O IBGE divulga na manhã desta terça-feira (28), às 9h, o IPCA-15 de julho, a chamada prévia da inflação oficial — o último grande termômetro de preços antes da reunião do Copom marcada para 4 e 5 de agosto. No mesmo dia, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, inicia em Washington a reunião de dois dias que define amanhã (29) os juros da maior economia do mundo. A combinação faz desta a semana mais aguardada do mês para o rumo da Selic, hoje em 14,25% ao ano.
Por que o IPCA-15 de hoje importa
A expectativa em torno do dado é de confirmação da desaceleração dos preços. No Boletim Focus divulgado na segunda-feira (27), economistas consultados pelo Banco Central reduziram pela quarta semana seguida a projeção para o IPCA de 2026, de 5,15% para 5,12% — ainda acima do teto da meta, de 4,5%, como registrou o site Movimento Econômico. A estimativa para o IPCA cheio de julho também recuou na pesquisa, de 0,26% para 0,20%.
Um IPCA-15 abaixo do esperado tende a reforçar a aposta de novo corte de juros na semana que vem. Segundo o Bora Investir, portal de notícias da B3, o mercado está majoritariamente posicionado para uma redução de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto, o que levaria a Selic a 14% ao ano. No Focus, a mediana para a taxa no fim de 2026 está em 14% pela quinta semana consecutiva. Em junho, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto, de 14,50% para os atuais 14,25%.
Fed decide amanhã, sem novas projeções
Do lado americano, o Fomc, comitê de política monetária do Fed, se reúne hoje e amanhã. O comunicado sai na quarta-feira às 15h (horário de Brasília), seguido de coletiva do presidente da instituição, Kevin Warsh, destaca o Bora Investir. A reunião de julho não inclui a atualização trimestral de projeções dos dirigentes, o chamado "dot plot", lembra o CME Group.
A expectativa predominante é de manutenção dos juros americanos na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, mas investidores vão buscar pistas sobre os próximos passos. A semana nos EUA ainda reserva o PIB do segundo trimestre, a inflação medida pelo índice PCE e balanços de peso — Meta, Microsoft, Apple e Amazon divulgam resultados em meio ao debate sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial.
Pano de fundo: petróleo em queda ajudou
O cenário para a inflação ganhou um alívio adicional no início da semana. Com a retomada do diálogo entre Estados Unidos e Irã reduzindo o temor sobre a oferta global de energia, os preços internacionais do petróleo caíram cerca de 8% na segunda-feira, para a faixa de US$ 85 o barril, segundo o Bora Investir. No pregão, o Ibovespa subiu 0,74% e o dólar fechou a R$ 5,11.
No Brasil, a agenda da semana ainda inclui os dados de emprego da Pnad Contínua e do Caged, usados para medir o fôlego da atividade econômica. A decisão do Copom sobre a Selic sai na quarta-feira da semana que vem, 5 de agosto, no fim do segundo dia de reunião.