o sigilo de procedimento específico, em decisão fundamentada e nos estritos limites" do processo e negou ter transformado o STF em "palanque". Classificou como "no mínimo curioso" a crítica partir de Gilmar, "que sempre pleiteou publicidade irrestrita" das decisões da Corte, e defendeu a adoção de um código de conduta para os ministros, afirmando que "o momento reclama serenidade, respeito às instituições e apego às normas".
O afastamento de Andrei Rodrigues, determinado por Mendonça em 8 de setembro, também opõe os ministros. Segundo o Migalhas, o relator alegou que a cúpula da Polícia Federal promoveu "monitoramento sistemático" dele próprio por mais de 30 dias, o que classificou como espionagem ilegal contra um ministro do STF. O colegiado da 2ª Turma já formou maioria pelo afastamento — com votos de Mendonça, do presidente Luiz Fux e de Nunes Marques —, mas o julgamento foi suspenso depois que Gilmar pediu vista; o ministro Dias Toffoli ainda não votou.
Os atritos ocorrem a poucas semanas do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 e reforçam a percepção de uma Corte dividida em plena disputa eleitoral, com ministros trocando acusações públicas sobre o uso político de decisões judiciais.