O iFood anunciou nesta quarta-feira (16) que vai investir R$ 24 bilhões no Brasil ao longo do seu ano fiscal, que vai de abril de 2026 a março de 2027. O valor é 41% maior que o do ciclo anterior, quando a empresa aportou R$ 17 bilhões, e foi apresentado na abertura do iFood Move 2026, evento voltado a restaurantes, varejo e conveniência realizado nesta quarta e quinta-feira (17), no São Paulo Expo.
Segundo o Correio Braziliense, o dinheiro será dividido em quatro frentes: fortalecimento dos restaurantes parceiros, expansão para novas categorias (supermercados, farmácias, pet shops e lojas de varejo), tecnologia própria com inteligência artificial e soluções para além do delivery, incluindo a fintech iFood Pago.
Só a frente de tecnologia e inovação vai receber mais de R$ 2 bilhões. O foco é o desenvolvimento de agentes de IA e a evolução do Large Commerce Model (LCM), modelo de inteligência artificial generativa criado pelo iFood em parceria com a Prosus. De acordo com o Seu Dinheiro, que publicou informações do Estadão Conteúdo, o sistema aprende com cliques, buscas, compras, cancelamentos e avaliações dos usuários para interpretar a intenção de compra e gerar notificações e recomendações mais precisas.
Ainda segundo o Seu Dinheiro, outros R$ 10 bilhões vão para a entrega de restaurantes somada às novas verticais, e cerca de R$ 5 bilhões para o iFood Pago. A empresa também aposta no iFood Turbo, serviço de entrega rápida com logística otimizada nas grandes cidades.
Ao Broadcast, o CEO do iFood, Diego Barreto, disse que os resultados da entrada em farmácias e mercados foram muito expressivos. "Estamos dobrando a aposta nesses dois segmentos. Nós já somos líderes digitais neles e queremos acelerar mais ainda esse processo", afirmou. Nos últimos oito meses, a empresa também testou pedidos de conveniência, pet shop e presenteáveis, com resultados que considerou relevantes.
Para os restaurantes, o pacote inclui ferramentas de digitalização da gestão e integração entre o pedido on-line e o salão, como reserva de mesas, cashback e descontos no atendimento presencial, com o objetivo de reduzir a ociosidade nos horários de menor movimento.
No iFood Pago, a prioridade é o crédito para pequenos e médios restaurantes, que representam mais de 70% da base de parceiros. Pesquisa da Ipsos citada pelo Correio Braziliense aponta que 79% dos estabelecimentos que usaram o crédito relataram impacto positivo, 77% disseram que ele ajudou o negócio a crescer e mais de 63% afirmaram que não haviam conseguido crédito em bancos tradicionais.
Hoje, segundo a empresa, a plataforma reúne 65 milhões de consumidores ativos, 500 mil estabelecimentos parceiros, mais de 180 milhões de pedidos por mês e 600 mil entregadores conectados. Com o aumento de pedidos, a previsão é de crescimento de quase 20% na renda total gerada para os entregadores. Levantamento da Fipe indica que o ecossistema do iFood movimentou R$ 167 bilhões na economia em 2025, o equivalente a 0,70% do PIB, e gerou 1,18 milhão de postos de trabalho diretos e indiretos.
O anúncio acontece em meio a disputas com concorrentes. Conforme o Seu Dinheiro, o iFood processou a 99Food no ano passado por concorrência desleal e publicidade comparativa ilícita; em maio, a 1ª Vara Empresarial e Conflitos de Arbitragem de São Paulo condenou a rival, que afirmou que vai recorrer. No fim de agosto, o iFood também apresentou representação ao Cade pedindo a abertura de processo contra a Keeta, plataforma controlada pela chinesa Meituan, sob a alegação de práticas predatórias — a acusação é de que a Keeta opera com lucro negativo por pedido, subsidiada pela matriz.
A Keeta reagiu chamando a ação de "clara estratégia monopolista" e acusa o iFood de deter o monopólio do mercado brasileiro e de descumprir o acordo firmado com o Cade há três anos, vigente até meados de 2027, sobre contratos de exclusividade com restaurantes.
Barreto afirmou que a empresa não se vê como dominante, mas como líder de um mercado que, na avaliação dele, ainda não está maduro. "É uma liderança que se mantém em patamares parecidos com o que era antes", disse.