O Exército do Kuwait afirmou neste sábado (1º) ter detectado e destruído drones hostis que entraram no espaço aéreo do país durante a madrugada, em um ataque que atribuiu ao Irã. Horas depois, a embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém pediu que americanos "reconsiderem seriamente viagens para a região e por ela", citando o aumento das tensões no Oriente Médio.
Os dois episódios ocorrem no mesmo dia em que um petroleiro foi atingido no Estreito de Ormuz e enquanto veículos americanos relatam que Washington e Tel Aviv preparam uma nova campanha de bombardeios contra a infraestrutura de energia iraniana, possivelmente ainda neste fim de semana.
O que o Kuwait informou
Segundo o porta-voz do Ministério da Defesa kuwaitiano, coronel Saud Al-Atwan, em declarações reproduzidas pelo jornal Gulf News, as defesas antiaéreas responderam à aproximação dos drones ao amanhecer. O ataque teria mirado "vários locais vitais", entre eles uma instalação do governo no norte do país e veículos civis de uma empresa privada na Ilha de Bubiyan.
A queda de destroços causou danos materiais, mas não houve feridos, afirmou o porta-voz. As Forças Armadas kuwaitianas disseram permanecer em alerta máximo. Mais cedo, ainda de acordo com despachos da Reuters publicados pelo jornal israelense Haaretz, o Exército do país informou que suas defesas estavam interceptando mísseis iranianos.
O Kuwait abriga bases militares americanas e tem sido alvo recorrente de retaliações iranianas desde o início do conflito. Não houve, até a publicação desta reportagem, confirmação oficial de Teerã sobre a autoria dos ataques deste sábado.
Petroleiro atingido em Ormuz
Ainda neste sábado, o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) informou que um petroleiro foi atingido por um "projétil desconhecido" no Estreito de Ormuz, na costa de Omã, a cerca de 20 quilômetros a nordeste da localidade de Lima. A sala de máquinas do navio ficou danificada, mas não houve feridos nem danos ambientais, segundo o órgão, em relato distribuído pela agência alemã DPA.
Horas mais tarde, o mesmo UKMTO registrou um segundo incidente: o comandante de outro petroleiro relatou ter visto uma grande coluna d'água e uma explosão nas proximidades da embarcação, a 21 milhas náuticas a nordeste de Khasab, também em Omã. Nesse caso, não foram reportados danos.
O Irã exige que os navios usem uma rota junto ao seu litoral para atravessar o estreito e afirma que apenas o caminho designado por Teerã é seguro. A passagem responde por cerca de 20% do petróleo transportado no mundo.
O plano de bombardeio e a ameaça iraniana
O pano de fundo é a informação divulgada na sexta-feira (31) pela emissora americana CBS News, segundo a qual Estados Unidos e Israel preparam uma das mais duras campanhas de bombardeio já realizadas contra alvos de energia no Irã — usinas e refinarias estariam entre os objetivos. De acordo com a CBS, o presidente Donald Trump ainda não havia dado a ordem final, e houve discussão sobre concluir a operação antes da abertura dos mercados financeiros na segunda-feira (3), por temor de impacto no preço do petróleo.
Em nota à CBS, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que "os Estados Unidos vão vencer, e o Irã não terá uma arma nuclear" sob o governo Trump. O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, disse que a pasta não comentaria alvos antes de uma decisão presidencial.
Do lado iraniano, um alto funcionário de segurança declarou à agência estatal Tasnim que Teerã considera os relatos "uma forma de imprudência" e afirmou que o país "preparou um plano abrangente de resposta", que incluiria infraestrutura crítica de Israel e instalações de energia dos EUA na região.
Alerta a viajantes
No comunicado, a embaixada americana em Jerusalém orientou os cidadãos que já estão no Oriente Médio a "ter cautela e vigilância redobrada" e a se preparar para cancelamentos de voos, fechamentos periódicos de espaço aéreo e outras interrupções de viagem.