Incêndios na França e na Espanha: Macron convoca reunião de crise
Chamas chegaram a 15 km de Bordeaux e mais de 300 mil pessoas estão fora de casa nos dois países; fogo em Ávila e Madri é o maior da história recente espanhola
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Chamas chegaram a 15 km de Bordeaux e mais de 300 mil pessoas estão fora de casa nos dois países; fogo em Ávila e Madri é o maior da história recente espanhola
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O presidente da França, Emmanuel Macron, convocou para esta segunda-feira (27) uma reunião de crise do gabinete para coordenar o combate aos incêndios florestais que atingem o sudoeste do país, com as chamas a poucos quilômetros de Bordeaux. A informação foi divulgada pela Al Jazeera, que cita despachos da Reuters e da Associated Press. Somadas às queimadas na Espanha, as duas emergências já tiraram mais de 300 mil pessoas de casa.
A urgência da reunião, segundo a Al Jazeera, está ligada à previsão de uma nova onda de calor na França ainda esta semana. As temperaturas devem voltar a subir a partir de terça-feira, o que tende a dificultar o trabalho das equipes.
No departamento da Gironda, onde fica Bordeaux, a prefeitura local informou que a situação permaneceu "globalmente estável" durante a madrugada. No ponto mais próximo, porém, as labaredas chegaram a 15 quilômetros da região metropolitana da cidade, que tem cerca de 850 mil habitantes.
O ministro do Interior francês, Laurent Nunez, descreveu em publicação no X mais uma "noite difícil". Segundo ele, "o fogo voltou a ficar extremamente virulento e imprevisível, gerando os próprios ventos e avançando de forma errática em direção à área metropolitana de Bordeaux", antes de perder força no fim da madrugada. Nunez avaliou que "a situação continua muito desfavorável".
A Euronews, com material da AP, informou que 55 mil pessoas foram retiradas de suas casas ao longo de domingo, elevando para 220 mil o total de deslocados apenas na Gironda. Cerca de 42 mil hectares já arderam no departamento — área quatro vezes maior que a cidade de Paris. Contando a vizinha região de Landes, a agência Europa Press, citada pelo jornal El Español, fala em mais de 250 mil retirados no sudoeste francês.
O combate mobiliza cerca de 2.500 bombeiros e 18 aviões e helicópteros, incluindo meios cedidos por outros países europeus, além de militares que operam um cargueiro A400M lançando retardante. Há divergência sobre o número de feridos: a Euronews, citando a prefeitura da Gironda, fala em 84 bombeiros atendidos; a Europa Press registra 75, dos quais dez precisaram ser evacuados. Segundo a prefeitura, 240 casas foram destruídas.
"É um incêndio de dimensão nunca vista", disse à Al Jazeera Jerome Steffe, prefeito de Cestas, cidade vizinha a Bordeaux.
Do outro lado dos Pirineus, o incêndio que atinge Ávila, Madri e Toledo já consumiu cerca de 77 mil hectares, com perímetro de 280 quilômetros. A vice-presidente e ministra da Transição Ecológica, Sara Aagesen, classificou o fogo como o "maior incêndio da história recente" do país, conforme o El Español.
Os números oficiais variaram ao longo da manhã: Aagesen atribuiu 50 mil hectares a Ávila e 25 mil a Madri, enquanto o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, falou em 47 mil e 27 mil, respectivamente. Marlaska afirmou que "hoje e amanhã são dias centrais" para conter as chamas, porque "a partir de quarta-feira as condições serão negativas". Há 3.000 profissionais empenhados na operação.
O foco iniciado em Burgohondo, na província de Ávila, chega ao quinto dia e é apontado pela EFE como o mais devastador já registrado na Espanha. A Al Jazeera informa que mais de 75 mil pessoas foram retiradas no país e que os fogos próximos a Madri "reduziram o avanço" — as autoridades começaram a autorizar o retorno de parte dos evacuados.
Em Valência, um homem morreu no sábado em um incêndio em Manises, primeira morte registrada nesta série de queimadas, segundo a AP. Já em Castellón, o fogo de Vall d'Uixó mantém 16 mil desalojados. A delegada do governo em Valência, Pilar Bernabé, disse que as causas seguem sob investigação, mas que "não parece que haja causas naturais" por trás do incêndio.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou a criação de um órgão assessor sobre incêndios e um decreto com ajudas aos atingidos. Ele falou em "incêndios de sexta geração" e afirmou que "a emergência climática mata".
Chanceler Abbas Araghchi afirmou neste domingo que a ação de Kiev "não pode ficar sem resposta"; Zelensky confirmou ataques a navios com carga militar ligada a Teerã