Os rebeldes houthis do Iêmen reivindicaram neste domingo (9) um ataque com drone contra a refinaria da Saudi Aramco em Jazan, no sudoeste da Arábia Saudita, horas depois de o governo saudita informar que um incêndio na unidade havia sido controlado. Não houve feridos, segundo o Ministério da Energia do país.
O porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, afirmou em publicação no X que os insurgentes "conseguiram atacar a refinaria da Aramco em Jazan com um drone, e o ataque foi preciso". Segundo ele, a ação respondeu a incursões sauditas no noroeste do Iêmen — nas províncias de Saada e Hajjah, de acordo com o jornal emiradense The National.
O que diz a Arábia Saudita
Em nota publicada no X, o Ministério da Energia saudita informou que as equipes de segurança industrial e combate a incêndio da própria Aramco apagaram um fogo que começou "ao amanhecer deste domingo" em uma das instalações da refinaria de Jazan, sem registro de feridos. "As autoridades competentes estão concluindo os procedimentos necessários para lidar com o incidente", acrescentou o texto.
O ministério não informou a causa do incêndio nem detalhou eventuais danos materiais. Procurada, a Aramco não comentou o episódio; segundo o The National, o presidente-executivo da empresa, Amin Nasser, já havia se recusado a falar sobre o que classificou como incidentes militares e de segurança.
Uma refinaria já atingida em julho
A unidade de Jazan fica no litoral do mar Vermelho, perto da fronteira com o Iêmen, processa cerca de 400 mil barris de petróleo bruto por dia e produz derivados como gasolina e diesel de baixíssimo teor de enxofre.
Não é a primeira vez que ela é alvo. Em 27 de julho, a Aramco paralisou a refinaria depois de um ataque atribuído aos houthis que danificou o complexo de gaseificação integrada (IGCC) e a área do parque de tanques, segundo relatório da consultoria IIR ao qual a agência Reuters teve acesso. Na ocasião, o grupo disse ter atingido instalações da estatal em Jazan e em Yanbu.
Na semana passada, Nasser afirmou que os ataques recentes provocaram algumas interrupções de produção, mas sem impacto operacional ou financeiro relevante, e disse que a companhia consegue recuperar instalações danificadas "seis vezes mais rápido que a média do setor".
Relatos não confirmados em Jubail
Em paralelo, veículos da região relataram uma forte explosão em Jubail, polo industrial no leste do país. A agência turca Anadolu noticiou o estrondo, e a emissora estatal iraniana IRIB, citando fontes árabes, afirmou que instalações de gás da cidade industrial teriam sido atingidas e pegado fogo. O canal israelense Channel 14 atribuiu a ação aos houthis.
Não há confirmação oficial saudita sobre o episódio em Jubail nem comprovação de ligação com o incêndio em Jazan.
O pano de fundo
O ataque ocorre dois dias depois de a Arábia Saudita assinar, na sexta-feira (7), um pacto de defesa com Turquia e Paquistão, que prevê que uma agressão armada contra um dos três países seja tratada como agressão contra todos. O chanceler turco, Hakan Fidan, disse que a aliança não é dirigida contra o Irã nem contra qualquer outro país.
No mês passado, os houthis — alinhados a Teerã — declararam um bloqueio naval à navegação ligada à Arábia Saudita no mar Vermelho, em resposta ao que chamam de cerco saudita ao Iêmen, acusação que Riad nega. Segundo a Reuters, o Irã e grupos armados aliados vêm atacando a Arábia Saudita e outros países do Golfo desde 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel bombardearam o território iraniano.
Na sexta-feira, um ataque houthi à região saudita de Najran, na fronteira com o Iêmen, deixou pelo menos 11 civis feridos. No sábado, o Exército do governo iemenita anunciou uma operação contra posições dos rebeldes, em retaliação a ofensivas nas províncias de Marib e Hadramaut que mataram ao menos três soldados, informou a agência Europa Press.