Os trabalhadores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado nesta sexta-feira (11), com adesão de sindicatos de todos os estados do país. A informação é da Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect) e foi divulgada pelo g1.
As assembleias que aprovaram a paralisação ocorreram na noite de quinta-feira (10), depois que a tentativa de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST) terminou sem acordo. Segundo a Findect, a decisão "marca uma nova etapa da Campanha Salarial, após as negociações terminarem sem acordo".
O que para e o que continua
O tamanho do impacto varia conforme a adesão em cada região. Na Paraíba, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos (Sintect-PB), Tony Sérgio, afirmou ao g1 que apenas os serviços administrativos internos seguem funcionando durante a paralisação.
Ainda não há informação consolidada sobre o funcionamento de agências, centros de triagem e entregas nas demais unidades da federação. Até a última atualização das reportagens consultadas, os Correios não haviam se manifestado publicamente sobre a greve.
Plano de saúde é o nó da negociação
O principal impasse é a assistência médica dos empregados. Segundo a Findect, a direção da empresa informou que pretende deixar de ser mantenedora do modelo atual, operado pela Postal Saúde, e apresentou como alternativa um benefício por meio de operadora contratada, com adesão facultativa, mensalidade e coparticipação dos beneficiários.
A federação também rejeita a proposta salarial. Para os benefícios com impacto financeiro, os Correios ofereceram aplicar apenas 20% do INPC acumulado entre agosto de 2025 e julho de 2026 — o que, pelo cálculo apresentado na mesa de negociação, deixaria o reajuste do vale-alimentação e dos demais benefícios abaixo de 1%.
Outro ponto de atrito é a Cláusula 75, da gratificação de férias: a empresa propôs extinguir o pagamento de 70% previsto no acordo coletivo anterior.
Em Minas Gerais, o Sintect-MG acrescenta à lista de críticas o fim da remuneração de 200% pelo trabalho em dias de repouso e a retirada do ticket extra pago no fim do ano. Conforme o Metrópoles, o sindicato convocou ato às 10h desta sexta em frente ao prédio central dos Correios, na Avenida Afonso Pena, no Centro de Belo Horizonte.
Greve chega em meio a crise financeira
A paralisação ocorre num momento delicado para a estatal. Conforme o g1, os Correios acumulam 15 trimestres consecutivos no vermelho e fecharam o primeiro semestre de 2026 com prejuízo de R$ 5,6 bilhões.
O resultado do segundo trimestre, porém, foi menor que o dos dois trimestres anteriores, o que indica um movimento inicial de recuperação depois do prejuízo recorde registrado no começo do ano.
A empresa espera um novo empréstimo de R$ 7 bilhões até 15 de setembro. Segundo apurou o g1, os recursos devem vir de um consórcio formado por Citibank, J.P. Morgan, Deutsche Bank e Banrisul — modelo semelhante ao adotado no fim do ano passado, quando a estatal captou R$ 12 bilhões. O aporte já constava das demonstrações financeiras do primeiro semestre, divulgadas no fim de agosto.
Quem espera encomenda deve se preparar para atraso
Não há prazo para o fim do movimento: a greve foi aprovada por tempo indeterminado. Quem aguarda entrega deve acompanhar o rastreamento no site e no aplicativo dos Correios e considerar folga nos prazos, sobretudo em envios com data marcada.
O histórico recente recomenda cautela. A greve anterior da categoria só foi encerrada no fim de dezembro de 2025, após o julgamento do dissídio coletivo pelo TST, e as entregas levaram semanas para voltar ao normal — em meados de janeiro, segundo a Band, a empresa ainda falava em "normalização" do fluxo de encomendas acumuladas.
Esta matéria será atualizada conforme os Correios e as entidades sindicais divulgarem novas informações.