Um ataque com mísseis balísticos e drones lançado pelos rebeldes houthis atingiu na manhã deste domingo (9) o porto de Moca, no sudoeste do Iêmen, a poucos quilômetros do estreito de Bab el-Mandeb. Os balanços iniciais divulgados por agências internacionais falam em ao menos sete mortos e dezenas de feridos, mas os números variam conforme a fonte.
A instalação fica na província de Taiz e está sob controle do governo iemenita reconhecido internacionalmente, sediado em Áden. É, segundo a agência espanhola Europa Press, a maior estrutura portuária que ainda permanece em poder do governo.
Balanços divergem entre as agências
A agência turca Anadolu e a Europa Press relataram sete mortos e cerca de 35 feridos, com base em fontes médicas ouvidas pela emissora estatal Saba TV e em um porta-voz militar que falou à Al Jazeera. A Resistência Nacional do Iêmen, milícia aliada ao governo em Taiz, detalhou que entre os mortos estão quatro militares e três civis, e reduziu o número provisório de feridos para 15.
A agência chinesa Xinhua informou pelo menos oito mortos — quatro civis e quatro militares — e cerca de 32 feridos, segundo uma fonte médica local que pediu para não ser identificada.
Já o governo iemenita apresentou um balanço mais alto. Em declarações reproduzidas pela agência oficial Saba e recolhidas pela agência espanhola EFE, o ministro dos Transportes, Mohsen al Amiri, afirmou que os ataques contra o porto e a cidade de Moca deixaram ao menos 14 mortos, entre eles dez civis, e cerca de 50 feridos. Segundo o ministro, a instalação foi alvo de pelo menos 25 mísseis e drones.
O diretor do porto, Abdulmalik al Sharabi, disse à Xinhua que os rebeldes lançaram dezenas de drones e que cerca de 25 atingiram áreas econômicas, alojamentos de funcionários e um galpão da alfândega. O Ministério dos Transportes iemenita afirmou que a infraestrutura sofreu "graves danos" e que elevou o nível de prontidão em portos, aeroportos e passagens de fronteira nas áreas sob seu controle.
O que dizem os houthis
Os houthis assumiram a autoria do ataque. Em comunicado divulgado em rede social e reproduzido pela Xinhua, o porta-voz militar do grupo, Yahya Sarea, descreveu uma "operação militar de larga escala" com mísseis balísticos e drones contra concentrações de tropas e depósitos de armas de forças apoiadas pela Arábia Saudita na área de Moca. Ele afirmou que a ação causou "destruição generalizada" de equipamento militar e deixou dezenas de mortos e feridos, incluindo sauditas.
Segundo o porta-voz, o ataque responde à mobilização militar apoiada pelos sauditas e a ofensivas recentes contra posições houthis na costa oeste do país e na província de Taiz. À Europa Press, o grupo também justificou a ação como retaliação a ataques do Exército iemenita contra a cidade portuária de Hodeida, sob controle rebelde.
O governo iemenita contesta a versão. O ministro dos Transportes afirmou que os alvos foram instalações civis e econômicas, e não militares, e acusou o grupo de tentar agravar a crise humanitária no país.
Governo acusa o Irã
O presidente do Conselho de Liderança Presidencial do Iêmen, Rashad al Alimi, atribuiu a ordem do ataque ao Irã, principal aliado dos houthis. "O ocorrido é uma extensão da estratégia de escalada iraniana, que atenta contra instalações econômicas, rotas marítimas e interesses dos países da região", disse, em declarações reproduzidas pela Europa Press. Não houve manifestação pública de Teerã sobre a acusação até a publicação desta reportagem.
O ministro da Informação, Moammar al Eryani, classificou o bombardeio como uma "escalada de extrema gravidade" e afirmou que a ameaça representada pelo grupo já não se limita ao território iemenita, mas atinge a liberdade de navegação e o comércio no Mar Vermelho.
Por que Moca importa
Moca é uma cidade portuária histórica que fica junto ao estreito de Bab el-Mandeb, passagem estreita que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e funciona como um dos principais gargalos do comércio marítimo global — é por ali que passa boa parte da navegação com destino ao Canal de Suez.
O ataque ocorreu no mesmo dia em que os houthis reivindicaram uma ofensiva com drone contra uma refinaria da estatal saudita Aramco em Jizan, no sudoeste da Arábia Saudita. O Ministério de Energia saudita informou que equipes de segurança industrial controlaram um incêndio em uma das instalações, sem registro de feridos.
A escalada se intensificou nas últimas semanas. Em 20 de julho, os houthis anunciaram um bloqueio marítimo a embarcações ligadas à Arábia Saudita no Mar Vermelho, alegando um cerco saudita a áreas sob seu controle. O Iêmen está em guerra desde o fim de 2014, quando os rebeldes tomaram boa parte do norte do país, incluindo a capital, Saná; uma coalizão liderada pela Arábia Saudita interveio no conflito em 2015 em apoio ao governo reconhecido internacionalmente.