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Houthis tomam Moca e avançam sobre Bab el-Mandeb; Brent a US$ 105

Rebeldes iemenitas apoiados pelo Irã dominaram a cidade portuária no Mar Vermelho e a Ilha de Zuqar, e agora miram o estreito por onde passa parte do comércio marítimo global. O petróleo Brent saltou para US$ 105 o barril.

Redação Apuramos

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Max/Unsplash — imagem ilustrativa
Max/Unsplash — imagem ilustrativa

Os rebeldes houthis tomaram nesta quinta-feira (10) o controle de Moca (Mokha), cidade portuária do Iêmen no Mar Vermelho, e avançam em direção ao Estreito de Bab el-Mandeb, uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo. A informação foi atribuída a uma fonte militar iemenita pela Euronews; o Metrópoles registrou que fontes militares do governo deram o mesmo relato à agência Reuters.

Testemunhas contaram à Euronews ter visto combatentes houthis entrando na cidade aos gritos de "morte à América, morte a Israel". O governo do Iêmen, reconhecido internacionalmente, ainda não confirmou publicamente a queda de Moca.

A mesma fonte militar afirmou que o grupo também tomou a Ilha de Zuqar, no sul do Mar Vermelho, depois de ataques com foguetes e de um assalto terrestre feito com barcos que transportavam combatentes. Moca estava sob bombardeio desde o início de agosto, quando mais de 25 mísseis atingiram a cidade em poucos dias e paralisaram as operações do porto.

Por que Bab el-Mandeb importa

O estreito — "portão das lágrimas", em árabe — liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e integra a rota que leva ao Canal de Suez, conectando a Ásia à Europa. Somados aos de Ormuz, os embarques que passam por ali respondem por um quarto do transporte diário de petróleo e derivados e por quase um terço de todo o comércio marítimo do planeta, segundo a Euronews.

Os houthis controlam cerca de um terço do território iemenita, justamente as áreas mais densamente povoadas. Eles não dominam o trecho de litoral que dá para o estreito, mas já mantinham posições a menos de 100 quilômetros dali — e Moca encurta ainda mais essa distância.

Os próximos alvos militares do grupo, informa a Euronews, seriam a cidade costeira de Dhubab e a Ilha de Perim, formação vulcânica que fica no meio do estreito e o divide em dois canais de navegação.

Em meados de agosto, o major-general Sadeq Duwaid, porta-voz das Forças de Resistência Nacional ligadas ao governo iemenita, já havia alertado que o cerco a Moca era uma manobra para estabelecer presença nas margens do Bab el-Mandeb e "transformar a área em uma situação semelhante à do Estreito de Ormuz".

Petróleo salta para US$ 105

O avanço empurrou o petróleo para cima. Segundo reportagem da Bloomberg publicada pelo InfoMoney, o Brent chegou a US$ 105 o barril nesta quinta-feira, estendendo a alta que havia levado os contratos futuros de volta à casa dos três dígitos na véspera, pela primeira vez desde julho. No ano, a commodity acumula valorização de mais de 70%, ainda assim abaixo do pico de US$ 126 registrado em abril.

A mesma reportagem informa que a Arábia Saudita alertou que sua produção de petróleo bruto caiu no mês passado ao menor nível desde 1990. "A alta dos preços do petróleo será uma preocupação antes das eleições de meio de mandato", disse à Bloomberg Warren Patterson, chefe de estratégia de commodities do ING. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a guerra só deve terminar depois do pleito de novembro.

Como o conflito voltou

Formalmente chamado de Ansar Allah, o grupo chegou ao poder no fim de 2014, ao tomar Sanaa e forçar o governo iemenita ao exílio. Uma trégua mediada pela ONU em abril de 2022 interrompeu boa parte dos combates, mas nunca resultou em acordo político duradouro.

As hostilidades voltaram em julho, quando os houthis autorizaram o pouso de um avião iraniano em desafio ao controle saudita do espaço aéreo do Iêmen, e Riad retaliou bombardeando o aeroporto. Na semana passada, o grupo lançou uma ofensiva em larga escala contra as forças do governo apoiadas pela Arábia Saudita.

Nesta quinta, a agência houthi Saba afirmou que a aviação saudita realizou cerca de 40 ataques nas províncias de Taiz, Hodeida, Al-Jawf e Marib. Desde a semana passada, os combates no Iêmen já deixaram mais de 500 mortos, a maioria combatentes, de acordo com levantamento da AFP citado pela Euronews.

Fontes consultadas nesta apuração

  • houthis
  • iemen
  • bab el-mandeb
  • mar vermelho
  • petroleo
  • brent
  • arabia saudita
  • ira

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