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Greve dos Correios (11/09): entregas param em todo o país

Sindicatos de todos os estados aderiram à paralisação por tempo indeterminado depois que a negociação no TST terminou sem acordo. O plano de saúde dos empregados é o principal impasse.

Redação Apuramos

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Claudio Schwarz/Unsplash — imagem ilustrativa
Claudio Schwarz/Unsplash — imagem ilustrativa

Os trabalhadores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado nesta sexta-feira (11), com adesão de sindicatos de todos os estados do país. A informação é da Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect) e foi divulgada pelo g1.

As assembleias que aprovaram a paralisação ocorreram na noite de quinta-feira (10), depois que a tentativa de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST) terminou sem acordo. Segundo a Findect, a decisão "marca uma nova etapa da Campanha Salarial, após as negociações terminarem sem acordo".

O que para e o que continua

O tamanho do impacto varia conforme a adesão em cada região. Na Paraíba, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos (Sintect-PB), Tony Sérgio, afirmou ao g1 que apenas os serviços administrativos internos seguem funcionando durante a paralisação.

Ainda não há informação consolidada sobre o funcionamento de agências, centros de triagem e entregas nas demais unidades da federação. Até a última atualização das reportagens consultadas, os Correios não haviam se manifestado publicamente sobre a greve.

Plano de saúde é o nó da negociação

O principal impasse é a assistência médica dos empregados. Segundo a Findect, a direção da empresa informou que pretende deixar de ser mantenedora do modelo atual, operado pela Postal Saúde, e apresentou como alternativa um benefício por meio de operadora contratada, com adesão facultativa, mensalidade e coparticipação dos beneficiários.

A federação também rejeita a proposta salarial. Para os benefícios com impacto financeiro, os Correios ofereceram aplicar apenas 20% do INPC acumulado entre agosto de 2025 e julho de 2026 — o que, pelo cálculo apresentado na mesa de negociação, deixaria o reajuste do vale-alimentação e dos demais benefícios abaixo de 1%.

Outro ponto de atrito é a Cláusula 75, da gratificação de férias: a empresa propôs extinguir o pagamento de 70% previsto no acordo coletivo anterior.

Em Minas Gerais, o Sintect-MG acrescenta à lista de críticas o fim da remuneração de 200% pelo trabalho em dias de repouso e a retirada do ticket extra pago no fim do ano. Conforme o Metrópoles, o sindicato convocou ato às 10h desta sexta em frente ao prédio central dos Correios, na Avenida Afonso Pena, no Centro de Belo Horizonte.

Greve chega em meio a crise financeira

A paralisação ocorre num momento delicado para a estatal. Conforme o g1, os Correios acumulam 15 trimestres consecutivos no vermelho e fecharam o primeiro semestre de 2026 com prejuízo de R$ 5,6 bilhões.

O resultado do segundo trimestre, porém, foi menor que o dos dois trimestres anteriores, o que indica um movimento inicial de recuperação depois do prejuízo recorde registrado no começo do ano.

A empresa espera um novo empréstimo de R$ 7 bilhões até 15 de setembro. Segundo apurou o g1, os recursos devem vir de um consórcio formado por Citibank, J.P. Morgan, Deutsche Bank e Banrisul — modelo semelhante ao adotado no fim do ano passado, quando a estatal captou R$ 12 bilhões. O aporte já constava das demonstrações financeiras do primeiro semestre, divulgadas no fim de agosto.

Quem espera encomenda deve se preparar para atraso

Não há prazo para o fim do movimento: a greve foi aprovada por tempo indeterminado. Quem aguarda entrega deve acompanhar o rastreamento no site e no aplicativo dos Correios e considerar folga nos prazos, sobretudo em envios com data marcada.

O histórico recente recomenda cautela. A greve anterior da categoria só foi encerrada no fim de dezembro de 2025, após o julgamento do dissídio coletivo pelo TST, e as entregas levaram semanas para voltar ao normal — em meados de janeiro, segundo a Band, a empresa ainda falava em "normalização" do fluxo de encomendas acumuladas.

Esta matéria será atualizada conforme os Correios e as entidades sindicais divulgarem novas informações.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Correios
  • greve
  • Findect
  • TST
  • encomendas
  • entregas
  • plano de saúde

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