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Incêndios na França e na Espanha: Macron convoca reunião de crise

Chamas chegaram a 15 km de Bordeaux e mais de 300 mil pessoas estão fora de casa nos dois países; fogo em Ávila e Madri é o maior da história recente espanhola

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Incêndios na França e na Espanha: Macron convoca reunião de crise
Daniel Lincoln/Unsplash — imagem ilustrativa

O presidente da França, Emmanuel Macron, convocou para esta segunda-feira (27) uma reunião de crise do gabinete para coordenar o combate aos incêndios florestais que atingem o sudoeste do país, com as chamas a poucos quilômetros de Bordeaux. A informação foi divulgada pela Al Jazeera, que cita despachos da Reuters e da Associated Press. Somadas às queimadas na Espanha, as duas emergências já tiraram mais de 300 mil pessoas de casa.

A urgência da reunião, segundo a Al Jazeera, está ligada à previsão de uma nova onda de calor na França ainda esta semana. As temperaturas devem voltar a subir a partir de terça-feira, o que tende a dificultar o trabalho das equipes.

França: fogo às portas de Bordeaux

No departamento da Gironda, onde fica Bordeaux, a prefeitura local informou que a situação permaneceu "globalmente estável" durante a madrugada. No ponto mais próximo, porém, as labaredas chegaram a 15 quilômetros da região metropolitana da cidade, que tem cerca de 850 mil habitantes.

O ministro do Interior francês, Laurent Nunez, descreveu em publicação no X mais uma "noite difícil". Segundo ele, "o fogo voltou a ficar extremamente virulento e imprevisível, gerando os próprios ventos e avançando de forma errática em direção à área metropolitana de Bordeaux", antes de perder força no fim da madrugada. Nunez avaliou que "a situação continua muito desfavorável".

A Euronews, com material da AP, informou que 55 mil pessoas foram retiradas de suas casas ao longo de domingo, elevando para 220 mil o total de deslocados apenas na Gironda. Cerca de 42 mil hectares já arderam no departamento — área quatro vezes maior que a cidade de Paris. Contando a vizinha região de Landes, a agência Europa Press, citada pelo jornal El Español, fala em mais de 250 mil retirados no sudoeste francês.

O combate mobiliza cerca de 2.500 bombeiros e 18 aviões e helicópteros, incluindo meios cedidos por outros países europeus, além de militares que operam um cargueiro A400M lançando retardante. Há divergência sobre o número de feridos: a Euronews, citando a prefeitura da Gironda, fala em 84 bombeiros atendidos; a Europa Press registra 75, dos quais dez precisaram ser evacuados. Segundo a prefeitura, 240 casas foram destruídas.

"É um incêndio de dimensão nunca vista", disse à Al Jazeera Jerome Steffe, prefeito de Cestas, cidade vizinha a Bordeaux.

Espanha: o maior fogo da história recente

Do outro lado dos Pirineus, o incêndio que atinge Ávila, Madri e Toledo já consumiu cerca de 77 mil hectares, com perímetro de 280 quilômetros. A vice-presidente e ministra da Transição Ecológica, Sara Aagesen, classificou o fogo como o "maior incêndio da história recente" do país, conforme o El Español.

Os números oficiais variaram ao longo da manhã: Aagesen atribuiu 50 mil hectares a Ávila e 25 mil a Madri, enquanto o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, falou em 47 mil e 27 mil, respectivamente. Marlaska afirmou que "hoje e amanhã são dias centrais" para conter as chamas, porque "a partir de quarta-feira as condições serão negativas". Há 3.000 profissionais empenhados na operação.

O foco iniciado em Burgohondo, na província de Ávila, chega ao quinto dia e é apontado pela EFE como o mais devastador já registrado na Espanha. A Al Jazeera informa que mais de 75 mil pessoas foram retiradas no país e que os fogos próximos a Madri "reduziram o avanço" — as autoridades começaram a autorizar o retorno de parte dos evacuados.

Em Valência, um homem morreu no sábado em um incêndio em Manises, primeira morte registrada nesta série de queimadas, segundo a AP. Já em Castellón, o fogo de Vall d'Uixó mantém 16 mil desalojados. A delegada do governo em Valência, Pilar Bernabé, disse que as causas seguem sob investigação, mas que "não parece que haja causas naturais" por trás do incêndio.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou a criação de um órgão assessor sobre incêndios e um decreto com ajudas aos atingidos. Ele falou em "incêndios de sexta geração" e afirmou que "a emergência climática mata".

Ficha técnica

  • França: 42 mil hectares na Gironda; 220 mil retirados no departamento e mais de 250 mil no sudoeste
  • Espanha: 77 mil hectares em Ávila, Madri e Toledo; mais de 75 mil evacuados
  • Mobilização: meios de Grécia, Itália, Turquia e Portugal atuam no lado espanhol
  • Clima: a Europa já enfrentou três ondas de calor neste verão, segundo a Al Jazeera

Fontes consultadas nesta apuração

  • incêndios florestais
  • França
  • Espanha
  • Bordeaux
  • Madri
  • Emmanuel Macron
  • Pedro Sánchez
  • onda de calor
  • emergência climática

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