Hamas aceita 2ª fase do plano de paz e cobra pressão sobre Israel
Grupo comunicou posição ao Conselho de Paz de Trump neste sábado (8); Netanyahu diz que Israel não aceitou o rascunho do acordo
Redação Apuramos
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Grupo comunicou posição ao Conselho de Paz de Trump neste sábado (8); Netanyahu diz que Israel não aceitou o rascunho do acordo
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O grupo palestino Hamas comunicou formalmente neste sábado (8) ao Conselho de Paz — órgão criado e presidido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — que segue disposto a executar a fase final do plano de paz para a Faixa de Gaza, etapa que prevê a entrega de suas armas. Ao mesmo tempo, o grupo cobrou de Washington pressão sobre Israel, que até agora não aceitou os termos dessa etapa.
"O Hamas e outras facções confirmaram aos mediadores sua disposição de começar a aplicar o acordo e passar à segunda fase, desde que recebam a aprovação israelense e que Israel comece a implementar o acordo", disse à agência AFP uma autoridade do grupo palestino, sob condição de anonimato. Segundo a mesma fonte, o Hamas "insta a administração americana a exercer pressão sobre Israel para obrigá-lo a cumprir o acordo e passar à segunda fase".
Pelo desenho da proposta, as armas seriam entregues a um comitê palestino de governo que atuaria no território — e não a Israel nem a qualquer outra parte não palestina.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou na terça-feira que Israel não havia aceitado o "rascunho" apresentado pelo Conselho de Paz. Netanyahu disputa a reeleição em outubro e enfrenta resistência de sua base à direita ao acordo sobre Gaza.
O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, foi além: disse que o texto divulgado é "completamente diferente" do que o governo israelense havia aprovado e pediu nova votação imediata, conforme registrou a Al Jazeera. Antes disso, o gabinete de Netanyahu já havia declarado que a versão tornada pública "não reflete as posições de Israel".
Na semana passada, Trump celebrou como avanço a aceitação do desarmamento pelo Hamas, e o Conselho de Paz indicou que Israel faria, em paralelo, uma retirada gradual de boa parte de Gaza.
O impasse apareceu logo em seguida. Depois de se reunir em Jerusalém Ocidental com Netanyahu, o alto representante do Conselho de Paz para Gaza, Nickolay Mladenov, declarou que a retirada das tropas israelenses para além da chamada "Linha Amarela" só ocorrerá quando o desarmamento estiver concluído — regra que valeria para armas leves, armas pesadas e a rede de túneis. O Hamas, por sua vez, sustenta que não executará nenhuma etapa enquanto Israel não cumprir a parte dele.
O roteiro da segunda fase foi fechado por mediadores de Egito, Catar, Turquia e Estados Unidos e anunciado por Trump no fim de julho. Segundo o detalhamento divulgado pelo Conselho de Paz e reproduzido pela Al Jazeera, o plano prevê um inventário das armas em até 14 dias, um comitê nacional palestino como único responsável por guardar o armamento e uma comissão internacional de verificação.
A supervisão ficaria a cargo de uma Força Internacional de Estabilização, que também treinaria uma nova polícia palestina. A etapa inicial teria como alvo o armamento pesado, depósitos, locais de produção e os túneis. A desmilitarização, segundo autoridades ligadas ao processo, levaria entre 200 e 300 dias.
Egito, Catar e Turquia — os países mediadores — divulgaram nota conjunta na semana passada em que classificaram ataques israelenses contra civis e unidades de saúde como "flagrante violação do direito internacional".
As operações militares israelenses continuam em Gaza, embora aparentem ter perdido intensidade nos últimos dias, segundo a AFP. Neste sábado, o hospital Nasser, em Khan Yunis, informou que três pessoas ficaram feridas por disparos do Exército de Israel.
Desde o cessar-fogo intermediado por Trump, em outubro do ano passado, as operações israelenses mataram 1.257 palestinos, de acordo com o Ministério da Saúde do território — pasta que funciona sob autoridade do Hamas e cujos números são considerados confiáveis pela ONU. No mesmo período, o Exército israelense relatou cinco mortos em suas fileiras.
O Conselho de Paz foi criado por Trump em janeiro para supervisionar a administração de Gaza no pós-guerra e é citado na Resolução 2803 do Conselho de Segurança da ONU. Sua composição e seu alcance são alvo de críticas de governos europeus e de organizações palestinas, que temem a sobreposição do colegiado às instâncias da própria ONU.
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