A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou nesta sexta-feira (31) ter realizado um ataque com drones contra instalações usadas pelas forças dos Estados Unidos na Base Aérea Ahmad Al-Jaber, no Kuwait, e ter atingido dois navios-tanque que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz. É a mais recente escalada de uma guerra que começou no fim de fevereiro e que, nos últimos dias, passou a respingar em países vizinhos.
O que o Irã diz ter atingido
Em comunicado divulgado no Telegram e reproduzido pela agência semioficial Tasnim, a IRGC disse ter mirado sistemas de comunicação via satélite, abrigos de aeronaves e depósitos de equipamentos na base kuwaitiana, descrita pelos iranianos como um "centro vital" de apoio aéreo e de vigilância americana na região. O objetivo declarado seria atingir a capacidade de comando e controle das forças dos EUA.
Segundo o exército iraniano, a ação foi uma resposta ao ataque americano a uma casa na ilha de Qeshm, no sul do Irã. Até a publicação desta reportagem, os Estados Unidos não haviam comentado o ataque, e não há informação independente sobre danos ou vítimas, conforme registrou a Al Jazeera.
Navios-tanque no Estreito de Ormuz
No mesmo comunicado, a Guarda Revolucionária afirmou que, nas primeiras horas desta sexta, duas embarcações tentaram cruzar Ormuz por uma rota que classificou como não autorizada, com escolta aérea americana, e foram "atingidas e interceptadas". Outros quatro navios-tanque teriam mudado de rumo e voltado ao ponto de origem depois de advertências.
A IRGC também disse ter alertado empresas de navegação e seguradoras para que ignorem os comunicados do Comando Central dos EUA (Centcom). O texto iraniano não identifica os navios, nem informa bandeiras, proprietários ou a extensão dos danos, como observou a Band, com informações do Estadão Conteúdo. O Estreito de Ormuz, entre Irã e Omã, é uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo.
Relembre: o bombardeio americano de quarta-feira
O Comando Central dos EUA informou ter atingido dezenas de alvos ligados à IRGC em território iraniano na madrugada de quarta-feira. Três pessoas morreram na ilha de Qeshm quando um prédio residencial foi atingido, e explosões foram ouvidas nas províncias de Fars, Bushehr, Khuzestão e Hormozgan, além da ilha de Kish, segundo a Al Jazeera.
Na quinta-feira, as Forças Armadas da Jordânia disseram ter interceptado cinco mísseis lançados do Irã. O Ministério da Defesa do Kuwait informou que um trabalhador morreu em um ataque iraniano contra um prédio de uma empresa chinesa no norte do país; nesta sexta, a porta-voz da chancelaria chinesa, Mao Ning, afirmou que nenhum cidadão chinês foi afetado. O exército iraniano também reivindicou, na quinta, um ataque a instalações americanas na base aérea Sheikh Isa, no Bahrein, de acordo com a CNBC.
A guerra se espalha pela região
O Egito confirmou que o incêndio que danificou dois navios no porto mediterrâneo de Damietta, na quarta-feira, foi provocado por um drone. Nenhum grupo assumiu a autoria. A Reuters apurou que o aparelho atingiu o navio-tanque de gás Energos Winter, de propriedade americana, e o fogo se espalhou para uma segunda embarcação.
O Irã negou envolvimento. "O Egito é um amigo e parceiro importante na região, e sua segurança é da maior importância para nós", escreveu o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, nas redes sociais, ao afirmar que é preciso estar atento a "operações de bandeira falsa".
Na quinta-feira, a Arábia Saudita anunciou planos de formar uma coalizão marítima multinacional para proteger rotas de navegação e de energia no mar Vermelho, depois que os houthis do Iêmen declararam, em 20 de julho, um bloqueio marítimo contra o país. A Bloomberg informou que seis petroleiros sauditas mudaram de rota na região do estreito de Bab el-Mandeb diante das ameaças.
Para o pesquisador Ali Akbar Dareini, do Centro de Estudos Estratégicos de Teerã, ouvido pela Al Jazeera, enquanto Washington aposta em uma "escalada vertical", aumentando o volume de ataques, o Irã busca uma "escalada horizontal", ampliando o alcance geográfico do conflito.