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IPCA-15: prévia da inflação fica em 0,06% em julho, diz IBGE

Queda de 0,66% nos alimentos, com tomate quase 20% mais barato, segura o índice; em 12 meses, prévia desacelera para 4,52% a uma semana do Copom

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IPCA-15: prévia da inflação fica em 0,06% em julho, diz IBGE
Tanya Barrow/Unsplash — imagem ilustrativa

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação oficial, subiu 0,06% em julho, informou o IBGE na manhã desta terça-feira (28). É uma desaceleração forte ante a taxa de junho, de 0,41%, e o resultado veio abaixo do que o mercado esperava: a mediana das projeções compiladas pela agência Reuters, citada pelo InfoMoney, apontava alta de 0,20%.

Com o número de julho, o IPCA-15 acumula 3,51% no ano e 4,52% em 12 meses — abaixo dos 4,80% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores, mas ainda ligeiramente acima do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, de 4,5% (meta de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo).

Alimentos puxaram o índice para baixo

Segundo o IBGE, o grupo Alimentação e bebidas foi o único a exercer impacto negativo relevante: caiu 0,66% em julho, depois de subir 0,74% em junho. A alimentação no domicílio recuou 1,14%, com destaque para as quedas do tomate (-19,95%), da batata-inglesa (-10,03%) e do café moído (-3,13%). Na direção contrária, subiram a cebola (7,10%) e o pão francês (0,65%).

Comer fora de casa, porém, ficou mais caro: a alimentação fora do domicílio acelerou de 0,40% em junho para 0,55% em julho, puxada pela refeição, que subiu 0,66%.

Energia elétrica foi o maior peso individual

Na ponta das altas, Habitação registrou a maior variação e o maior impacto entre os nove grupos pesquisados (0,97% e 0,15 ponto percentual). A energia elétrica residencial subiu 3,03% e foi o principal impacto individual do mês (0,12 p.p.), refletindo a bandeira tarifária amarela — cobrança extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh — e reajustes incorporados em cidades como Curitiba (19,55% na tarifa de uma concessionária) e Rio de Janeiro, onde a conta de luz subiu 4,88% com o retorno de um reajuste autorizado pela Aneel.

Em Transportes (0,11%), a passagem aérea disparou 11,70%, enquanto os combustíveis caíram 0,90%, com recuo em todos os itens: etanol (-2,50%), diesel (-1,32%), gás veicular (-0,97%) e gasolina (-0,68%).

Entre as regiões pesquisadas, a maior variação foi a do Rio de Janeiro (0,44%), pressionada por passagem aérea e energia. O menor resultado saiu de Belém (-0,22%), com quedas do açaí (-19,45%) e da gasolina (-3,35%). Em São Paulo, região de maior peso no índice, houve deflação de 0,06%.

O que isso muda para os juros

A prévia de julho é o último grande termômetro de inflação antes da reunião do Copom de 4 e 5 de agosto, a primeira do segundo semestre. A Selic está em 14,25% ao ano desde junho, quando o comitê cortou a taxa em 0,25 ponto, e o boletim Focus, do Banco Central, projeta juros de 14% no fim de 2026 — ou seja, o mercado enxerga espaço para pelo menos mais um corte até dezembro, a depender do comportamento da inflação.

Apurou o InfoMoney que o resultado ficou abaixo do esperado pelo mercado, o que tende a reforçar a leitura de desinflação em curso. Ainda assim, as projeções do Focus para o IPCA de 2026 seguem acima do teto da meta, o que mantém o Banco Central em modo de cautela.

Para o cálculo do IPCA-15 de julho, o IBGE coletou preços entre 17 de junho e 15 de julho. A próxima prévia da inflação será divulgada em 26 de agosto.

Fontes consultadas nesta apuração

  • IPCA-15
  • inflação
  • IBGE
  • Selic
  • Copom
  • preço dos alimentos
  • energia elétrica

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