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Irã desmente Trump e diz que Ormuz segue fechado a navios

Teerã classifica como "simplesmente falso" o anúncio de acordo feito pelo presidente americano; agência Fars afirma que embarcações só passam com autorização das forças armadas iranianas

Redação Apuramos

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Irã desmente Trump e diz que Ormuz segue fechado a navios
Planet Volumes/Unsplash — imagem ilustrativa

Autoridades políticas e militares do Irã desmentiram neste domingo (2) o anúncio feito horas antes pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que os contornos de um acordo com Teerã haviam sido fechados e que o estreito de Ormuz seria reaberto. Segundo fontes da equipe de negociação iraniana ouvidas pela agência semioficial Fars, a versão americana "é simplesmente falso".

"Enquanto continuarem os atos hostis e maliciosos dos Estados Unidos, o estreito permanecerá fechado", disseram à mesma agência autoridades militares que pediram para não ser identificadas, conforme reportou a Europa Press, em despacho publicado no Brasil pelo InfoMoney. A agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, também negou a versão de Trump.

O que Trump anunciou

Na noite de sábado (1º), Trump escreveu na rede Truth Social que havia cancelado um novo ataque contra o Irã. Ele condicionou a decisão à conclusão rápida de um acordo que encerre o programa nuclear iraniano e reabra a passagem à navegação.

"Os EUA estão prontos e preparados para agir contra a República Islâmica do Irã, com níveis de terror militar, força e poder nunca vistos desde a 2ª Guerra Mundial. Apesar disso, acabamos de ser solicitados pelo Irã e por outros países do Oriente Médio a suspender qualquer ataque, pois os termos de um acordo foram definidos", escreveu, segundo o Poder360. O texto afirmava ainda que o entendimento incluiria a abertura "imediata, completa e total" de Ormuz. Trump disse que Israel se unia a ele "neste compromisso".

Navios parados no corredor norte

A Al Jazeera apurou em Teerã que a Fars informou, no meio-dia deste domingo, que diversas embarcações seguiam retidas no corredor norte do estreito, em águas iranianas, e que só poderiam seguir viagem com autorização das forças armadas do país. Segundo a emissora, autoridades iranianas afirmam que a mesma regra vale para o corredor sul, que passa por águas territoriais de Omã.

O ministro da Defesa interino do Irã, Majid Ebn-e-Reza, disse que a declaração de Trump foi feita "no contexto de operações psicológicas e de uma guerra de cálculos". O general acrescentou em publicação nas redes sociais que as Forças Armadas tratam cada ameaça como real e que o país não será "surpreendido nem passivo".

Telefonemas e mediação

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, comunicou na noite de sábado ao colega saudita, Faisal bin Farhan, que a situação em Ormuz não havia mudado e que o Irã está preparado para responder a qualquer ataque. O teor da conversa foi transmitido pelo príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, na ligação que manteve com Trump neste domingo — na qual, segundo a imprensa estatal do reino, defendeu priorizar o diálogo para reduzir a escalada.

Paquistão, Catar, Omã e Turquia também têm trocado mensagens com os dois lados, de acordo com a Al Jazeera. Um memorando de entendimento fechado em junho chegou a reabrir parcialmente o estreito em troca do fim do bloqueio americano a portos do sul do Irã e de dois meses de alívio nas sanções ao petróleo, mas ruiu em menos de um mês.

Rússia critica "contradições"

O representante permanente da Rússia na ONU, Mikhail Ulyanov, lamentou neste domingo, em publicação nas redes sociais, o rumo das negociações. "Começam a surgir muitas declarações contraditórias sobre a busca por um acordo, e a maioria delas vem de Washington", afirmou, conforme o despacho da Europa Press.

Procurada pela imprensa internacional, a Casa Branca não apresentou até o fechamento desta reportagem uma resposta às negativas iranianas. O governo americano sustenta que o memorando de junho garantia a passagem pelo corredor sul; o Irã mantém que cabe às suas forças armadas organizar o tráfego.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Irã
  • Estreito de Ormuz
  • Donald Trump
  • EUA
  • Oriente Médio
  • petróleo

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